sexta-feira, 16 de setembro de 2016

As Crônicas de Nárnia - A Cadeira de Prata [COMENTÁRIO]

Parem o mundo porque o impossível aconteceu. Eu ADOREI um dos livros das Crônicas de Nárnia! O QUÊ?!


Antes que eu perca a cabeça, permitam-me fazer uma breve explicação do que se passa. Desde que eu comecei a fazer esses comentários em relação a todos os livros das Crônicas de Nárnia, admito que tomei a forma de um crítico bem chato, encontrando falhas em praticamente todos os aspectos, e mantendo essas falhas destacadas em meus comentários. Sim, eu encontrava livros que eu chamava de “passáveis” ou “interessantes” (leia-se O Cavalo e seu Menino e Príncipe Caspian, por exemplo), mas, minha opinião, no geral, era pouco favorável para os trabalhos de C.S. Lewis.

Mas, surpresa, loucuras acontecem. Terminei de ler A Cadeira de Prata essa semana, e estou legitimamente impressionado com o quanto gostei dessa nova empreitada. Talvez tenha sido a forma de narrar, os personagens, as situações, ou tudo isso, mas, irei entrar em detalhes neste comentário.

Assim como Príncipe Caspian foi para O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa, A Cadeira de Prata acontece apenas um ano depois dos eventos de A Viagem do Peregrino da Alvorada. Eustáquio, retornando do livro anterior, passou por uma grande mudança de comportamento depois daquilo que passou a bordo do Peregrino e, junto a uma nova personagem, sua colega de classe Jill Pole, é chamado de volta a Nárnia.

Quando chegam em Nárnia, Eustáquio e Jill descobrem que décadas se passaram desde a aventura que Eustáquio teve ao lado de Edmundo e Lúcia, e recebem a missão de encontrar o filho perdido de Caspian X, agora um idoso em seu leito de morte.

Na busca pelo príncipe Rilian, Eustáquio e Jill encontram o Brejeiro, uma das várias criaturas fantásticas de Nárnia, e seguem em uma grande e perigosa jornada, atravessando as fronteiras da terra mágica, e chegando a um território hostil e desconhecido.


Acho que o ponto mais alto que A Cadeira de Prata marca é a jornada em si. Diferente do que foi visto até agora, em especial nos livros apresentando os irmãos Pevensie, a busca dos três heróis nos remete a algo genuíno e perigoso. Não parecem existir situações feitas com a exclusiva vontade de se dar uma lição: os personagens de fato passam por provações e, de fato, aprendem coisas valiosas ao final, mas isso tudo é feito de maneira sutil e bem contada.

Mais do que isso, esse talvez seja o grupo mais crível de protagonistas dos livros até agora.

Você deve lembrar que Eustáquio foi, para mim, um dos pontos luminosos de A Viagem do Peregrino da Alvorada, e, neste livro, ele certamente continua tão interessante quanto antes, mesmo sem passar por uma mudança de comportamento como antes. Unindo-se a ele estão Jill e o Brejeiro, com quem passamos a maior parte do livro, e este é um trio sensível de personagens: eles pensam sobre o que vão fazer, analisam situações com cuidado e, quando estão cansados ou irritados, dane-se tudo, deixe eles descansarem. Parecem mais com um trio de pessoas do que um grupo de criaturas mágicas criadas com o propósito de mostrar como Aslam é bom e como Nárnia é maravilhosa. Curioso que, depois de escrever tudo isso, percebi que elementos assim eram bem comuns em livros anteriores, mas, de todos eles, creio que A Cadeira de Prata é a que faz o trabalho melhor, e de forma muito mais aceitável e verossímil do que antes.

Outro ponto que pareceu ter melhorias a meus olhos foi o narrador. Aquele que era um narrador de palavras e descrições estranhas, tornou-se um narrador competente, descrevendo todas as coisas com clareza, além de explorar bem a mente de seus personagens, nos dando o que estão pensando e como se sentem em cada situação.

Falando em descrição, inclusive, o narrador certamente abre os olhos para um mundo verdadeiramente hostil e ameaçador, com grandes montanhas, enormes cavernas subterrâneas, além de castelos, cidades e florestas diversas. Esta nova área do universo de Nárnia está dentre as mais interessantes de todas vistas até agora, e de grande atmosfera e sentido. Os lugares são bonitos, e os seus habitantes são igualmente interessantes, sendo bem mais específicos do que foi visto até agora (que era, no geral, uma enorme mistura de criaturas).

No entanto, não posso dizer que o livro está completamente livre de problemas, contendo um pouco de tropeços pela linha, especialmente no comportamento e nas oportunidades dadas à Jill; mesmo assim, estes são problemas relativamente mínimos e não atrapalham na experiência como um todo.

A Cadeira de Prata é um livro absolutamente magnífico, bem construído, bem pensado e magnificamente preparado, do tipo em que são quase visíveis o cuidado tanto com os personagens como as situações em que tudo se passa.

Para este comentário, em particular, admito que evitei tocar em pontos chave da história do livro, mas isso foi feito de modo que eu pudesse falar dos pontos importantes sem comprometer as surpresas (e são muitas as surpresas) que a trama guarda. Creio que este talvez tenha sido o grande charme do livro: ele me atirou em uma jornada inesperada, com personagens com quem eu não esperava que iria encontrar e em um mundo verdadeiramente novo e diferente do que vi antes. Por isso mesmo, evitei entrar em detalhes, e espero que você se surpreenda com o livro do jeito que eu me surpreendi.

Resta apenas mais um livro dentro das Crônicas de Nárnia. No momento em que escrevo este comentário, já avancei até a metade e, até agora, A Batalha Final vem sendo uma ótima viagem também. Veremos mais sobre isso na próxima.

Nenhum comentário:

Postar um comentário