segunda-feira, 21 de julho de 2014

Mulan (1998)

Há muito mais para um país do que só o rei e a rainha. Existem momentos de conflito em toda a história da humanidade, e, apesar de ser um tema até clichê (considerando a quantidade de exemplares em diversas mídias que trabalham isso), ainda assim é uma raridade em certos momentos.


A primeira vez que o assunto de guerra aberta foi tocado pela Disney foi em Mulan, a história de uma jovem chinesa que, querendo salvar a vida de seu pai, foge de casa e se alista no exército para enfrentar os hunos.

Esse filme tenta trazer de volta o drama que permeava O Corcunda de Notre Dame, mas, ao mesmo tempo, procura manter um nível adequado de comédia. É um equilíbrio feliz, e cria um ritmo bem agradável. Nada parece muito apressado, nem lento demais.
Inclusive, a atmosfera é bem pesada, com o vilão do filme, o líder huno Shan-Yu, estando no centro do arco sombrio. As cenas em que ele aparece são todas escuras, com o som de tambores sendo tocados em um ritmo lento, e sempre algo de ruim acontece com ele por perto.

A maior parte do filme foca mesmo na heroína Mulan. Por conta disso, as cenas em que ela aparece são boas e ruins. Quando digo "ruins", digo no sentido de constrangedoras. Como ela tenta ser um homem para manter seu disfarce no exército, ela sempre acaba fazendo tudo errado, e sempre soa de forma embaraçosa. No entanto, quando ela não está mantendo disfarce, ou não está agindo completamente de acordo com seu disfarce, a personagem brilha.
Apesar de ela ser um estereótipo de atrapalhada que não acha seu lugar no mundo, ela tem um desenvolvimento excepcional, e, com o passar do tempo, os constrangimentos somem, e resta apenas o brilho.

Isso vale para todos os personagens, que mostram um crescimento notável com o passar do filme. Os poucos que não tem crescimento são muito bem apresentados, e mostram que não há necessidade disso.

A trilha sonora tenta capturar a atmosfera da antiga China, utilizando-se daquele mesmo estilo musical que todos nós já conhecemos de maneira ou de outra. A diferença é que ele é somado com o rufar de tambores, dando também um clima de guerra.

O tema de guerra é distante por boa parte do filme, mas tem presença como aquele mal no horizonte, mesmo não sendo um perigo imediato. Quando ele, de fato, surge, a tensão sobe um pouco, e, apesar de não existir muitas batalhas diretas, ainda são cenas bem épicas.

Mulan se aproxima mais do estilo trazido pelo Corcunda de Notre Dame, com o drama em primeiro lugar e uma temática bem séria, mas não se afasta completamente de Hércules. Isso permite que o filme tenha uma identidade própria, e o torna ainda mais recomendável.

Ah, sim! É esse também o primeiro filme da nossa lista, praticamente, em que a protagonista feminina além de não precisar de um homem para salvar o dia, acaba salvando a vida dele E do pais inteiro que ela mora. Então, é, respeitem esse aqui!

Vamos aproveitar o tópico de lendas e saiamos da China agora... Chegou a hora de ver como um homem, criado por gorilas, consegue conquistar qualquer obstáculo.

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