sexta-feira, 17 de abril de 2015

6 finais horríveis (e convidados)!!!

Você, com certeza, já se pegou lendo um livro, ou jogando, ou assistindo um filme e ficando completamente chocado ou aterrorizado com o que achou no final da história, não é mesmo?

Bem, eu também! E foi pensando nessas coisas que eu me coloquei para fazer mais uma lista, contendo seis finais terríveis de três das principais mídias de entretenimento que têm por aí.

Antes de iniciarmos, eu vou logo explicando que isso não é uma lista de "top 10" ou nada disso. Não escrevi isso aqui pensando em nenhuma ordem específica, apenas escrevi.
Ah, e spoilers... Obvs...

E, com isso fora do caminho, podemos iniciar.


Livros

Amor de perdição (Camilo Castelo Branco)
(Já disponível no Domínio Público se você quiser dar uma olhada)


É claro que vai ter um livro romântico no meio. Livros do Romantismo sempre tem aquele gostinho de "cara, que final sem sal". Então, antes que eu possa ter minha chance de sair xingando o trabalho do bom mestre Castelo Branco, façamos uma breve análise por parte de seu trabalho.


Primeiro de tudo, a profissão de Castelo Branco era, de certa forma, escrever romances. Escrever era o seu ganha pão, e o pobre homem precisava manter aqueles livrinhos indo para as publicações se quisesse comer. Por causa disso, os seus romances acabavam que sendo um tanto repetitivos, seguindo fórmulas e receitas à risca, tornando-se previsíveis e tudo mais. No entanto, vale dizer que ele nunca chegou a um nível de produção industrial como a sra. Patrícia Secco (que já é autora de 200 livros, nada menos).

OK, com isso fora do caminho, podemos conversar sobre Amor de perdição. Sem falar muito, é um livro bacana, sendo um dos que iniciariam uma sucessão de outros semelhantes no catálogo do autor português. Mas, se teve algo que me deixou realmente louco foi o final.

Durante toda a sucessão da obra, temos essa personagem que não para de ser uma tristeza só, Mariana, apaixonada pelo protagonista, Simão, que não corresponde o seu amor (estando ele apaixonado por outra mulher, Teresa). No final disso tudo, o nosso protagonista pede, com todas as letras, que ela pegue as cartas que ele escreveu para sua outra amada e as jogue ao mar quando ele morrer.

Quando ele morre, e é jogado ao mar (por ter morrido num barco, no meio do mar), Mariana, ao invés de jogar a droga das cartas para o oceano, como ele pediu, se joga para afundar junto com o corpo do amado, deixando as cartas sãs e salvas no barco.

MAS QUE COISA MULHER! CUSTAVA CAIR COM A DROGA DAS CARTAS NA MÃO?!?!

Percy Jackson: O Úlltimo Olimpiano (Rick Riordan)


Antes de mais nada, eu sei que Percy Jackson está entre os inúmeros livros atuais que lutam para ser classificados como literatura ou não. Apesar de ser um estudante de letras, apaixonado pelo meu curso e por literatura, não sou daqueles que acha que nenhum dos livros contemporâneos merece ser estudado ou, ao menos taxado como literatura. Na verdade, eu sou daqueles que acha que esses livros deveriam ser mais divulgados e apresentados nas escolas e universidades como material de estudo. Não sei vocês, mas eu acho isso muito mais fácil de ler e acompanhar do que o brilhante, porém complexo Machado de Assis.

De todo jeito, vamos falar sobre o Percy.

Apesar de uns errinhos e momentos estranhos aqui e ali, acho que o autor, Rick Riordan, faz um bom trabalho na narrativa, e todos os cinco livros da série são divertidos, com destaques extra-especiais indo para Mar de Monstros e A Maldição do Titã. No entanto, mesmo com todos esses pontos positivos, não dá pra negar que o final do último livro tem um momento bem anticlimático.


Querendo já anunciar que viria outra série, Riordan não resistiu e jogou um teaser tão sem-vergonha que acaba com todo o tom da história. E isso é uma droga, já que o final do livro se constrói tão bem e tem um progresso muito bacana. Seria muito melhor se fosse mais sutil ou se ele tivesse deixado a nova série um mistério até o seu anúncio propriamente dito.

Menção honrosa: Reunião Sombria (L. J. Smith)

Porque a Elena não ficou morta, SMITH?! POR QUÊÊÊÊÊÊÊÊÊ??????!!!!!!!


Jogos

Assassin's Creed III (Ubisoft)


História engraçada: Assassin's Creed tem uma história confusa e muito mal-colocada. Por mais que os jogos sejam divertidos (muito mesmo), a trama em si é muito cheia de buracos para ser levada a sério, isso e os elementos Sci-Fi ficam muito fora de lugar.

Então, Assassin's Creed III apareceu com uma trama que foi prometida como a que finalizaria a saga de Desmond Miles, o mesmo personagem que acompanhamos desde o primeiro jogo da série.
E aí, mesmo tendo uma boa história para o Connor (que é infinitamente mais tolerável do que o Ezio), e um progresso bem bacana pro Desmond, o jogo ainda tem a audácia não só de matar o Desmond, como também ousa jogar OUTRO cliffhanger na nossa cara. E, antes disso, eles acharam que seria uma boa ideia fazer um diálogo expositório de uns cinco a dez minutos, tudo vindo do nada, e mostrando como a busca toda foi em vão (e ainda sendo arrogantes a ponto de colocar o Desmond como um profeta/messias no meio da coisa toda).

Eu teria conseguido sobreviver se o jogo tivesse terminado do jeito que ficou no começo dos créditos. A morte do Desmond foi um golpe muito baixo, mas dava para aguentar... Mas colocar uma cena no meio dos créditos com um cliffhanger daqueles foi demais...

Infelizmente, vem ficando bem comum essa recorrência de cliffhangers nos jogos hoje em dia, com outros exemplos sendo God of War II e Splatterhouse, e essa é uma prática que, apesar de ter como funcionar em filmes e livros, é simplesmente desprezível em jogos - especialmente em jogos, porque aí, faz eu me sentir roubado.

Ah, e os créditos duram 25 minutos... VINTE. E. CINCO. MINUTOS. E você só vê o final real da história do Connor se aguentar esse tempo todo.
QUE COISA, UBISOFT!

Metroid Other M (Nintendo / Team Ninja)


Minha história com Metroid Other M é quase romântica, e definitivamente seria se a trama toda do jogo não fosse tão bagunçada, fraca e assombrosa. Mas, por mais que o roteiro de Other M tenha mais buracos do que um queijo suíço, ele tem seus bons momentos, prova de que Yoshio Sakamoto tem boa mão para escrever, ele só deu mais tropeços do que acertos dessa vez...

Eu poderia passar horas falando do roteiro do jogo (e não estou exagerando), mas vou cortar isso tudo simplesmente para explorar aquela bagunça de final. Minha principal reclamação, apesar de toda a loucura, de todo o diálogo expositório e de toda aquela descaracterização, é o monólogo final da Samus explicando que a MB era apenas uma vítima das circunstâncias. Me desculpe, mas não era...

O que falha nesse final é que nós nunca temos uma amostra dessa "vítima". Em todo o jogo, a MB ou é irritante ou é chata, soltando VÁRIOS sorrisos cínicos e sarcásticos. Só quando vamos saber o que ela realmente é, lá pros quinze minutos finais, é que eles tentam mostrar isso, mas a falta de tempo e de caracterização os fazem falhar colossalmente.

Pra citar o Autharch of Fire (bom canal do YouTube, a propósito), a MB só fez o que fez (tentar destruir toda a galáxia) porque teve um surto emotivo, e, se você parar pra pensar, faz sentido, mas não justifica, muito menos explica, os objetivos da vilã. Mas, para a Samus (que passa o jogo todo chorando e fazendo monólogos desinteressados), ela tinha motivo pra ficar rebelde.

(Pule para 9:24 no vídeo pra ver o segmento do jogo)



Sr. Sakamoto, se o senhor estiver lendo isso (considerando que alguém achou esse blog e traduziu o que eu escrevi para inglês ou japonês, ou quaisquer outras línguas que o senhor saiba ler), por favor, tente o seu melhor para não repetir os erros deste jogo em um próximo Metroid, sim? Grato! Grande fã seu! Eu ainda amo Super Metroid!!

Filmes

Matrix Revolutions (Warner Bros. Pictures / Roadshow Entertainment)


Talvez não haja muita surpresa por trás do que vou dizer aqui, mas eu acho que a trilogia Matrix é uma excelente experiência. O primeiro filme tinha todo aquele toque filosófico, do tipo que realmente deixa você pensando, e ainda coloca algumas cenas de ação muito, muito boas.

O segundo filme, Matrix Reloaded, não tem os toques filosóficos do primeiro, mas ainda tem cenas de ação incríveis, mesmo que mal polidas às vezes.

No entanto, eu acho que todos vamos concordar que o terceiro filme é... questionável...

Parte disso, creio eu, acontece por conta da conexão que Revolutions tem com Reloaded. Como eles servem de complemento um para o outro, é importante assisti-lo um atrás do outro. Sim, isso significa seis horas de filme direto, mas é a melhor forma de aproveitar: você tem que estar com o filme anterior bem fresco na mente antes de partir para o outro.

Mesmo assim, nada muda o fato de que o final da saga, no geral, deixa muito a desejar. E, nesse caso, eu quero dizer a sequência toda: desde a chegada de Neo à cidade das máquinas até os créditos finais. Se o Deus Ex Machina (sim, esse é o nome real daquele chefão das máquinas) não for o suficiente para você, temos uma luta com o Agente Smith que é tão exagerada que rivaliza os combates de Dragon Ball Z, o que vai contra as lutas lindamente coreografadas e bem boladas dos filmes anteriores. Não há Neodämmerung que o salve.

Existe luz no meio disso tudo, que é a forma como Smith é derrotado, o que mistura um pouco de filosofia e muda um pouco a noção de como um salvador salva o mundo. Mas, logo depois, fica absurdo, com um final tão aberto, que parece que alguém arrombou a porta. Não é o tipo que abusa, nem que faz você se sentir roubado, mas ele cria insatisfação. Eu, ao menos, procurei muito por uma possível cena depois dos créditos, isso atrás de um término, uma conclusão de verdade...

Alerta de spoiler: Não tinha...


Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas (Warner Bros. Pictures / Columbia Pictures)


É possível fazer uma lista gigantesca de sequências que, definitivamente, não precisavam existir, seja porque o filme anterior era fechado demais para isso, ou porque a sequência em si faz muito pouco, ou nada, para ficar no nível do legado do anterior. Exterminador do Futuro 3 é o caso do último, só que ele consegue ser pior.

O filme, em si, é um verdadeiro abuso, jogando fora toda a mensagem do anterior, e demonstrando que as pessoas não têm como mudar o seu destino, isso cabe aos maiorais se entrar muito dinheiro de bilheteria.

O ápice disso tudo é justamente o final, onde somos todos enganados, achando que vai haver salvação no final das contas, só para que, na verdade, tudo seja uma desculpinha para iniciar a guerra entre humanos e máquinas... Isso foi um grande tapa na cara de qualquer fã dos dois filmes anteriores, e esse final simplesmente abriu espaço para mais sequências... Uma bagunça que o filme seguinte, ironicamente chamado de Salvação, teve que limpar.


Menção honrosa: G.I. Joe: A origem de cobra (Paramount Pictures)

Tipo, porque a Baronesa não morre? Ou é presa? Ou foge? E porque aquele final é tão infantil e sem graça? Caramba...

Ah, e ainda tem cliffhanger esse... The nerve...


Menção honrosa: Bambi (Walt Disney Productions / RKO Radio Pictures)

Você não passa de adorável e fofo para badass em apenas cinco minutos, Bambi... Não passa!


E esses foram seis finais horríveis (com uns a mais só pelo bônus). Que outros finais deixaram você triste por todas as razões erradas? Deixe aí uma lista dos que você detesta.

Até a próxima postagem!

Como uma ironia do destino, tenho a impressão de que esse foi um final terrível para a postagem... OH WELL!

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