sexta-feira, 23 de setembro de 2016

As Crônicas de Nárnia - A Última Batalha [COMENTÁRIO]

Depois de tantos meses, finalmente consegui chegar à grande conclusão de As Crônicas de Nárnia. É certamente um final bem mágico, mas, que me enviou sinais misturados.


A Última Batalha é o último livro d'As Crônicas de Nárnia e, como tal, ele tenta amarrar todas as pontas soltas, ao mesmo tempo em que procura criar relações com todos os seis livros que vieram antes dele. E, sim, como você deve estar pensando, este foi o último livro da série a ser publicado.
Infelizmente, admito que o livro não acertou os pontos certos para mim como fez A Cadeira de Prata, mas, apesar disso, é, sem dúvidas, o segundo livro mais sólido de todas as Crônicas, em termos de estrutura e tom, além de ser o único que me vem à cabeça que procura estabelecer um pensamento filosófico, martelando insistentemente em temas como fé, amizade, lealdade e vida pós-morte.

A história começa com a introdução de dois personagens, o macaco Manhoso e o jumento Curioso, que descobrem uma pele de leão quando esta desagua perto de sua morada. Aproveitando-se da situação, Manhoso adapta a pele para que possa ser vestida por Curioso e parte para Nárnia com o intuito de fazê-lo personificar Aslam e, assim, mandar em Nárnia.
Logo, os planos do macaco acabam indo longe demais, quando ele convoca calormanos para ajudá-lo, além de escravizar animais falantes, matar as ninfas da floresta, e por aí vai.
O rei de Nárnia, Trilian, parte para impedi-lo, mas, acaba sendo capturado e amarrado. Ele é salvo por Eustáquio e Jill, que foram depois de terem contactado-o junto dos irmãos Pevensie, Digory e Polly.
A trama se desenrola a partir daqui com Trilian, Eustáquio e Polly se preparando para revelar que o Aslam de Manhoso nada mais é do que uma fraude. Os eventos logo começam a ficar cada vez mais sombrios, à medida em que estranhas manifestações vão ocorrendo em Nárnia, e terríveis notícias começam a surgir de todos os lados.

Um personagem imitar Aslam e usar sua influência para escravizar outros ao seu redor parece ser justamente o tipo de história que estava faltando nas Crônicas, e é algo muito bem desenvolvido. Claro, para o leitor, não existe necessariamente mistério sobre como quem está por trás da escravização de animais e de todo o sofrimento não é Aslam, mas, o narrador consegue nos convencer de porque aquela ideia tão absurda está dando certo.



Como eu disse antes, A Última Batalha toca em alguns pontos sensíveis dignos de reflexão, sendo a imitação de Aslam o primeiro deles. Tópicos relacionados a fé são predominantes e, por muito tempo, são o que separam os personagens bons dos maus.
Não demora muito para que ideias relacionadas a amizade e lealdade comecem a aparecer, e todos esses pontos são muito bem apontados pelo narrador: de maneira sutil, e através de situações diversas e bem contadas.
Assim como foi em A Cadeira de Prata, o narrador tem uma preocupação maior em contar a sua história, dando ênfase apenas ao que é necessário, sem perder tempo martelando lições quando estas devem ser absorvidas ao passo em que a história progride.

Os personagens que estrelam nesta trama são tão verossímeis quanto aqueles d'A Cadeira de Prata, e são apropriadamente explorados tanto em comportamento quanto pensamentos e ações.

Na verdade, A Última Batalha consegue compensar muitos dos erros que surgiram em toda a série de livros, particularmente quando falamos de ação. Desta vez, o narrador não teme em nos atirar para o meio do campo de batalha: espadas sujas de sangue, personagens beirando à morte e desmembramentos são comentados, embora nunca cheguem a grande detalhe (o que não é uma reclamação; deve-se levar em conta o público-alvo, afinal de contas). De forma muito apropriada, o livro faz jus ao seu nome, embora possa ainda levantar algumas sobrancelhas.
Eu diria que praticamente três quartos do livro são fantásticos, frenéticos e muito bem contados e preparados. É uma grande aventura, sim, mas, que acaba tomando uma direção um tanto... Surreal em seu desenrolar.
Não se preocupe, não pretendo soltar spoilers neste comentário, ainda mais considerando que eu já disse demais sobre a trama, mas, não posso negar que a parte final de A Batalha Final me deixou perplexo, devido a seu tom completamente destoante do resto do livro, e que certamente fará seus leitores embarcarem, para o bem ou para o mal. O que quero dizer é que... Bem... O final do livro me pareceu ser do tipo que se ama ou que se odeia. Não direi mais nada a respeito.

Ao compará-lo com os livros que o antecederam, A Última Batalha me pareceu ser o segundo melhor livro da série em todos os aspectos, mesmo com seu desenrolar duvidoso. Ainda acredito que A Cadeira de Prata é o melhor de todos os livros,  mas, este é um segundo lugar bem merecido.

Agora, por este ser o último de todos os comentários que farei sobre As Crônicas de Nárnia,  creio que seja interessante bater um pequeno veredito.
No geral, admito que minhas impressões não foram completamente favoráveis; encontrei vários problemas, os quais se repetiram múltiplas vezes, ao ponto do absurdo em certas ocasiões. Dito isso, no entanto, eu quero estabelecer que não me arrependo de ter dado uma chance a estes livros. Mesmo que eu não tenha achado esta uma viagem de todo confortável, não posso negar que encontrei verdadeiras pérolas, explorei um universo certamente glorioso e, apesar de todos os problemas, vivi uma ótima experiência.
Talvez eu esteja simplesmente velho demais para me apaixonar por esses livros, mas, não posso negar que são clássicos da fantasia. Por isso, deixo aqui apenas minha recomendação. Se você tiver como adquirir todos os livros em um volume único, e por um bom preço, creio que vale o investimento. Quem sabe? Você pode se surpreender!

E, com isso, agradeço a todos por terem acompanhado esta jornada. Que você tenha um ótimo dia (ou ótima noite). Até a próxima!

Nenhum comentário:

Postar um comentário