quarta-feira, 30 de julho de 2014

Irmão Urso (2003)

A década não tinha sido muito generosa com a Disney... Atlantis e Planeta do Tesouro haviam sido completos fracassos financeiros, e o mundo parecia muito mais interessado nas animações feitas em 3D, que estavam chamando muito mais atenção no momento.


Na época em que Irmão Urso saiu, existiam rumores de que filmes de animações tradicionais estavam em extinção. Quando eu vi o trailer desse filme, admito que fiquei muito aliviado. Por mais estranho que possa soar, a ideia de filmes em animação sendo apenas em 3D partia meu coração (ainda parte, na verdade). Mas aí rola a pergunta. Essa nova empreitada da Disney era boa? Honestamente, depende de quem vê.

Minhas impressões pessoais não são exatamente positivas, também... Ou esse era o caso de antes de eu reassistir o filme para essa resenha. Apesar de eu não achar mais o filme ruim, não posso dizer que o acho interessante. Esse é um dos raros casos em que o começo e o final são excelentes, embora o meio seja um tanto questionável.

A trama do filme não é exatamente original, tratando-se do tema de alguém que passa a ver o mundo com os olhos daqueles que odeia, mas é bem escrita e bem desenvolvida, bem ajudada pelos personagens. O ritmo em si é agradável também, embora sofra de altos e baixos.
Os baixos são mais visíveis no meio do filme, com algumas cenas um tanto desnecessárias, e outras embaraçosas até. Dependendo de quem assiste, essas cenas podem ser boas ou ruins.
Os pontos altos do filme são mais fáceis de achar nos vinte minutos iniciais e nos momentos finais do filme; não superam as cenas boas de filmes anteriores, mas ainda são boas por conta própria.

Em termos visuais, o filme é muito bonito. Irmão Urso volta às origens, e faz um uso mais sutil de CG. A animação tradicional é predominante, e o resultado é bonito, colorido e interessante. Além disso, os cenários também são bem memoráveis.

A trilha sonora, por outro lado, não é... Apesar de ser bem produzida e bem apropriada, a trilha de fundo não chama muita atenção e apenas faz a sua parte, sem se destacar mais. O mesmo vale para as músicas cantadas. Apenas a segunda música do filme é marcante, mas as demais são mais fracas, e um pouco desnecessárias até... Talvez fosse melhor se tivessem mantido apenas uma.

Mesmo com suas falhas, Irmão Urso é um bom filme. Não consigo deixar de pensar que sou uma das poucas pessoas que não gosta muito dele, então digo para dar uma olhada e ver o que acha. Você pode rir, ou chorar...

Falando nisso, o filme também tem alguns momentos de comédia! Se esse é o seu gênero, fique feliz, pois o próximo da lista vai ser bacana. Teremos um cavalo pirado, um ladrão-artista procurado e, é claro, vacas caçadoras de recompensa.

domingo, 27 de julho de 2014

Planeta do Tesouro (2002)

Chegamos ao último filme da "trilogia Sci-Fi" da Disney. Apesar de eu concordar que os filmes antes desse são ótimos, esse aqui é, em minha humilde opinião, o melhor filme dos três, e o melhor desde Tarzan.


Planeta do Tesouro é uma releitura do clássico "Ilha do Tesouro", e mistura elementos das histórias de piratas com ficção científica. Esse também é o primeiro filme dessa lista (que vem à minha memória, no caso) que trás um protagonista adolescente e que age como tal.

Querendo seguir mais os passos dos "reis do drama" da Disney, como o Corcunda de Notre Dame, Tarzan e Atlantis, o foco desse filme está todo no drama, e sua grande mensagem é a de que todos tem uma forma de perseguir um sonho.

O ponto mais forte do longa são seus personagens, que são incrivelmente tridimensionais. No caso, o que mais chama atenção é o fato de que cada um (com algumas exceções) tem doses naturais de ganância, senso de justiça, disposição e vontade de ser aceito. Os melhores exemplos disso são os personagens Jim e Silver. Apesar de serem muito parecidos em termos de personalidade (o que acaba sendo importante para a trama geral), ambos os personagens buscam o chamado "planeta do tesouro" por motivos completamente diferentes. Não direi muito, mas os motivos são ambos justificados e, apesar de serem clichés, são bem executados.
Os demais personagens do filme são também excelentes, e todos funcionam bem para a carga de drama que quer ser passada. Não direi que não existe o alívio cômico, mas o mesmo surge apenas em alguns momentos, e todos são bem apropriados.

O universo do filme é muito bem representado. Como eu disse antes, é uma mistura do universo das histórias de piratas com o estilo Sci-Fi, e ficou ótimo. Troque os oceanos pelo espaço sideral e os ventos por energia "solar", além de pessoas normais por diversas raças alienígenas, e PIMBA, fica tudo certo. Isso cria certa variedade, dá uma identidade única ao filme, e, por isso, funciona. Os efeitos também são excelentes, com vários usos em CG, mas todos bem feitos.

Se tivesse um ponto no filme que eu não gosto é mais a forma como ele começa. Sua introdução, apesar de dar uma ideia de como aquele mundo funciona, não corresponde ao ritmo do resto do filme, que é bem sério em termos gerais.
Fora sua introdução, todo o resto é maravilhoso.

O mesmo vale para a trilha sonora. A única música com letra do filme é "I'm still here", e é simplesmente excelente. A trilha de fundo também faz um trabalho espetacular, e ajuda muito na atmosfera já bem executada.

Planeta do Tesouro é um filmaço, um dos melhores dessa nova década, e está nos meus dez favoritos da lista no geral. Seu ritmo é ótimo, a trilha sonora é fantástica, os personagens são tridimensionais, a trama é muito bem traduzida e praticamente tudo é ótimo. Assista quando tiver chance. É excelente.

Se você cansou dos temas futuristas ou de ficção científica, relaxe. O próximo da lista volta um pouco para as raízes do estúdio, e mostrará a um caçador o mundo pelos olhos da caça.

sábado, 26 de julho de 2014

Lilo & Stitch (2002)

Chris Sanders teve uma das ideias mais lucrativas para a Disney em uma década tão difícil como a que seria essa. Por causa disso, espero, pelo menos, que ele tenha ganhado um vale-lanche.


É difícil pensar em Lilo & Stitch hoje em dia sem relacionar com a enorme franquia. Apesar de ter gerado umas três sequências e uma série de TV, o que mais brilha em tudo é, sem dúvidas, o filme lançado em 2002.

Mais uma vez, existe o apelo ao Sci-Fi, que fica bem óbvio logo na introdução, com espaço-naves, uma batalha estelar e um fugitivo mais fofo do que deveria ser. No caso, somos introduzidos ao protagonista Stitch, um dos nomes mais populares dentro do estúdio. Apesar de sua aparência, ele é um criminoso perigosíssimo, uma ameaça à sociedade intergaláctica, primeira vez que temos algo assim como nosso protagonista, né?
Enquanto existe esse lado fantasioso, boa parte da trama se foca em uma das ilhas do Havaí. O mundo aqui é exatamente como o nosso, e se apega muito a esse realismo. Os personagens desse lado são todos bem humanos, e existem diversos conflitos entre eles.

Inclusive, não existe a ideia de "bem ou mal" no filme. O ponto principal é mais a questão de qual propósito você dá à sua vida. Tudo é mostrado com muita sutileza, já que a trama, por si só, é excelente.
Apesar do tema havaiano, não espere muita coisa de "hoolas" ou coisa assim. Não existe o apego a estereótipos, o que é ótimo.

Mais uma vez, não existem músicas cantadas em momento algum; as emoções típicas delas são perfeitamente traduzidas com a trilha sonora original, que cabe perfeitamente com o estilo de Sci-Fi e ilha tropical.
Finalmente, o ritmo do filme em si é maravilhoso. Ele se move e explica tudo com rapidez, e tranquilidade. Praticamente todas as cenas tem uma importância maior.

Lilo & Stitch é espetacular, genial, maravilhoso, e vale mais do que a pena assistir.

Continuemos com o tema de Sci-Fi. Na verdade, vamos extrapolar desse tema no próximo filme, que é uma excelente releitura de um clássico sobre navios, piratas e um tesouro maior do que qualquer um pode imaginar.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Atlantis: O Reino Perdido (2001)

Disney fazendo filme sobre escavações, ganância, Sci-Fi e uma civilização perdida? Onde eu assisto?!


Ainda não sei bem o que tinha na cabeça dos produtores quando a ideia desse filme foi aprovada. Aliás, a ideia de marketing mesmo. Se você olhasse os pôsteres da época, parecia que Atlantis: O Reino Perdido era um filme sombrio, daqueles que nós, moleques de oito anos não eram capazes de compreender.
A verdade é que é um pouco diferente disso.

Baseado no antigo mito da cidade perdida de Atlântida, o filme conta a história de como um grupo foi capaz de achar a cidade lendária, e do que aconteceu quando eles chegaram lá.
Um dos pontos que mais chamam atenção é que a trama geral é uma das mais realistas já feitas pela Disney. Todos os personagens tem uma profissão, um sobrenome e têm limites "reais". Eles também contam com histórias de fundo e motivos diferentes de algo completamente nobre ou coisa do tipo.
Todos eles são bem humanizados, e isso deixa cada um deles bem relacionável e mais interessante.

O roteiro do filme é excelente, mas comete alguns deslizes vez ou outra. Existem vários momentos bem dramáticos, por exemplo, e alguns deles não sofrem uma transição muito boa para partes menos tensas, o que acaba deixando tudo um pouco inapropriado.

Apesar disso, é inegável como o filme se apega à ideia de detalhes, e não só no que se diz aos personagens. A arte é espetacular, com cada novo lugar sendo mostrado com muito cuidado. Por conta disso, e do fato de esse ser um mundo que a audiência não está acostumada a ver, existem várias cenas panorâmicas, mostrando mais. A animação em si também é detalhada, com pequenos detalhes, como roupas e músculos se movendo de acordo com o movimento.
A cinematografia também é excelente, com várias cenas em ângulos tão bons... Também existe um equilíbrio saudável entre animação e o uso de CG, tão saudável que parece natural.
Em outras palavras, é de encher os olhos.

A trilha sonora do filme também é boa, e perfeitamente encaixável no que o filme tem. Não existem músicas cantadas de nenhuma forma, também. Eu, pelo menos, acho que a falta delas é boa aqui, já que não combinaria muito com o tom.

Apesar de ter sido um relativo fracasso financeiro, Atlantis é um filme excelente, e que vale a assistida.

Você está gostando do tema de Sci-Fi? Ótimo, porque esse será o foco por um tempo. Inclusive, soube de uma história de um alienígena caindo no Havaí. Isso deveria ser um filme...

quarta-feira, 23 de julho de 2014

A Nova Onda do Imperador (2000)

E depois de um filme mais dramático do que peça de teatro, nada mais apropriado do que uma comédia que só não é mais engraçada por falta de espaço.


A Nova Onda do Imperador segue uma filosofia simples: faça ele rir mesmo numa cena triste. O que mais chama atenção nesse filme é a forma curiosa usada para os personagens e seu roteiro tão exagerado que é bom.

Nesta trama, somos apresentados ao imperador Kuzco, o governante mesquinho e egoísta do império Inca. Depois de uma breve introdução (na voz dele próprio), o filme não demora para mostrar que, se existe um babaca no mundo da Disney, esse é o Kuzco. Sua vida de mimos, somada com o poder que ele tem nas mãos, formaram o imperador dos manés. Além disso, ele está em sua adolescência, piorando praticamente tudo. E, sim, ele é um ótimo personagem, justamente por causa disso. Essas características negativas formam alguém bem real, coisa que Dinossauro não soube fazer.
O melhor é que, no decorrer do filme, sua personalidade vai alterando devagar, e de forma bem clara, mas sem ser apressada.

Os vilões do filme são tão geniais que dói. Primeiro, nós temos Yzma, a conselheira imperial, e segunda principal fonte de piadas do filme inteiro. Descrita como "mais feia que briga de foice", ela é extremamente cruel e quer governar o império. A única razão para ela não conseguir é o segundo vilão.
Kronk é o seu personagem grandão e idiota, praxe em filmes do gênero, mas ele é tão bem executado que não perde pontos por isso.

Na verdade, o filme todo é bem executado. Ele é uma comédia, e não tem medo de mostrar isso. Ele é engraçado quando quer ser engraçado, a trama em si é bem bolada pacas (com várias frases bem marcantes), e, obviamente, é um divertimento grande.
Não tenho muito mais do que falar sobre ele, então fica aqui a recomendação: assista, é bacana.

OK, qual o próximo da lista? Pelo que estou vendo aqui... Tem algo a ver com uma cidade perdida e água pra caramba.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Dinossauro (2000)

E chegou o novo milênio! O ano 2000! Onde tudo era pra ser tão futurístico! Bom... Não foi bem assim, mas, ei, o que contava era a intenção.
E que forma melhor de dizer olá para os anos 2000 do que um filme em CG falando de... Dinossauros? OK...


Eu sou um grande fã de dinossauros. Sério mesmo. Apesar de saber que eu os odiaria se eles ainda estivessem por aí, sempre tive muito fascínio pelos grandões. Então, quando eu soube que Dinossauro chegaria aos cinemas, eu pirei. Seria aquele filme incrível, maravilhoso e... Bom, não foi bem assim...

Desde muito cedo eu tenho problemas com esse filme, e ao reassisti-lo para o bem dessa curta resenha, eu percebi tudo o que eu lembrava de ruim voltando. Vamos dar uma olhada nos pontos fracos para analisar os fortes.

O conceito de computação gráfica ficou bem popular nos anos 90, explodindo em diversos filmes, e, praticamente desde o começo, seu uso é uma polêmica. Muita gente reclama de CG em filmes, mas eu, pessoalmente, não tenho o menor problema, desde que seja bem feita e bem executada.
Inclusive, houve o uso de CG em filmes da Disney durante os anos 90, tais como O Corcunda de Notre Dame e Tarzan, mas era tudo bem sutil.

O grande problema desse filme é que todos os personagens são criados por CG. O truque é que os panos de fundo são todos reais e gravados, além de outros elementos. A questão é que apenas os personagens são computadorizados.
Apesar de serem modelos excelentes para a época (putz, ainda são muito bonitos hoje), eles acabam entrando em contraste sério com os fundos reais, o que permite mostrar à audiência que eles nem estão mesmo lá. Esse problema é especialmente notável durante a introdução do filme, mas fica mais sutil quando a trama progride (embora ainda seja notável de todo jeito). Dá a ideia de que é algo que não envelheceu bem... Talvez tenha sido por conta do limite tecnológico da época, mas a questão é que não dá pra esconder. Podia ter sido lindo em 2000, mas, hoje, o contraste acaba sendo alto demais...

A trama em si (que, no final das contas, pesa mais) tem um foco bem grande no drama, e, em teoria, tem um conceito bem interessante. Temos aqui uma menção à queda dos meteoros que iniciaram a extinção dos dinossauros, e praticamente toda a história mostra um bando sobrevivente partindo para um lugar chamado "Área dos Ninhos". Não é exatamente uma trama original, mas não deixa de ser interessante.

Para mim, o grande problema desse filme são os personagens, no caso, os que falam... Eles vivem em extremos: ou são bonzinhos demais, ou são cruéis demais...
O caso do Iguanodon Aladar é exatamente esse: ele é um cara bacana... Bacana até demais... Tão bacana, que dá raiva. Lembra o problema de Pocahontas, que eram os personagens perfeitinhos, mas, aqui, ele é bom demais, camarada demais, e, apesar de ser algo compreensível no começo, fica cansativo logo.

O "vilão", Kron, é o contrário. Ele é a definição de cretino, e de fascista também. É sempre sobre a sobrevivência do mais forte, um grande f*$#-se pros fracos e ele é o bonzão e é isso aí.

Isso torna os personagens muito irreais e difíceis de se relacionar. E, sim, eu sei que isso é um filme familiar com dinossauros falantes, mas eu não estaria dando tanto destaque se eles não tivessem dado a cada um desses personagens falantes tantas expressões. Eles são todos bem expressivos, com os olhos, as bocas e tudo mais (o que, a propósito, é um ponto positivo pros responsáveis pelas animações).

O grande destaque dessa bagunça são os dinos não-falantes, leia-se: aqueles presentes no número introdutório e os carnívoros. Em especial, os carnotauros.


Apesar de não estarem no tamanho real (aparentemente eles eram bem menores do que são retratados no filme), eles estão dentre os mais realistas do filme inteiro, e talvez seja por isso que sejam tão interessantes. As cenas deles sempre tem aquele toque necessário de suspense, mesmo que seja pouco. Lembram até cenas da trilogia Jurassic Park, pra ser honesto. Eles são bem-vindos ao filme, ainda mais com tantos personagens exagerados.

Um elogio que eu sou obrigado a dar aqui é à trilha sonora: ela é magnífica. As músicas são todas muito boas e, surpreendentemente, memoráveis também.

Pra fechar, Dinossauro não envelheceu muito bem... Eu achava o filme exagerado praticamente desde a primeira vez que o vi, e pouca coisa mudou desde então... Eu honestamente acho difícil de recomendar, mas se você tá interessado em ver, vai em frente. Pelo menos eles se esforçaram mais com os visuais.

OK, depois dessa, vamos direto para uma mudança de ritmo completa, e retornamos às animações tradicionais. Tudo vai começar com o imperador mais egoísta do mundo.

Fantasia 2000 (1999)

Eu havia me esquecido completamente que esse filme existia nos últimos dias. Talvez por conta do ritmo constante de filmes que a Disney foi lançado nos anos 90 (praticamente um por ano), ou simplesmente porque eu queria pular logo para o novo milênio...
De todo jeito, aqui está o próximo filme da nossa lista. O último no estilo de concerto feito pela Disney até hoje. Com vocês... Fantasia 2000.


Assim como o primeiro Fantasia, há muito pouco o que eu posso dizer sobre esse aqui, já que a essência do filme (e praticamente todo o resto) não pode ser simplesmente explicado; tem de ser vivenciado. Mas há algumas coisas que eu posso mencionar.

Primeiramente, o fato de esse filme se levar muito menos a sério do que o primeiro. Ele está aberto a piadinhas, momentos cômicos e até os momentos animados são mais leves em tom, e com o simbolismo um pouco mais sereno.

Existem aparições de algumas celebridades, como o ator Steven Martin e os comediantes Penn e Teller. Eles explicam um pouco sobre as cenas seguintes e dão uma noção de como foi chegado àquilo. Essas transições, por incrível que pareça, são bem divertidas e, de tudo o que acontece, tirarão mais risadas.

Minha grande reclamação é a reutilização de "O Aprendiz de Feiticeiro", que estreou no Fantasia original. Por mais que eu goste do curta e veja o porque de ele ser usado, ainda me pareceu um golpe um tanto baixo.

Não há muito mais o que falar. As composições do filme são todas clássicas, e as interpretações são muito boas também.
É um bom filme, mas eu não recomendo para alguém que queira uma animação mais direta, com enredo e tudo mais. Se você estiver aberto a algo no estilo do original, dê uma olhada nesse, talvez ache bacana.
Ah, e antes que alguém pergunte, é uma sequência digna, e eu acharia bacana pacas um Fantasia 3 de alguma forma. Quem sabe daqui a uns cinquenta anos?

Bom, agora sim, vamos entrar no novo milênio, e ver mais sobre os habitantes gigantes da Terra.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Tarzan (1999)


Não tinha sido ainda explorada a ideia de como um homem pode se adaptar ao ambiente em que ele vive antes de Tarzan. Esse filme não só trabalha com isso, como também passa a mensagem de aceitação própria.

A trama de Tarzan, geralmente chamado afora como o Rei dos Macacos, conta sua história de vida, desde o acidente que levou seus pais a se esconder na selva, até o dia em que teve que se provar como o líder do grupo de gorilas.

A forma como o personagem é caracterizado é interessante, e lembra um pouco o tema de "pessoa que não acha seu lugar mundo". A grande diferença é que Tarzan acredita saber onde é o seu lugar, e tenta fazer o melhor que pode para se encaixar lá.
Os demais personagens do filme também são muito bem pensados e, sem exceção, todos eles são desenvolvidos.

O que chama atenção no filme é seu ritmo energético, com músicas com o estilo selvagem, e animações que permitem cenas com mais velocidade e mais dinâmicas. Esse é um filme muito bonito, e todo o esforço pode ser visto só pela tela. Os planos de fundo são magníficos e os próprios personagens são bem desenhados e bem animados.

O foco volta a ser o drama, bem mais presente dessa vez, mas não com aquele clima pesado d'O Corcunda de Notre Dame. Num geral, temos um filme mais leve, menos tenso, mas que sabe ser dramático também, e se manuseia bem assim.

O desenvolvimento da trama é muito agradável e faz algo que não tinha a algum tempo, que seria a separação da história em dois arcos. Ambos estão relacionados, e a transição é muito sutil. Apesar de haver essa mudança no foco da história, o filme não se mostra dividido nem nada, mas sim bem completinho.

As cenas de ação são, de novo, dinâmicas e espetaculares de olhar. Isso graças à animação e às reações de cada personagem. A luta de Tarzan com a leopardo Sabor é incrível, estando dentre os pontos mais altos do longa.

A trilha sonora, por sua vez, é energizante e combina tão bem com tudo o que é mostrado, que é difícil imaginar algo diferente.

Tarzan é um filme e tanto. Tudo nele é espetacular, e merece ser assistido.

Fechamos aqui o século XX! Hora de entrar num novo milênio! E que forma melhor do que apresentar o futuro recriando o passado? Sim, vamos mudar o clima geral e voltar milhões de anos para o passado, para a época em que algo bem maior governava a Terra.

Mulan (1998)

Há muito mais para um país do que só o rei e a rainha. Existem momentos de conflito em toda a história da humanidade, e, apesar de ser um tema até clichê (considerando a quantidade de exemplares em diversas mídias que trabalham isso), ainda assim é uma raridade em certos momentos.


A primeira vez que o assunto de guerra aberta foi tocado pela Disney foi em Mulan, a história de uma jovem chinesa que, querendo salvar a vida de seu pai, foge de casa e se alista no exército para enfrentar os hunos.

Esse filme tenta trazer de volta o drama que permeava O Corcunda de Notre Dame, mas, ao mesmo tempo, procura manter um nível adequado de comédia. É um equilíbrio feliz, e cria um ritmo bem agradável. Nada parece muito apressado, nem lento demais.
Inclusive, a atmosfera é bem pesada, com o vilão do filme, o líder huno Shan-Yu, estando no centro do arco sombrio. As cenas em que ele aparece são todas escuras, com o som de tambores sendo tocados em um ritmo lento, e sempre algo de ruim acontece com ele por perto.

A maior parte do filme foca mesmo na heroína Mulan. Por conta disso, as cenas em que ela aparece são boas e ruins. Quando digo "ruins", digo no sentido de constrangedoras. Como ela tenta ser um homem para manter seu disfarce no exército, ela sempre acaba fazendo tudo errado, e sempre soa de forma embaraçosa. No entanto, quando ela não está mantendo disfarce, ou não está agindo completamente de acordo com seu disfarce, a personagem brilha.
Apesar de ela ser um estereótipo de atrapalhada que não acha seu lugar no mundo, ela tem um desenvolvimento excepcional, e, com o passar do tempo, os constrangimentos somem, e resta apenas o brilho.

Isso vale para todos os personagens, que mostram um crescimento notável com o passar do filme. Os poucos que não tem crescimento são muito bem apresentados, e mostram que não há necessidade disso.

A trilha sonora tenta capturar a atmosfera da antiga China, utilizando-se daquele mesmo estilo musical que todos nós já conhecemos de maneira ou de outra. A diferença é que ele é somado com o rufar de tambores, dando também um clima de guerra.

O tema de guerra é distante por boa parte do filme, mas tem presença como aquele mal no horizonte, mesmo não sendo um perigo imediato. Quando ele, de fato, surge, a tensão sobe um pouco, e, apesar de não existir muitas batalhas diretas, ainda são cenas bem épicas.

Mulan se aproxima mais do estilo trazido pelo Corcunda de Notre Dame, com o drama em primeiro lugar e uma temática bem séria, mas não se afasta completamente de Hércules. Isso permite que o filme tenha uma identidade própria, e o torna ainda mais recomendável.

Ah, sim! É esse também o primeiro filme da nossa lista, praticamente, em que a protagonista feminina além de não precisar de um homem para salvar o dia, acaba salvando a vida dele E do pais inteiro que ela mora. Então, é, respeitem esse aqui!

Vamos aproveitar o tópico de lendas e saiamos da China agora... Chegou a hora de ver como um homem, criado por gorilas, consegue conquistar qualquer obstáculo.

domingo, 20 de julho de 2014

Hércules (1997)

Não é de hoje que o conceito de "herói" é mal-interpretado. Dizem que ser um herói é sair por aí prendendo criminosos e matando monstros, ou coisas do tipo.
Na verdade, é bem mais profundo do que tudo isso. E é o que o filme da vez tenta ensinar.


Hércules deve ter sido o primeiro contato que muita gente teve com a Mitologia Grega. Talvez seja por isso que todos nós perdoamos os inúmeros erros canônicos que existem aqui. Bom, eu irei ignorar todos eles pra falar desse filme, até porque, o grande propósito é só sentar e aproveitar o show.

Por incrível que pareça, estou tendo dificuldades em achar as palavras certas pra falar desse filminho aqui... Acho que é mais o fato de que seja difícil chegar ao ponto com um filme que, bom, gosta tanto de brincar com o que tem.

O tom da vez não é mais o drama, tão presente e tão importante no Corcunda de Notre Dame. Na verdade, é justamente o contrário! O que temos aqui é uma comédia! Isso mesmo! Mudança drástica, mas que não pode ser vista como uma coisa ruim. O longa consegue se virar bem e conta com uma boa trama, bons personagens e uma trilha sonora bacana. Não é nada que fique muito profunda e lide com temas mais delicados, mas é um bom divertimento, e tenho quase certeza que esse era o plano.

A trama em si fala sobre o desejo do jovem deus de conquistar um trono no Olimpo, e a única forma de fazer isso é provando ser um herói de verdade. Ele consegue ir para o caminho certo até, mas logo se perde, confundindo os caminhos de glória e fama do sobre o que é certo. É um conceito interessante, e é bem aplicado também.

Os personagens, como eu já disse, são ótimos, havendo destaque para Hércules e Hades. No caso do herói, ele é um dos mais poderosos da Disney, e um dos poucos que conseguiu dar um bom sopapo na morte (sim, eu disse sopapo). Sério, quantos personagens viram sua amada morrer, foram ao submundo, pegaram a alma dela de volta e ressuscitaram a coitada? Até agora, só o Hércules.
Ele tem um bom desenvolvimento, inclusive. Sua personalidade sofre alterações sutis em vários momentos do filme, e lentamente o torna em um personagem bem mais adulto. Entre outras palavras, ele cresce.

Hades também rouba a cena, mais por conta de sua personalidade hilária e furiosa ao mesmo tempo. Ele me lembra um pouco o Capitão Gancho, mas com muito mais poder. Além de poder, ele se mostra bem mais único por conta de seu nervosismo. Algo dá errado? Ele pira.


Acaba ajudando ter um vilão assim, porque ele se encaixa bem no ritmo de comédia, e não parece forçado ou fora de lugar.

Falando em encaixar, a trilha sonora do filme é adequada. O estilo musical (das músicas cantadas, isto é) lembra muito músicas gospel americanas, o que é apropriado, já que um dos temas é religião... Religião da Grécia Antiga, mas creio que é aí que está a piada.
É uma trilha sonora boa, mas não tão memorável quanto os filmes anteriores. O mesmo vale para a direção de arte, falando nisso.

Hércules é divertido, engraçado, ensina algumas boas lições, e tudo nele é apropriado e bem aplicado. Dá pra sacar se alguém tem esse como seu filme favorito e tudo mais. Recomendo pacas, você não vai se arrepender.

Continuemos a falar sobre lendas históricas, mas chega de mitologia por enquanto... Que tal... Algo lá na China?

O Corcunda de Notre Dame (1996)

Qual é a diferença entre um homem e um monstro? Há quem diga que é na aparência. Mas, na verdade, a diferença está na alma.


Eu estava muito ansioso para revisitar O Corcunda de Notre Dame quando iniciei esse projeto. E, ao ver o filme pela primeira vez em tantos anos, fiquei maravilhado em como o mesmo envelheceu bem, e em como sua trama e tom geral são tão incríveis.

Pela primeira vez desde A Bela e a Fera, o gênero que mais comanda o filme é o drama. Essa não é uma história para os fracos de coração nem para as crianças muito pequenas assistirem. A grande razão disso é o enorme peso de seus temas, e o ritmo incrivelmente realista e cruel do filme.

A lenda do corcunda Quasímodo é uma das mais famosas do mundo, e, depois de várias transformações do personagem, ou de pessoas no seu estilo, em monstro ou aberração, chegou a Disney para torná-lo um herói, e de uma maneira incrivelmente épica.

A grande mensagem do filme é a de que o coração da pessoa é seu aspecto mais importante, e não sua posição social ou seu cargo. A forma como ele explica isso é com uma das aberturas mais incríveis, mais atmosféricas e mais sombrias da Disney, na qual é narrada a origem do corcunda e de como ele foi parar dentro da Catedral.

Os personagens do filme são simplesmente perfeitos, cada um mais real do que o outro. Não é aquela "perfeição humana" de Pocahontas. A forma como eles interagem entre si é simplesmente maravilhosa, e o roteiro lhes permite ser explorados da melhor maneira possível, sem exceções.

O roteiro! Caramba, o roteiro! É um dos mais bem formados e sólidos que já vi, praticamente sem falhas. OK, talvez eu esteja exagerando, mas, sério, é fantástico! São tantas cenas memoráveis, algumas sendo as mais fortes já feitas pela Disney até hoje!

Eu sou um grande fã de coro orquestral, então sou suspeito pra falar, mas a trilha sonora desse filme é tão maravilhosa, e ela adiciona tanto à moral do filme (assim como o deixa mais épico), que também ajuda a fazer as cenas que mencionei agora pouco. Alan Menken, o compositor da Disney desde A Pequena Sereia, se superou dessa vez.

Alerta de spoilers, porque tenho que dizer essa...
Uma das melhores cenas do filme inteiro é quando Quasímodo salva a cigana Esmeralda da fogueira (já que ela havia sido sentenciada à morte) e sobe de volta para a catedral em praticamente um movimento só. A multidão que cercava a igreja, assim como o vilão do filme, mestre de Quasímodo e quem sentenciou Esmeralda, assiste enquanto ele ergue a jovem, ainda desmaiada, e grita "Santuário!" várias vezes, resultando na torcida de toda a multidão, e iniciando uma verdadeira guerra civil nas ruas de Paris.

Não só a direção artística, mais uma vez, é maravilhosa aqui, como a trilha sonora, a forma como tudo acontece, e o resultado dessa ação são capazes de criar arrepios.

Há também muito simbolismo no filme, com vários momentos ficando abertos à interpretação de quem assiste. Um dos momentos é com Frollo, o vilão do filme, em frente à sua lareira, cantando sobre Esmeralda.

Existe um tópico religioso, muito bem explorado por sinal. Quando digo isso, não quero dizer que o filme é daqueles que enfiam religião abaixo, não. É tudo bem sutil, e está nas entrelinhas, sendo um tópico importante, mas que fica de segundo plano, e não causa problemas assim.

Eu podia passar o dia todo falando o quão maravilhoso é esse filme e tudo, mas melhor parar antes que eu enlouqueça.
Eu recomendo esse com toda a certeza. Muitos de seus temas só podem ser realmente compreendidos por pessoas com mais conhecimento e idade, mas também serve para as crianças que, embora não compreendam as entrelinhas do filme, tem muito o que aprender sobre o que ele tem a ensinar.

Vamos sair de Paris, e voltar alguns milênios no tempo... Sairemos da tragédia do homem, e vamos falar de deuses.

Pocahontas (1995)

É interessante como o mundo tem problemas com adaptações livres. Se você pega um material original e altera aqui ou ali (ou em qualquer lugar, na verdade), você imediatamente sofre problemas e passa a ser criticado pela maioria das pessoas do mundo.

O problema é que existem adaptações livres muito boas, e é de uma delas que vamos falar aqui.


Eu não conheço a versão original da lenda de Pocahontas, mas consigo ver quais foram as alterações feitas para o filme da Disney, assim como entendo seu porque.

Ambientado no território o qual seriam as Treze Colônias anos depois, o filme conta a história da indígena Pocahontas e de quando surgiram os primeiros colonizadores ingleses.
Por ser um filme de família, da Disney, ainda por cima, não se pode esperar que esse seja um daqueles filmes historicamente corretos. É verdade que os indígenas são retratados de forma BEM incorreta? Sim. É verdade que os colonizadores são mostrados bem mais gentis e tolerantes? Sim.
Mas, esse filme não é feito pra ser historicamente correto. Caraca, tem um guaxinim e um beija-flor que ficam sorrindo, se comunicam entre si, e sendo alívio cômico! Não é pra levar esse filme a sério!

Bom, com isso fora do caminho, vamos ver o que pode ser dito.
Os personagens do filme são bons e tudo, mas eu não os acho relacionáveis. A grande questão aqui é Pocahontas e o inglês John Smith (é difícil aparecer com um nome mais inglês que esse). Seus personagens são tolerantes e mente-aberta demais... São dois exemplares perfeitos e sem falhas de ser humano, praticamente, então é difícil achá-los interessantes o suficiente. Mas, devo lembrar, ainda são bons personagens.

Por mais estranho que isso vá soar, a trilha sonora faz uma parte grande do filme. Algumas cenas ficam fantásticas graças à música de fundo. Obviamente que as músicas cantadas também tem sua importância. Inclusive, não existe muito de músicas "divertidas" ou algo assim. Elas parecem estar para o lado mais dramático da coisa, servindo para desenvolver personagens.

Uma coisa que esqueci de mencionar quando falei de O Rei Leão é de que a própria mãe-natureza parecia ser uma personagem própria. Nesse filme, ela não se mostra presente dessa forma, o que forma um contraste interessante.

A direção artística desse filme é quase impecável. Ela praticamente cria o tom e as cenas mais memoráveis do filme inteiro. Somada com a trilha sonora, você tem um par perfeito, e o resultado são cenas incríveis.
Algumas são bem ousadas, mostrando o principal "vilão" do filme (que praticamente nunca entra em confronto direto com nenhum dos protagonistas) sorrindo e segurando a bandeira da Inglaterra. Dá pra entender pelo contexto, mas, ainda assim, é um movimento bem... ousado...

Eu só gostaria de falar também da forma como Pocahontas vê o mundo, e de como ela se guia através do vento. Essas cenas, também, são muito bacanas, e adicionam ao charme e ao carisma do filme.

Ah, e tem várias referências a águias nesse filme. Deixo você perceber o por quê sozinho.

Enquanto que esse filme fala dos homens de alma ruim, maléficos e sem coração, assim de como todas as nossas diferenças podem ser resolvidas apenas com o diálogo, o próximo tenta mudar um pouco as coisas. Ele vai mostrar que o que realmente importa é o coração, e não as aparências.

sábado, 19 de julho de 2014

O Rei Leão (1994)

Já falamos de princesas, príncipes, pretendentes, rainhas e até um sultão. Mas, parando pra pensar, nunca falamos sobre reis...


Eu adoro a arte sutil desses pôsteres, você não?

O Rei Leão está dentre os filmes mais famosos e lucrativos da Disney, sendo o grande vencedor de bilheterias dos anos 90, e uma das produções mais respeitadas da empresa.
O motivo para eu dizer isso tudo é justamente para mostrar como ele deu certo, e como eles souberam contar a história de Simba.
Creio que não preciso apresentar o filme para vocês. De um jeito ou de outro, você pelo menos ouviu falar ou já assistiu ele todo.

Esse é um dos raros casos em que a introdução do filme consegue ser um ícone por si só. Quem não lembra daquele momento em que está tudo escuro, e então surge o sol, iluminando tudo em seu caminho e a icônica música "Ciclo sem fim" começa a tocar. Você provavelmente conseguiu visualizar.

A trama é uma das primeiras dentro da Disney que trata de política de uma maneira tão sutil, mas tão simples de perceber. Ela pode ser observada através do desejo de Scar em tomar o trono, e como ele pretende fazer isso.
O interessante no vilão é a sua crueldade. Ele é capaz de matar o próprio irmão e sobrinho para conseguir o que quer, e não sente o menor remorso.

Há também alguns toques de filosofia e bastante simbolismo.
Uma das cenas do filme mostra, de maneira literal, o caminho para a aceitação do passado, que pode ser visualizada quando Simba, o príncipe do reino, está seguindo o babuíno Rafiki para encontrar o fantasma de seu pai.
Simba sente medo de enfrentar seu passado, já que ele se considera culpado pela morte do pai, mas ele acaba se vendo forçado a lidar com isso e seguir em frente.

O drama é constante no enredo do filme, auxiliado pela atmosfera da direção de arte e da trilha sonora. Lugares como o cemitério de elefantes exasperam o mistério, e são lugares perfeitos para as cenas em que eles ocorrem.
Isso tudo sem dizer que uma das cenas está dentre as mais populares e tristes já feitas pela Disney:


O filme tem um ritmo interessante, o qual eu não consigo explicar completamente. Apenas sei que é outro daqueles que recomendo pra caramba. Se você ainda não teve chance de assistir, bem, aproveite-a quando puder.

Nesse tom, vamos ficar aqui na selva, e ouvir ao vento. Ele trás novidades de um mundo novo.

Aladdin (1992)

Não faço ideia de como fazer essa introdução, então, vamos simplesmente pular para o filme.


Aladdin é um filme bom pra caramba. Tipo, bom mesmo. Não só sua trama caiu direto no gosto da cultura pop, como também introduziu vários personagens carismáticos.

Uma coisa que eu observei enquanto via o filme, talvez pelo fato de tê-lo assistido já centenas de vezes, é que existem várias mensagens tentando ser passadas. Ser você mesmo, o perigo do desejo por poder, saber usar um poder maior, e coisas assim estão presentes, e são mencionadas de forma sutil.

Bom, falemos dos personagens.
Começando pelo personagem titular, Aladdin é daqueles que entra no gosto do público assim que aparece. É simpático, divertido e um bom garoto no geral. Acho que o ponto principal nele é justamente o seu carisma. O jeito como ele passa pelas situações que tem de enfrentar ajudam nisso, e, também, ele é um bom protagonista, mas não da forma como Ariel era. No caso, ele se ajusta ao que a trama joga nele, e não o contrário. Isso é bom porque o filme passa a agir de maneira um pouco diferente, e única, de certa forma. Além disso, vemos mais do protagonista e sua determinação quando o mundo se move sem precisar dele e ele deve se virar.

O caso de Jasmine é semelhante. A jovem princesa também não é quem puxa as rédeas (exceto em um momento), mas se ajusta a elas. É uma personagem boa também, e é uma das poucas princesas Disney que escapam do clichê de donzela amável em perigo, até porque ela é bem mais esperta do que parece (embora fosse mais bacana se tivessem explorado esse lado um pouco mais).

Quem acaba comandando os eventos do filme é ninguém menos do que o vilão Jafar. Praticamente tudo o que acontece ocorre por causa dos planos dele (que, a propósito, nunca dão certo). Isso pode soar estranho, mas com uma análise mais delicada, dá pra perceber.
Fora isso, ele é bem feito também. Seu desejo de poder, apesar de clichê (um conselheiro/vizir real que quer o trono), é bem trabalhado e mostra até que ponto ele é capaz de ir.
Inclusive, sua relação com o papagaio Iago cria algumas conversas e revelações bem interessantes.

Apesar de ter um lado mais dramático, é inegável que Aladdin apela muito para o lado cômico também. É aqui que personagens como o macaco Abu, o tapete mágico e, é óbvio, o Gênio fazem aparições brilhantes.
Eu queria falar um pouco do Gênio (que, sério, fará você rir de um jeito ou de outro), mas ele já é bem popular por conta própria, o que acabaria tornando o que eu falar redundante.

As músicas desse filme estão dentre as mais memoráveis da Disney, e todas elas são difíceis de esquecer, mesmo depois de vários anos.

E, finalmente, isso é tudo o que consigo dizer. Apesar de não estar no patamar de A Bela e a Fera, Aladdin ainda é um filmaço, e você deve tirar um tempo pra assistir. É muito divertido, e vale a pena!

Agora, sairemos do deserto diretamente para as selvas, aprender o Hakuna Matata.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

A Bela e a Fera (1991)

Quando eu comecei esse projeto, lá pra 2012 ou algo assim, tinha uma fase que eu queria muito que chegasse logo. Eu estava esperando justamente pelos anos 90, a época que praticamente mais me influenciou durante a infância. É também nesse período que a Disney começa a acertar sucesso depois de sucesso. Muita gente tem boas lembranças dessa época.

E que maneira melhor de começar um período de sucesso com uma obra-prima tão maravilhosa e tão inexplicável, que fala sobre como o amor consegue sobrepor qualquer obstáculo, e como ele muda as pessoas. Falemos um pouco de A Bela e a Fera, um dos maiores clássicos da história do cinema e dos contos de fadas.


Difícil que alguém não tenha nem noção de como é a história desse filme. A trama do filme fala sobre um príncipe mimado e grosseiro, que foi amaldiçoado por uma feiticeira a se tornar em uma fera quando ele se recusou a oferecê-la abrigo, e uma jovem moça, modesta e delicada.

A jovem, Bela, vivia em um vilarejo, onde era sempre vista como estranha pelas pessoas, por conta da sua paixão por livros, e sua forma de pensar.
Apesar de sempre se focar em seus livros, ela acabou virando o alvo da paixão de Gaston, o valentão da vila: um homem egocêntrico e muito arrogante.

Um dos meus pontos favoritos do filme é justamente o encontro inicial entre a Bela e a Fera. Não só a expressão de horror nela é ótima, como o jeito da Fera também é incrivelmente real. Os momentos iniciais da Fera são todos assim: tudo ocorre na escuridão, com apenas aquela sombra rondando o castelo.

O momento quando Bela se oferece para ficar no castelo como prisioneira ao invés de seu pai também é incrível, com ela jogando as mãos ao rosto e caindo de joelhos ao ouvir que seu hóspede monstruoso aceita. Um dos motivos de eu ter gostado disso é porque, hoje em dia, ou a personagem feminina é muito dura ou muito sensível, e teria reagido de forma mais extrema. Já Bela mostra sua intenção nobre, mostra que vai ficar lá para salvar seu pai, mas, mesmo assim, não esconde o medo que ela tem.

Esse filme também conta com uma das melhores transições que eu já vi até agora. Diferente de praticamente todas as princesas anteriores a ela, Bela passa uma boa temporada no castelo com a Fera, e é nesse período que eles se conhecem melhor e, evidentemente, acabam se apaixonando. Um dos frutos disso é a mudança que a Fera vai sofrendo, até se tornar em uma pessoa bem diferente. O bom é que isso não parece apressado ou repentino. Você consegue ver a mudança acontecendo.

Agora, falemos do vilão por um minuto. Gaston é um dos melhores da Disney, sem mais. Ele está lá em cima com os grandes Capitão Gancho e Malévola. O que o torna tão divertido, além de sua característica desprezível é o seu grande objetivo. Assim como Cruella, que não sonhava em dominar o mundo, é bem simples: ele quer se casar com Bela, e está disposto a tudo para isso.
O problema é que ela não gosta dele, e isso o obriga a ficar criativo com suas tentativas, e, sem dizer muito, ele acaba indo longe demais.
Vilões menos "super" e mais humanos são sempre bem-vindos.

A trilha sonora desse filme não desaponta em nenhum momento. Todas as músicas são belíssimas, com destaque especial indo para a música tema:



E por favor, quando eu digo "trilha sonora", não pense apenas nas músicas cantadas. As trilhas de fundo são uma melhor do que a outra.

A trama desse filme não tem um buraco sequer, as músicas são inesquecíveis e os personagens são tão bem trabalhados que são quase reais. Dá pra ver de longe: A Bela e a Fera é uma verdadeira obra de arte, que tem que ser assistida por todos nesse mundo! Se você ainda não viu por alguma força da natureza, veja! É um filme espetacular e que eu tenho certeza que você vai adorar. É como o próprio pôster diz: "A história de amor mais linda já contada".

Depois disso, creio que seja justo que, agora, respiremos fundo e esperemos, pois está na hora de pegarmos um tapete mágico.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Bernardo e Bianca na Terra dos Cangurus (1990)

Hoje em dia, o senso comum é de que a Disney não sabe fazer sequências. Considerando a existência altamente duvidosa de filmes como "Cinderela 2" ou 3, "A dama e o vagabundo 2", ou até mesmo "A Pequena Sereia 2", não é idiota concordar com esse senso...

Então, eu gostaria só de explicar bem o que acontece. A divisão que trabalha em todas as pérolas de que venho falando nesse projeto não é a mesma por trás de todas as sequências "ruins". Isso é com a divisão de entretenimento caseiro da Disney.

Com isso fora do caminho, podemos falar desse filme sem preconceitos.


Eu nunca tive a chance de ver esse filme antes de começar esse projeto. A primeira vez que eu assisti foi justamente hoje. Isso talvez tenha sido metade da razão para eu estar tão ansioso em vê-lo.
Como você já deve ter notado, isso aqui se trata de uma sequência para "Bernardo e Bianca" de 1977 e, não, não é uma sequência ruim.

Um dos motivos principais por trás disso é justamente a enorme diferença atmosférica e temática que esse aqui tem do original. Não existe mais aquele tom sombrio e melancólico, e agora existe um ritmo mais rápido e mais animado. Inclusive, várias cenas do filme podem acabar causando risadas.
E isso não é uma coisa ruim. Essa mudança acaba permitindo que o filme crie uma identidade só, e tente ficar longe da sombra que o primeiro criou.

Eu tenho que dizer que, ver Bernardo e Bianca, em uma nova cena, depois de tantos anos, foi difícil de explicar. Isso vai soar estranho pra burro, mas foi maravilhoso vê-los de novo, e em cenas que eu nunca tinha visto antes.
E foi ainda melhor ver que eles não mudaram em nada. Bianca continua sendo descuidada e bem charmosa, enquanto Bernardo é o cara tímido e cuidadoso. Surge uma tensão amorosa por aqui, com ele tentando pedi-la em casamento sempre que pode. Apesar de isso poder parecer algo que não se mexe, eu gostei da ideia, visto que tal tensão já existia no primeiro filme de todo jeito.

O cenário, dessa vez, tem uma escala bem maior, e dá aquele sentimento de aventura, uma ideia que não tinha sido explorada antes, mas que consegue ser bem manuseada assim.

A trama do filme, em si, ainda segue o padrão do primeiro filme: criança sofre alguma coisa, e eles partem para salvá-la. Eu prefiro manter o misticismo e não falar nada mais do que os pôsteres já dizem, até porque, é uma história que pode causar diferentes reações.
Não entrarei em detalhes, mas eu gostaria de falar sobre um ponto em particular que chamou minha atenção.

Não sei se posso mencionar isso como um problema, ou não, mas Bernardo e Bianca tem bem menos tempo em tela do que no primeiro filme. Vários momentos da trama focam no garoto sequestrado e em seu abdutor. O lado bom é que isso acaba desenvolvendo seus personagens, e mostra algumas cenas bem divertidas, embora outras acabem não fazendo muito sentido. O lado ruim é que, bom, nossos protagonistas não aparecem tanto. Isso fica a cargo de cada um, creio eu.

"Bernardo e Bianca na Terra dos Cangurus" é um filme divertido pra caramba, e, honestamente, é difícil pensar em algo que ele fez errado. Se afastar do estilo do primeiro, apesar de ser arriscado para uma sequência, acabou sendo uma boa ideia bem trabalha, e cria ainda mais charme. Se você viu o primeiro filme, e gostou, talvez goste do estilo desse.
Apesar de não ser tão bom quanto o primeiro (já que o charme e estilo do clássico de 1977 é imbatível), ainda é um filme incrível, uma ótima sequência e eu recomendo muito.

OK, não veremos sequências por pelo menos oito anos, então vejamos o que mais temos na lista... Oh, esperem, tem uma senhora batendo na minha porta. Ela está falando alguma coisa sobre ser gentil e modesto.

A Pequena Sereia (1989)

Depois de explorarmos os mais diversos reinos em terra, finalmente chegava a hora de olhar os mundos que não tinham sido descobertos ainda. Leia-se: o oceano.
Somado a isso, já faziam trinta anos desde a aparição da última princesa Disney.

Já era hora de voltarmos um pouco para os contos de fada.


Apesar de não estar no típico cenário de um conto de fadas e princesas, que geralmente envolve enormes castelos, bosques, florestas e tudo mais, "A Pequena Sereia" conta com todos os detalhes típicos dessas histórias, embora seja com um toque especial.

Um dos pontos que chamam atenção é que a nossa protagonista, a sereia Ariel, por si só já é uma marca bem grande em histórias do gênero. Ela é o que os falantes de Inglês chamam de "tomboy". Também é teimosa, desobediente e, bom, age como você espera que uma menina de 16 anos aja (nos anos 80, né...).
Caso você não tenha entendido onde eu quero chegar, é simples: ela tem desenvolvimento. Não é como uma certa dorminhoca que mal aparece e que tem importância praticamente nula.
A trama inteira ocorre com base nos atos dela, o que a torna uma protagonista bem competente.
Obviamente, os demais personagens do filme são agradáveis, e auxiliam na história como um todo.

Um dos marcos desse filme é a adição de músicas que se tornaram famosas logo logo, sendo "Under the sea" e "Part of your world" as mais chamativas. É tão assim que eu honestamente ainda não consegui tirar a introdução de "Under the sea" da minha cabeça...

Eu admito que gosto da direção artística e da quantidade de detalhes que eles apresentam nas cenas. Cada parte do cenário tem bastante imaginação.

Bom, eu achei que teria muito o que dizer desse filme, mas esse, infelizmente não é o caso. De qualquer forma, posso chegar à conclusão de que é um filme excelente, divertido pacas, e que vale a pena assistir.

Agora, segurem-se! Porque chegou a hora de reencontrar uns velhos amigos e partir para uma terra desconhecida.

Oliver e sua Turma (1988)

Depois de nos aventurarmos em mundos de fantasia, campos, cidades fictícias, silenciosas, e tudo o mais que a ficção adora mexer, finalmente chegava a hora de ver o quê que pode ser aproveitado da vida real, de forma que seja empolgante e interessante!

E, adivinha só... Temos aqui crime, um homem pobre devendo dinheiro para um mafioso, sequestro e coisas do gênero...


"Oliver e sua Turma" é, logo de cara, bem diferente do que foi sendo visto dentro da Disney até agora. Pra começar, temos o cenário, que é completamente baseado na cidade de Nova Iorque. A utilização de um lugar tão famoso e familiar (mesmo pra quem nunca viveu na cidade) não deixa de causar estranhamento... Sério, ver a Times Square em desenho animado, com cachorros e um gato andando por lá é bem esquisito, embora não seja necessariamente ruim...

A trama do filme tem uma cara inacreditável de anos 80. Envolve tudo o que eu disse acima, e ainda mais um pouco. Se você viu um dos filmes de ação/comédia daquela época, provavelmente esse aqui vai ser um filme bem previsível pra você.
Os personagens também parecem bem típicos, embora isso não impeça que eles sejam divertidos ou interessantes.

Então, ao invés de falarmos da história, vamos ver o que o filme traz de novo para o catálogo da nossa lista. Vou resumir: violência.
Não vou dizer onde, nem quando a violência acontece, só vou dizer que ela existe, e tem certa frequência.

Fora isso de fato não há nada de novo. Pelo que me pareceu, esse filme tentou apenas entreter quem o assiste, sem adicionar mais nada de realmente relevante. Apesar disso parecer uma coisa ruim, ele até que se sai bem em manter você interessado.
O ritmo é agradável (sendo melhor do que "O Caldeirão Mágico, se me perguntar), e a história tem algumas reviravoltas que, apesar de não serem surpreendentes, são interessantes.

Temos também o retorno das músicas! Mais uma vez, elas estão em número pequeno, mas são bem trabalhadas, e inclusive, grudam na sua cabeça, pelo menos por algumas horas.
Ah, e falando em música, temos dois cameos especiais logo na primeira. Veja se você descobre quem são!

E, bom, é isso... Honestamente não tenho muito do que falar desse, mais uma vez... "Oliver e sua Turma" não traz nada de novo, mas ainda é bem divertido de ver, e eu recomendo.

OK, pessoal, isso aqui praticamente fecha o que eu gosto de ver como a terceira fase Disney. Vários filmes excelentes passaram por aqui, e vários deles marcaram vários de nós.
Mas, apesar desses filmes serem excelentes, não são eles que realmente criaram tanto sucesso.

A quarta fase começa no próximo filme, e, ao invés de olharmos para os céus em busca da nossa inspiração, eu sugiro que olhemos para ali, no mar...

quarta-feira, 16 de julho de 2014

As Peripécias do Ratinho Detetive (1986)

Ah, as histórias de detetive noir... É difícil não achar, no mínimo, interessante...
Filmes assim sempre falam de mistérios, crimes, máfias, bandidos, detetives, mocinhas indefesas, vítimas e tudo mais, justamente para lembrar a todos nós da maneira crua que a nossa sociedade se comporta...

Então veio a Disney e fez um filme trocando pessoas por roedores. Pareceu promissor...


Apesar do nome extremamente exagerado, de tão grande e tão fora de lugar, "As Peripécias do Ratinho Detetive" é simplesmente excelente.

O filme sai do reino fantasioso e, mais uma vez, envolve uma história que, se não fosse pelos personagens animais, seria bem realista.
É contada a história de quando Basil, um detetive inglês, recebe o trabalho de encontrar o pai de uma garotinha, que havia sido sequestrado pela gangue do infame Ratagão.
Ao lado de um parceiro temporário, Dawson, Basil parte para resolver esse novo caso.
Desculpem a sinopse, mas eu não resisti...

A trama tem toda uma atmosfera noir, típica de filmes de detetives, e adiciona um toque de mistério e suspense, até.

Um dos pontos mais altos é o plano de Ratagão. A razão de ele ter sequestrado o pai da pequena Olivia, que é um criador de brinquedos, era para que ele construísse uma máquina especial. Apesar de vermos ele trabalhando na dita máquina em várias cenas, a função dela nunca é explicada, de fato, até o final do filme.
Não vou dizer qual é, claro, mas digo que é bem interessante.

Apesar de poder ser tratado como "policial", a trama raramente apela para a violência, sendo boa parte do filme tratada em situações "cômicas" ou em diálogos interessantes.
Para nossa sorte, os personagens são bem desenvolvidos, e suas conversações, somadas com os atos deles são o suficiente para que tenhamos noção de como eles são.



Mas, mesmo sem violência, não posso dizer que o filme não tem seus momentos mais sombrios. Mais uma vez, não revelarei nada. Tudo o que posso dizer é que eles são muito efetivos, e chamam atenção pela raridade em que ocorrem e pela sua enorme sutileza.

Existem músicas nesse filme, bem mais trabalhadas do que as vistas em "O Cão e a Raposa". As duas que me vem à mente são bem memoráveis.

Como você deve esperar, também existem várias referências a outras histórias, sendo Sherlock Holmes o mais lembrado (por motivos óbvios). A referência mais interessante (se é que ela é mesmo de Sherlock Holmes) é o fato do personagem Ratagão, vilão da trama, ser chamado de "Professor" (talvez pra por em termos com o Professor Moriarty?).

Enfim, esse aqui é um filme que eu recomendo sem medo de ser feliz. É tudo bem trabalhado, bem apresentado e, de longe, merece toda a atenção possível!

E, a propósito, não vamos falar de ratos no próximo filme... Até porque, existe um gato nele.

O Caldeirão Mágico (1985)

Se tem uma característica que ninguém relacionaria à Disney era a de sombria. Os filmes que vimos até agora, apesar de contar com alguns tons depressivos de vez em quando, quase sempre tinham a predominância do alegre ou do engraçado.

Aí chega esse filme...


A primeira coisa que o "Caldeirão Mágico" faz é uma introdução macabra sobre um caldeirão amaldiçoado, e os poderes malignos que ele tem.
Na verdade, a temática do filme, em si, é bem macabra. O filme fala sobre a saga de Taran, um jovem cuidador de porcos, que deve encontrar o dito caldeirão para impedir que o maligno Rei dos Chifres ponha as mãos nele.

Reza a lenda que o poder desse item mágico é capaz de trazer os mortos de volta à vida, e o Rei quer isso para que ele possa criar um exército de mortos-vivos imbatível e, assim, governar o mundo.

Apesar do plano clichê, o vilão em si é um dos mais interessantes dos últimos vinte e cinco filmes. Sua aparência é assustadora por si só (lembrando que isso é pra ser um desenho animado de família). O seu jeito de falar e andar, inclusive, cria algo que eu, pessoalmente, não via desde a Malévola de Cinderela. Um vilão que realmente parece ameaçador, embora, no final das contas, ele não passe de ar quente.

A apresentação do filme, devo dizer, é espetacular. Não só as animações são ótimas, como todo o trabalho de arte é espetacular. É criada uma atmosfera única, e muito bacana, que ajuda no charme geral do filme. Surpreendentemente, ela também é muito sombria, e não tem medo de mostrar centenas de esqueletos ainda em armadura, imóveis, ou um pedestal sujo de sangue. Esses detalhes chamam atenção, e criam uma identidade única.

No entanto, assim como muitos outros filmes da Disney, "O Caldeirão Mágico" sofre de um problema que compromete a sua qualidade.
A dificuldade de fazer uma trama de fantasia está em ajudar a passar a ideia de que o mundo do filme é muito maior do que aquilo que é apresentado. Nesse aspecto, o filme acaba deixando a desejar.

O enredo, apesar de ter uma ótima introdução, fica num ritmo muito apressado depois dos primeiros quinze minutos, e essa pressa acaba impedindo quem assiste de se imergir completamente no universo do filme. Não preciso dizer que isso acaba comprometendo o desenvolvimento dos personagens, mas eles acabam conseguindo se virar um pouco.
Ironicamente, mesmo com essa falta de imersão, o filme ainda consegue não só entreter, como criar intriga. Ele ajuda a criar várias perguntas, todas relacionadas a origens de personagens e poderes dentro do universo da trama.

"O Caldeirão Mágico" tem uma trama boa, personagens decentes e, por tudo o que ele tenta fazer, é um filme interessante. É só a pressa no roteiro que acaba tirando o brilho. Parecia que eles tentaram fazer algo que durasse duas horas ou duas horas e meia de filme, mas tiveram que reduzir rápido.
Mesmo assim, ainda parece ser interessante para fãs de fantasia, e da Disney, no geral, é claro, já que é aqui que eles exploram um lado novo.

Bom, quem aqui gosta de histórias de detetive? Eu já vi uma ótima!

P.S.: Creio eu que a mudança de tom no filme se deve à saída de Wolfgang Reitherman (que foi um dos diretores principais da Disney, e produtor, desde 101 Dálmatas) da cadeira de direção. Adicionalmente, ele faleceu em 1985, o mesmo ano em que esse filme lançou. 

P.S.2: Esse filme se baseou em um dos livros da série de fantasia "As Aventuras de Prydain", escrito por Lloyd Alexander. Imaginei que vocês queriam saber.

terça-feira, 15 de julho de 2014

O Cão e a Raposa (1981)

Chegamos aos anos 80, época da dança, do fim da ditadura, e de filmes que fazem você chorar sem motivo aparente.

O nosso próximo filme da lista é O Cão e a Raposa, e vou avisando logo. Não tenho muito pra dizer sobre ele...


Eu tinha algumas lembranças do filme, no geral, mas, pra ser sincero, não lembrava de muito... Quando finalmente reassisti, fiquei com reações mistas...
Parte de mim gostou do que viu, a outra parte... nem tanto.

A introdução do filme é uma das mais interessantes de toda a lista até agora: ela tem uma atmosfera serena, lenta, e que vai se construindo devagar, bem devagar. Se não estou errado, é a primeira vez que a Disney experimentou com créditos iniciais sem música.
É interessante porque deixa você com a cabeça despreparada, você relaxa a guarda, sem esperar mais música... E então... MÚSICA!
Uma raposa com um filhote aparece, fugindo dos latidos de um cachorro.
Essa segunda parte ajuda a pintar o quadro que boa parte do filme passa: a ideia da caça, e se isso é bom ou ruim.

Depois que todos os personagens são propriamente introduzidos, no entanto, o filme passa por um momento que, é aquela, ou você ama ou odeia...

Sem dizer muito (até porque, sério, tá difícil arranjar palavras pra falar dele aqui), depois que os animais (ou, no caso, os cachorros e a raposa) começam a falar, todo aquele tom da introdução praticamente desaparece. Até parece que estamos vendo outro filme, completamente diferente. O tom fica incrivelmente mais leve, e a mensagem de caça praticamente some do mapa. Além disso, muitas dessas cenas de conversas entre os animais ou são embaraçosas, ou são tediosas...

Quando eles não falam, e temos apenas os humanos conversando, ou agindo entre si, e coisas do gênero, aí a coisa muda de figura, e fica interessante de novo. Sei que é meio estúpido dizer isso de um filme Disney, mas essa foi minha impressão. No caso desse filme, eu preferia ver a raposa agindo como raposa e os cães agindo como cães...

Na verdade, o ponto alto do filme é justamente nas cenas mais "reais", se me permite o termo. Por exemplo, as cenas de perseguição, que são ótimas. Não me pergunte o que é de bom nelas, porque não sei dizer.

O enredo do filme é mais ou menos da forma que eu estou deixando parecer: cheio de altos e baixos. A boa notícia? Os altos são bem bacanas, e compensam o filme. A má notícia? Tem muitos baixos, são mais frequentes, e se você não tiver paciência, o filme perde a graça muito, muito rápido...

Não vou dizer que esse filme é tão ruim como "A Espada era a Lei", mas que tem muitas cenas muito lentas, isso tem.
Talvez eu estivesse esperando demais do filme, ou algo assim. Não sei...

Por causa disso, aqui estou para dizer: assista, e tire suas próprias conclusões. Talvez você consiga um pensamento mais organizado do que o meu.

A propósito, me prometeram que o próximo da lista terá um caldeirão, e ele será mágico.