terça-feira, 22 de julho de 2014

Dinossauro (2000)

E chegou o novo milênio! O ano 2000! Onde tudo era pra ser tão futurístico! Bom... Não foi bem assim, mas, ei, o que contava era a intenção.
E que forma melhor de dizer olá para os anos 2000 do que um filme em CG falando de... Dinossauros? OK...


Eu sou um grande fã de dinossauros. Sério mesmo. Apesar de saber que eu os odiaria se eles ainda estivessem por aí, sempre tive muito fascínio pelos grandões. Então, quando eu soube que Dinossauro chegaria aos cinemas, eu pirei. Seria aquele filme incrível, maravilhoso e... Bom, não foi bem assim...

Desde muito cedo eu tenho problemas com esse filme, e ao reassisti-lo para o bem dessa curta resenha, eu percebi tudo o que eu lembrava de ruim voltando. Vamos dar uma olhada nos pontos fracos para analisar os fortes.

O conceito de computação gráfica ficou bem popular nos anos 90, explodindo em diversos filmes, e, praticamente desde o começo, seu uso é uma polêmica. Muita gente reclama de CG em filmes, mas eu, pessoalmente, não tenho o menor problema, desde que seja bem feita e bem executada.
Inclusive, houve o uso de CG em filmes da Disney durante os anos 90, tais como O Corcunda de Notre Dame e Tarzan, mas era tudo bem sutil.

O grande problema desse filme é que todos os personagens são criados por CG. O truque é que os panos de fundo são todos reais e gravados, além de outros elementos. A questão é que apenas os personagens são computadorizados.
Apesar de serem modelos excelentes para a época (putz, ainda são muito bonitos hoje), eles acabam entrando em contraste sério com os fundos reais, o que permite mostrar à audiência que eles nem estão mesmo lá. Esse problema é especialmente notável durante a introdução do filme, mas fica mais sutil quando a trama progride (embora ainda seja notável de todo jeito). Dá a ideia de que é algo que não envelheceu bem... Talvez tenha sido por conta do limite tecnológico da época, mas a questão é que não dá pra esconder. Podia ter sido lindo em 2000, mas, hoje, o contraste acaba sendo alto demais...

A trama em si (que, no final das contas, pesa mais) tem um foco bem grande no drama, e, em teoria, tem um conceito bem interessante. Temos aqui uma menção à queda dos meteoros que iniciaram a extinção dos dinossauros, e praticamente toda a história mostra um bando sobrevivente partindo para um lugar chamado "Área dos Ninhos". Não é exatamente uma trama original, mas não deixa de ser interessante.

Para mim, o grande problema desse filme são os personagens, no caso, os que falam... Eles vivem em extremos: ou são bonzinhos demais, ou são cruéis demais...
O caso do Iguanodon Aladar é exatamente esse: ele é um cara bacana... Bacana até demais... Tão bacana, que dá raiva. Lembra o problema de Pocahontas, que eram os personagens perfeitinhos, mas, aqui, ele é bom demais, camarada demais, e, apesar de ser algo compreensível no começo, fica cansativo logo.

O "vilão", Kron, é o contrário. Ele é a definição de cretino, e de fascista também. É sempre sobre a sobrevivência do mais forte, um grande f*$#-se pros fracos e ele é o bonzão e é isso aí.

Isso torna os personagens muito irreais e difíceis de se relacionar. E, sim, eu sei que isso é um filme familiar com dinossauros falantes, mas eu não estaria dando tanto destaque se eles não tivessem dado a cada um desses personagens falantes tantas expressões. Eles são todos bem expressivos, com os olhos, as bocas e tudo mais (o que, a propósito, é um ponto positivo pros responsáveis pelas animações).

O grande destaque dessa bagunça são os dinos não-falantes, leia-se: aqueles presentes no número introdutório e os carnívoros. Em especial, os carnotauros.


Apesar de não estarem no tamanho real (aparentemente eles eram bem menores do que são retratados no filme), eles estão dentre os mais realistas do filme inteiro, e talvez seja por isso que sejam tão interessantes. As cenas deles sempre tem aquele toque necessário de suspense, mesmo que seja pouco. Lembram até cenas da trilogia Jurassic Park, pra ser honesto. Eles são bem-vindos ao filme, ainda mais com tantos personagens exagerados.

Um elogio que eu sou obrigado a dar aqui é à trilha sonora: ela é magnífica. As músicas são todas muito boas e, surpreendentemente, memoráveis também.

Pra fechar, Dinossauro não envelheceu muito bem... Eu achava o filme exagerado praticamente desde a primeira vez que o vi, e pouca coisa mudou desde então... Eu honestamente acho difícil de recomendar, mas se você tá interessado em ver, vai em frente. Pelo menos eles se esforçaram mais com os visuais.

OK, depois dessa, vamos direto para uma mudança de ritmo completa, e retornamos às animações tradicionais. Tudo vai começar com o imperador mais egoísta do mundo.

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