domingo, 20 de julho de 2014

Pocahontas (1995)

É interessante como o mundo tem problemas com adaptações livres. Se você pega um material original e altera aqui ou ali (ou em qualquer lugar, na verdade), você imediatamente sofre problemas e passa a ser criticado pela maioria das pessoas do mundo.

O problema é que existem adaptações livres muito boas, e é de uma delas que vamos falar aqui.


Eu não conheço a versão original da lenda de Pocahontas, mas consigo ver quais foram as alterações feitas para o filme da Disney, assim como entendo seu porque.

Ambientado no território o qual seriam as Treze Colônias anos depois, o filme conta a história da indígena Pocahontas e de quando surgiram os primeiros colonizadores ingleses.
Por ser um filme de família, da Disney, ainda por cima, não se pode esperar que esse seja um daqueles filmes historicamente corretos. É verdade que os indígenas são retratados de forma BEM incorreta? Sim. É verdade que os colonizadores são mostrados bem mais gentis e tolerantes? Sim.
Mas, esse filme não é feito pra ser historicamente correto. Caraca, tem um guaxinim e um beija-flor que ficam sorrindo, se comunicam entre si, e sendo alívio cômico! Não é pra levar esse filme a sério!

Bom, com isso fora do caminho, vamos ver o que pode ser dito.
Os personagens do filme são bons e tudo, mas eu não os acho relacionáveis. A grande questão aqui é Pocahontas e o inglês John Smith (é difícil aparecer com um nome mais inglês que esse). Seus personagens são tolerantes e mente-aberta demais... São dois exemplares perfeitos e sem falhas de ser humano, praticamente, então é difícil achá-los interessantes o suficiente. Mas, devo lembrar, ainda são bons personagens.

Por mais estranho que isso vá soar, a trilha sonora faz uma parte grande do filme. Algumas cenas ficam fantásticas graças à música de fundo. Obviamente que as músicas cantadas também tem sua importância. Inclusive, não existe muito de músicas "divertidas" ou algo assim. Elas parecem estar para o lado mais dramático da coisa, servindo para desenvolver personagens.

Uma coisa que esqueci de mencionar quando falei de O Rei Leão é de que a própria mãe-natureza parecia ser uma personagem própria. Nesse filme, ela não se mostra presente dessa forma, o que forma um contraste interessante.

A direção artística desse filme é quase impecável. Ela praticamente cria o tom e as cenas mais memoráveis do filme inteiro. Somada com a trilha sonora, você tem um par perfeito, e o resultado são cenas incríveis.
Algumas são bem ousadas, mostrando o principal "vilão" do filme (que praticamente nunca entra em confronto direto com nenhum dos protagonistas) sorrindo e segurando a bandeira da Inglaterra. Dá pra entender pelo contexto, mas, ainda assim, é um movimento bem... ousado...

Eu só gostaria de falar também da forma como Pocahontas vê o mundo, e de como ela se guia através do vento. Essas cenas, também, são muito bacanas, e adicionam ao charme e ao carisma do filme.

Ah, e tem várias referências a águias nesse filme. Deixo você perceber o por quê sozinho.

Enquanto que esse filme fala dos homens de alma ruim, maléficos e sem coração, assim de como todas as nossas diferenças podem ser resolvidas apenas com o diálogo, o próximo tenta mudar um pouco as coisas. Ele vai mostrar que o que realmente importa é o coração, e não as aparências.

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