quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Comentário: A verdadeira história de João, o pirralho ladrão, e o pé de feijão

Contos de fada, nos dias de hoje, geralmente são formas de ensinar valores das mais diversas formas às crianças. Pode ser algo mundano e básico, como "obedeça seus pais", ou coisas um tanto mais complexas como "não converse com estranhos".
A estrutura de um conto de fada é simples: início, suspense, clímax e resolução (geralmente na forma de um final feliz).

O que poucos devem saber é que nem sempre foi assim. Contos de fada eram bem mais sombrios e complexos do que as curtas histórias que ouvimos com tanta frequência.
Chapeuzinho Vermelho, os Três Porquinhos, Cinderela, putz, até Branca de Neve, contavam com detalhes tão diferentes, alguns tão cruéis e malvados, que você percebe que a intenção não era ensinar crianças a ter valores, mas assustá-las o suficiente para obrigá-las a tê-los... Ou... Algo nesse nível.

Apesar de todas essas versões originais serem dignas de comentário, vou me limitar a falar apenas da mais recente que descobri, já que foi a que mais me deixou perplexo.
Me refiro à versão original do João e o Pé de Feijão, que, legitimamente, me deixou de boca aberta, não por causa da trama geral (praticamente tudo está no mesmo lugar, só que com algumas adições aqui e ali), mas sim por causa dos motivos de João.


A versão que muitos de nós ouvimos hoje tem a ver com o Gigante sendo um personagem mal e terrível, que aterroriza a todos e é uma péssima companhia simplesmente por ser... No entanto, a história original conta algo muito diferente. No original, o Gigante é um personagem simples e que não faz absolutamente nada de errado para com João, nem com seus familiares e amigos (apesar de ele já ter o hábito de comer pessoas que entrem em seu castelo). A grande questão aqui é o próprio João: um garoto que inventa de trocar uma vaca por feijõezinhos ditos mágicos (é um garoto que acredita em magia, eu sei, mas caramba) e que, quando sobe no dito Pé de Feijão gigante, não só invade a casa do gigante (mais de uma vez na história original) como também rouba um saco de ouro, uma galinha que põe ovos de ouro e uma harpa mágica do Gigante, que morre basicamente por ter tentado defender sua propriedade.

João, seu LADRÃOZINHO!
Me vi em completo choque lendo a história por causa disso. No entanto, não foi preciso muito para eu perceber o que estava havendo de fato. Pelo que entendi, o propósito da história era entreter, e apenas isso. Não havia o desejo de dar uma moral ou querer dar às crianças um modelo. Também, não posso demonizar o garoto, ele morava com uma mãe viúva e pobre, eles tinham dificuldades para sobreviver, e a sorte lhe sorriu oferecendo a ele uma chance de melhorar sua vida. Além disso, lá quando essa história foi escrita pela primeira vez, as crianças não precisavam de um personagem fictício lhes mostrando como estar em conduta com a sociedade: havia vários modelos a se seguir na forma de seus pais e mestres.

Apesar de tudo isso, o texto em si é bem divertido de se ler. Não minto! Não só é bem mais longo do que a história de dois parágrafos que você já deve estar cansado de ouvir, como também é bem mais interessante. Quase um thriller! Ah, e tem uma das melhores rimas que eu já vi, e uma bem popular:

Fee-fi-fo-fum
I smell the blood of an englishman
Be he alive, or be he dead
I'll have his bones to grind my bread.

Vou deixando este link aqui para quem quiser ler a trama. Está em inglês, e eu recomendo a leitura, porque é muito bacana, em especial com os toques da língua inglesa.

Se você curte a história, dê uma olhada em algumas adaptações! A Disney fez um segmento do filme Como é bom se divertir completamente baseado na história, enquanto que a Dreamworks cutucou a história na animação Gato de Botas. Existe também uma mini-série estadunidense que conta uma versão bem diferente, mas interessante do tema, chamada de Jack and the Beanstalk: The real story. Existem bem mais, mas não é preciso citar mais do que isso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário