sábado, 13 de maio de 2017

Crítica: Alien Covenant (2017)







Não havia qualquer sinal de vida da série Alien desde 2007, quando Aliens vs. Predador: Requiem praticamente matou as duas franquias que tinha em seu nome.
Com o lançamento de Predadores, em 2010, muitos perceberam que ainda havia futuro para a revitalização tanto da série muy macho de Predador quando da femme fatale que era a série Alien.

Entra Prometheus, um filme lançado em 2012, dirigido por Ridley Scott, o mesmo homem responsável pela franquia dos transmorfos destrutivos.
Apesar de não ser uma sequência, Prometheus foi apresentado como uma história paralela aos eventos de Alien, acontecendo décadas antes, e que tinha interesse em explicar alguns dos elementos deixados sem resposta do primeiro filme, Alien - O 8º Passageiro.

Em termos técnicos, Prometheus não é um filme ruim: é certamente bem estruturado, conta com temas bem interessantes, como fé e criação, e tem personagens bem elaborados (apesar de não serem muito inteligentes, visto que a trama anda por conta de erros e más decisões fáceis de se evitar). Os problemas de Prometheus talvez estivessem mais sujeitos a questões pessoais: as pessoas esperavam um filme de Alien, e o que ganharam foi algo bem diferente, mais cheio de drama entre personagens, com alguns toques de Sci-Fi e terror.
Apesar de ter sido bem recebido por críticos, Prometheus dividiu espectadores, devido a seu método de aproximação de uma mitologia já bem explorada, como, também, por sua ineficiência em responder as perguntas que parecia ter sido feito para responder.

Entra Alien: Covenant o último filme da franquia Alien, sequência de Prometheus e prequela indireta para os eventos de Alien - O 8º Passageiro, que chega com o intuito de finalmente dar explicações, ignorando pontos importantes de filmes anteriores em prol de seus próprios personagens e ideias.

A trama de Covenant acontece dez anos depois dos eventos de Prometheus, quando tripulantes da nave titular pousam em um planeta para perseguir uma misteriosa transmissão.
Não muito tempo depois de pousarem, alguns membros da tripulação são infectados por um misterioso "vírus", que logo os faz convulsionar e cria pequenos, mas mortais, embriões alienígenas em seus corpos.
Após conseguirem repelir as criaturas, os tripulantes são aproximados por David, o "sintético" sobrevivente da nave Prometheus, que revela que chegou ali junto de Elizabeth Shaw, a protagonista do mesmo filme, mas que, por conta de complicações, está sozinho naquele mundo.

Ao seguir David, a tripulação da Covenant começa a perceber que suas palavras não são verdadeiras e, mais do que isso, todos estão em perigo, não só por causa dos alienígenas que os atacaram, mas, também, por conta das intenções sombrias de seu hóspede.

Uma breve lida da trama, e já é possível perceber que Alien: Covenant não causa tumulto, não faz absolutamente nada de novo, e, com um pouco mais de percepção e suposição, conta com pouquíssimas surpresas em suas cenas.
No entanto, o foco de Covenant não está em abalar estruturas, como fez o o Alien original, lá de 1979, e, sim, em contar uma história e explorar diferentes temas, com o intuito de fazer sua audiência refletir, ao mesmo tempo em que lhe dá alguns sustos para mantê-la nervosa e atenta; finalmente, uma aparente tentativa de Covenant é a de colocar sua franquia de origem em um plano estável novamente, para que possa se expandir o máximo que puder (ainda mais considerando os fracassos que surgiram anteriormente sob esse mesmo nome).

Em termos técnicos, Alien: Covenant é um filme esplendoroso: ótimos efeitos especiais, boa atuação (destaques indo para Michael Fassbender em um papel duplo, e Katherine Waterston como uma protagonista quase digna da Ellen Ripley de Sigourney Weaver), ótima fotografia (para sets interiores, visto que imagens de campos abertos parecem quase de estoque, devido sua enorme familiaridade - quantos filmes gravaram na Nova Zelândia? -) e um ritmo adequado e tenso.

Os temas filosóficos que o filme tenta passar também são efetivos, indo desde o começo até as cenas finais, assim como suas cenas tensas de terror e ação, fazendo mais contato com os dois primeiros filmes da franquia do que qualquer uma das sequências jamais pôde.

Os personagens realizando essas empreiteiras são, em sua maioria, bem desenhados, cada um com seu propósito e vontade de provar algo, mais uma vez, fazendo referência aos dois primeiros Alien. A personagem protagonista, Danniels, interpretada por Katherine Waterston, é do tipo que logo chama atenção, não só graças à ótima performance da atriz, como, também, por conta do espaço que o roteiro dá a ela, permitindo que ela se desenvolva em diferentes situações, uma clara, e honorável, referência à Ellen Ripley de filmes anteriores (ou futuros, considerando a cronologia). 
Os dois personagens de Michael Fassbender, os sintéticos David e Walter, também roubam a cena, embora em escala menor. É com eles que as questões filosóficas do filme entram em questão, em especial com o personagem David, obviamente mexido dos eventos de Prometheus (e dos abusos que ele sofreu naquele filme) e de sua história de fundo, melhor explorada neste filme.

Mesmo os personagens sendo muito bons, o que mais chama atenção é o retorno do Alien titular às telas. Desde Aliens vs Predator: Requiem, eles não aparecem com tanta frequência e, desde Alien 3, eles não são tão aterrorizantes e perigosos como são agora. Em parte graças aos designs atualizados dos "protótipos" de H. R. Giger, e aos efeitos especiais do filme, tais criaturas se movimentam de forma predatória, letal, e, mais importante, alienígena. Não só isso como também há certa graça em seus movimentos, recuperando os toques femininos que as criaturas tinham em seus filmes de origem (e relembrando a feminilidade da franquia Alien no geral).


Agora que mencionamos os monstros, talvez seja um bom momento para levantar a questão das cenas de morte, algo tão esperado neste gênero quanto era o exagero em romances do século XIX. No entanto, diferente do que se pode esperar, Alien: Covenant não é um filme tão gráfico. Na verdade, boa parte do choque que as mortes de personagens vão causar são mais por conta de movimentos bruscos, breves aparições do que está ocorrendo e, logo, há o corte para outra cena, voltando um tempo depois para mostrar o estrago causado.
Não se deixe confundir: há sangue, mas não há galões dele. Na verdade, o sangue que aparece em cena parece surgir com um propósito, mantido no mínimo, sua cor forte o suficiente para estabelecer o que o filme tenta mostrar, que é o terror que a criatura é capaz de fazer.
Mesmo pessoas de estômago fraco deveriam ser capazes de tolerar a maior parte das cenas (digo maior parte, mas, deve-se lembrar que o que é deixado para a imaginação é, muitas vezes, bem pior do que se pode mostrar).

Fãs ávidos dos filmes anteriores de Alien, e até filmes de terror em geral, têm muito o que aproveitar em Covenant, pois, mesmo sabendo que o filme não tenta nada de novo, os pontos que ele apresenta ainda são dignos de nota, não por sua originalidade, mas, por sua qualidade. É um filme estável, concentrado em sua missão, e muito bom de se assistir, e perfeito para assustar desavisados.
No entanto, seus elementos paradoxais para com o resto da franquia podem ser grandes dores de cabeça para fãs veteranos da série.

Apesar de tantas qualidades, há um ponto em que Alien: Covenant tropeça, e isso é em sua continuidade com filmes anteriores.
Quem assistiu Alien - O 8º Passageiro, ou até Aliens - O resgate, irá notar inúmeras consistências desses filmes com o atualmente presente nos cinemas, em especial no que se diz aos Aliens e as explicações dadas para suas presenças na linha de Prometheus, cem anos antes do suposto primeiro contato com eles em O 8º Passageiro. No momento atual, tentar conectar ambas as linhas do tempo acaba causando muitos paradoxos, em especial no que foi visto nos dois primeiros filmes da série, em seus momentos mais marcantes, inclusive.
Após uma breve pesquisa, descobri que existem explicações, mas, não há nenhuma no filme, dando a entender que uma possível sequência vai abrir espaço para respostas. O difícil é saber como tal sequência será abordada, considerando que, no passado, foi nas sequências que a série começou a definhar.

Como um filme isolado, ou até uma sequência para Prometheus, Alien: Covenant é excelente, mesmo que previsível. No entanto, como parte do cânon de uma série de quase quarenta anos, ele deixa um pouco a desejar, em especial no que diz respeito a sua continuidade.

Uma coisa é certa: os xenomorfos estão de volta, e bem na hora de assustar toda uma nova geração. Será este o grande retorno que a franquia há muito precisa? Ou estamos caminhando em direção a um esforço sem sentido? Só o tempo dirá. E que ele traga boas notícias.

[se houver interesse em ouvir um comentário mais detalhado, o vídeo abaixo pode satisfazer essa vontade]



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