segunda-feira, 2 de maio de 2016

As Crônicas de Nárnia - O cavalo e seu menino [COMENTÁRIO]

Se você leu meu último comentário a respeito de As Crônicas de Nárnia, é possível que já tenha começado a rastrear o meu endereço, ter preparado seus tridentes e tochas, e ter iniciado uma marcha para a minha casa, a fim de me destruir por ser um mané que reclamou pra burro de dois livros que são absolutos clássicos da literatura mundial e literatura infantil.
Até certo ponto, eu concordo com a indignação limpa... Eu achei muitos problemas em O Sobrinho do Feiticeiro e O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa, e, caramba, eu estaria mentindo se dissesse que estou de boa com isso. Eu queria muito ter gostado desses livros, e de não ter encontrado problemas com eles. Não são livros ruins ou decepcionantes, mas tinham coisas que, ao meu ver, eram dignas de atenção.

Estou falando tudo isso para dar uma noção de como eu estava me sentindo quando comecei a leitura de O cavalo e seu menino, o terceiro livro da cronologia de Nárnia: um tanto chateado, menos expectativas ainda, e esperando encontrar todos os problemas que eu encontrei antes...

Não são comuns as vezes em que inicio uma leitura com expectativas tão baixas assim... Mas, faz parte da coleção, então, o melhor que posso fazer é prosseguir com isso...



O interessante é que O cavalo e seu menino, dos que eu já li, conta com uma narração mais bem elaborada e polida do que os demais, embora sofra, de fato, com alguns dos principais problemas que as Crônicas parecem ter... Por conta disso, não creio que seja necessário montar um comentário tão longo e elaborado quanto o último; vou me ater apenas aos principais detalhes que me chamaram atenção, e que foram novidade no livro.

O primeiro aspecto é que o livro parece ter o interesse de expandir o mundo de Nárnia, adicionando um novo continente ao repertório, a Calormânia, com um estilo que muito lembra sociedades africanas e do Oriente Médio. Socialmente falando, o tal continente certamente parece mais plausível do que Nárnia: é um reino dividido em cidades, cada cidade contendo uma população (aparentemente) 100% humana, com divisão de classes, cada um tendo seu trabalho e função no mundo. Certamente parece algo bem padrão para a nossa realidade, mas, faz mais sentido do que Nárnia e seu reinado tão fantasioso que gera muitas questões se você parar para pensar. O que mais chama atenção, no entanto, é que os habitantes desse continente, os calormanos, todos têm a pele escura, algo nos moldes árabes, eu diria... Entraremos nisso com mais detalhes em instantes... Primeiro, eu gostaria de citar, de forma bem geral, a trama. Aviso logo: coloquei spoilers abaixo.


O cavalo e seu menino acontece durante o período de reinado dos irmãos Pevensie em Nárnia, brevemente resumido em O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa, e conta a história de Shasta, um garoto branco que havia sido acolhido por um calormano quando ainda era um bebê (e que é tratado como escravo pelo mesmo). Um dia, ele conhece um cavalo narniano chamado Bri (que, como tal, possui a habilidade da fala), que o ajuda a fugir do pai adotivo para ir ao norte, onde Nárnia, um continente infinitamente melhor do que a Calormânia, fica.
No caminho, eles encontram Aravis, uma garota que quer fugir de seu casamento arranjado, e Huin, uma égua falante.
O grupo chega à cidade de Tashbaan, onde Shasta descobre um garoto idêntico a ele, chamado Corin, Príncipe da Arquelândia (mais um novo reinado na história), e o grupo descobre sobre um complô dos calormanos para invadir Nárnia e capturar a rainha Susana, com quem o príncipe calormano Rabadash se enamorou (embora mais por interesse do que amor, de fato).
No caminho para avisar Nárnia, eles participam de uma grande batalha (mais Shasta do que o resto, honestamente), e Shasta descobre que ele é o Príncipe Cor, irmão gêmeo de Corin, e herdeiro do trono de Arquelândia.
Como toda história como essa acaba: Rabadash leva uma surra, Shasta/Cor se casa com Aravis, e todos vivem felizes para sempre...



Apesar da adição de personagens anteriores ser bem pensada, com Edmundo compensando toda a babaquice que ele faz na história anterior, Lúcia arrasando na batalha, e Aslam dando sua típica filosofia a quem quiser ouvir, a melhor personagem da história parece ser Aravis, já que ela possui um arco mais interessante e bem explorado. É uma garota destemida, inteligente, e capaz de fazer o que for preciso para conseguir o que quer, tendo cara para encarar as consequências caso ela falhe.
Sua história de fundo é bem desenvolvida, mais do que a dos outros personagens, e ela parece ter um desenvolvimento interessante durante a história. Ela não muda, necessariamente, e cai vítima para o grande clichê dos finais, mas é uma personagem que se destaca de todo jeito.
Shasta tem efeito, mas ele não parece acertar os pontos certos, sempre. É um bom personagem, um bom protagonista, mas, por vezes, ele é mais um observador, um garoto de recados, do que parte da ação de fato, como é o caso de Aravis.
Como comparação, o vilão Rabadash é tão cartunesco que é até parece um vilão de Shrek.

No geral, os problemas do livro são os mesmos dos anteriores, embora eu tenha notado os traços ruins com mais frequência nos diálogos do que em outros lugares. Como foi dito antes, a narrativa melhorou muito. Mais detalhes são dados, o narrador parece em mais controle, e ele consegue fazer a transição de cenas lindamente bem. De longe, a melhor parte do livro é o narrador falando. Ele consegue ser convincente, explora o suficiente em cada capítulo (com nenhum deles sendo redundante ou desnecessário, diga-se de passagem) e deixa o leitor querendo ler mais. Se há um momento em que C. S. Lewis me chamou atenção, foi aqui.

No entanto, o livro sofre com uma falha recorrente, e que é impossível de não se observar.  O cavalo e seu menino é racista, independente de como você olhe. Os vilões, os calormanos, são todos de pele escura, o país deles é imundo, cheio de problemas e falhas, com um governo corrupto, e pessoas pouco confiáveis, com pouquíssimas exceções. Em contrapartida, quase todos os heróis são brancos, e Nárnia e Arquelândia, terras de brancos, são quase paraísos: o grande objetivo final dos heróis, o céu na terra, e por aí vai.
Pelo que pesquisei meses atrás, parece que existia um sentido oculto, e de que os calormanos não representavam o povo do Oriente Médio ou da África, mas, sim, um grupo bíblico em particular, que, pela pesquisa que fiz, parecia ser bem hostil em histórias da Bíblia. Pode até ser, mas, não muda o fato de que o livro enaltece uma raça em detrimento de outra: uma é santa e quase perfeita, e a outra é profana e vil, e é isso que classifica o racismo da história.
Admito, não gosto de tocar nesse assunto, mas, para quem vai ler, creio que é um tópico essencial para se saber.

Minhas conclusões são mais otimistas do que as dos outros dois livros, devo admitir. Apesar de seu tom racista, e de problemas de diálogo (bem irreais, de vez em quando), O cavalo e seu menino tem valor. É um bom livro para crianças, que explora tópicos bem especiais, como o de encontrar seu lugar no mundo, embora sofra com tons indesejáveis. Tecnicamente falando, é melhor do que O sobrinho do mago e O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, e isso já é dizer muito.

No momento, estou lendo Príncipe Caspian, a passos de tartaruga, mas estou... Por isso mesmo, preferi postar logo esta pequena análise. Quando eu terminar a leitura dele, estarei fazendo uma análise breve, e assim será, se der tudo certo, até o último livro das Crônicas.
Grato pela atenção, e um ótimo dia pra você!

4 comentários:

  1. Respostas
    1. é verdade é tão ruim que minha prima leu até vomitou

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    2. O livro é tão ruim que eu jugo o livro pelo título e pela capa kkkkkkkkkkkkkkkkk
      kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
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    3. è mesmo O liro e lixo que chega até a feder de tão ruim que é

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