sexta-feira, 27 de junho de 2014

Bernardo e Bianca (1977)



Vou ser bem sincero. Eu não estava muito ansioso para ver esse filme. A razão por trás disso é que minha memória insistia que esse filme era uma bagunça sem sentido. 

Quando eu finalmente assisti de novo “Bernardo e Bianca”, parte de mim lembrou o que havia me deixado longe do filme por tanto tempo. E iremos falar disso hoje.


Diferente da empreitada anterior, “Bernardo e Bianca” tem toques bem menos alegres, e preza por temas um pouco mais depressivos, como a ideia de rejeição e solidão. Apesar de isso não ser característico da Disney, ela consegue passar essa sensação através dos créditos iniciais, com uma música tocante e imagens de uma garrafa sendo arrastada pelo oceano. 

A história começa com uma garotinha misteriosa jogando uma garrafa com um pedido de ajuda no oceano. A mensagem acaba chegando à Sociedade de Ajudantes, localizada na ONU e comandada por roedores. Dois deles, os camundongos Bernardo e Bianca, se candidatam a ajudar a menina.
Em suas investigações, eles descobrem que ela foi levada para um lugar misterioso chamado “A Garganta do Diabo”. É então que o par parte na missão de socorrê-la.

Como eu disse antes, o filme toca em tons mais sombrios, e a direção de arte ajuda muito para deixar o clima apropriado. A maioria dos cenários do filme são escuros e com cores menos vibrantes. O melhor lugar é justamente a “Garganta do Diabo”, um pântano sombrio e assustador até. 

O mundo do filme parece mais apropriado para uma história de terror do que para um filme de família. No entanto, ele se encaixa muito bem, ironicamente, aqui. E, acredite, todos os cenários são bem memoráveis.

Outro grande acerto aqui são os personagens. Eu fiquei muito surpreso quando vi que todos eles pareciam ter algo a mais do que o que víamos primeiramente.

Bernardo, por exemplo, apesar de ser mais corajoso, e se ver entrando em lugares sozinho para o bem de sua parceira, acaba sendo bem supersticioso, contando degraus de escada (e todas elas chegando a um total de 13), e também muito cuidadoso, procurando sempre a rota mais segura.

Bianca, por outro lado, acaba sendo o oposto de seu parceiro, sendo incrivelmente descuidada e vaidosa. Mas, sua inteligência acaba salvando a vida dos dois em várias ocasiões. É apenas curioso ver que ela já estava consolidada na Sociedade, enquanto ele era apenas o zelador e porteiro. 


Os personagens humanos do filme também brilham bastante. A começar pela pequena Penny que, apesar de ser a mais homogênea do filme, sem nenhuma curiosidade interessante, se mostra bem corajosa e muito amável. As situações nas quais ela se vê (sendo praticamente todas elas a fonte dos temas sombrios do filme) são terríveis, e é difícil não sentir pena dela. 

A grande vilã do filme é Madame Medusa, que me pareceu muito uma parente distante de Cruella de Vil, dos 101 Dálmatas. Digo isso por causa não só de sua aparência (sério, ela parece uma Cruella ruiva e mais gordinha), mas por causa de seu temperamento. Ela não só irrita a si mesma, como à audiência. Seus atos, apesar de não serem exatamente sanguinários (a Disney não tem um vilão assim... Ainda...) são bem cruéis. Por exemplo, ela quer Penny por perto para manda-la para uma caverna pequena, e pegar um diamante perdido lá dentro, enquanto a maré sobe e afunda o lugar todo. Ela não é do mesmo tipo de Edgar e do Rei João, de filmes anteriores. Medusa é uma vilã bem séria, e que, em certos momentos, é bem assustadora. 

Como se isso não bastasse, ela tem dois CROCODILOS de estimação! Isso mesmo, eu não falei cachorros, nem gatos, mas CROCODILOS, chamados Brutus e Nero. E, adivinha só, são quase tão cruéis quanto ela. 

Medusa também tem um ajudante, bem atrapalhado, devo dizer. Eles sempre estão brigando, com ela afirmando o quão inútil ele é e tudo mais. 

Assim como seus antecessores, esse filme tem músicas, mas as apresenta de uma maneira diferente. Elas não são cantadas pelos personagens, e sim ficam no fundo. Também diferente dos filmes anteriores, é que nenhuma delas é alegre ou tem um ritmo rápido. São todas músicas lentas, mais suaves e um pouco tristes se você parar pra pensar nelas como eu estou pensando agora. *puxa lencinho para os olhos*

Antes de eu fechar, eu TENHO que dizer isso: esse filme, caso você não saiba, ainda se utiliza da tecnologia introduzida em 101 Dálmatas. Desde aquele filme, várias animações eram repetidas constantemente em várias cenas. Não era nada muito ruim, mas era notável. Só que esse aqui não repete muita coisa. Quase todas as animações são únicas, com apenas duas se repetindo vez ou outra. Isso é um passo GRANDE, porque revelou que o pessoal da Disney conseguiu dominar a técnica, e, uau, fico grato que eles tenham conseguido. 

“Bernardo e Bianca” tem um ritmo drasticamente diferente do filme anterior, com o Pooh, mas isso apenas acrescenta ao charme geral e, acredite ou não, esse é um filme muito memorável. Mesmo depois de vários anos sem tê-lo assistido, eu ainda lembrava de vários momentos do filme (embora eu não lembrasse que o filme fosse tão bom... A última vez que eu vi esse filme completo, antes dessa análise, eu ainda era criança, então...).

Dos últimos que eu falei, esse aqui é o que eu mais recomendo, pelo menos até agora. Sério, é uma viagem e tanto.

OK, agora, peguem seus lencinhos, porque vocês vão chorar MUITO no próximo filme, que fala de uma raposa e um cachorro.

As Aventuras do Ursinho Puff (1977)



Olha, a Disney tem muitos rostos que a representam bem. A maioria deles vem justamente do grupo do famoso Mickey Mouse. Só que, existe um outro rosto que ganhou muita fama, e chega até a rivalizar o famoso camundongo (ou rato... sei lá o que ele é).

Me refiro ao urso Winnie the Pooh, conhecido aqui no Brasil como Puff, ao menos durante a época em que seu primeiro filme chegou às telas.


Depois de ter se aventurado com temas mais, uhh, “realistas” (uso essa palavra MUITO solta), a Disney decidiu abrir portas para algo mais voltado para as crianças. Dessas portas, surgiu o icônico urso amarelo Pooh. Sim, vou me referir a ele como Pooh porque esse é o nome dele, não é “Puff”. 

O filme “As aventuras do Ursinho Puff” faz jus ao seu nome, contando uma série de histórias vividas pelo urso titular e os seus amigos na Floresta dos Cem Acres.

Como você já deve ter adivinhado, esse filme, mais uma vez, segue a noção episódica, presente nos outros filmes (mas menos perceptível no filme Robin Hood, como eu esqueci de mencionar).

Apesar de eu não gostar desse estilo, o filme consegue passar sem nenhum problema adicionando uma narrativa de livro, praticamente. Aliás, não só a narrativa, como o filme todo acontece dentro de um livro. A quarta parede é quebrada constantemente, e, por vezes, os movimentos dos personagens ocorrem com eles saindo de uma página para outra. 

O narrador, como eu disse antes, também ajuda, fazendo a transição de capítulos (que disfarça o estilo episódico com outra cara), e deixando-a bem interessante.
Em outros termos, o filme funciona, e bem. 

Bom, além da ideia episódica, o ritmo do filme é excelente. Várias cenas conseguem pegar quem as assiste de surpresa, por incrível que pareça, e muitas delas são divertidas. Claro, rola algo meio chato aqui e ali, mas a surpresa é presente, e agrada.

Os personagens também são bem carismáticos, sendo destaques Pooh, Leitão, Tigrão e Coelho. Não vou entrar em detalhes quanto a eles, já que, independente da sua idade ou de sua conexão de internet, você os conhece muito bem, ou ao menos um pouco.

Eu bem que gostaria de falar mais a respeito do filme, mas, honestamente, não há muito o que dizer, não sem dizer alguns spoilers ou algo que prejudique o ritmo.


Como eu disse antes, o filme é agradável de assistir, mas é necessário estar no estado de mente certo pra gostar, ou você acabará achando-o mais longo do que deveria.

Veja-o sem esperar muito, e tranquilo, que você poderá gostar. 

Falando em crianças... Algo me diz que uma delas precisa de ajuda... Vinda do lugar mais inesperado.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Robin Hood (1973)



É engraçado ver como as lendas vindas da Grã-Bretanha sempre são tão bem lembradas mundo afora. Um bom exemplo disso é o lendário Rei Artur e os cavaleiros da Távola Redonda. No entanto, não é só de realeza que vivem as lendas. Uma das mais famosas a sair da Inglaterra é a lenda de Robin Hood, o ladrão que roubava dinheiro dos ricos para dar aos pobres. 

Com toda a sua fama, a lenda do arqueiro fora-da-lei já ganhou diversas adaptações para as mais diferentes mídias e, seguindo a nossa lista, iremos falar de uma delas a seguir. 

Não sei exatamente qual foi o desejo da Disney ao apresentar os personagens do filme como animais, mas minha óbvia suspeita é de que foi para apelar melhor para as crianças. Bem, independente de escolha artística, o que temos aqui é um filme bem divertido de assistir.

Como é esperado, o filme conta a história de Robin Hood, narrada por um galo trovador (comentarei sobre esse detalhe mais à frente), e seus dias na floresta de Sherwood e na vila de Nottingham.
A vila passa por dias difíceis, depois que o rei Ricardo partiu em uma Cruzada, e seu irmão, o infame João, assumiu o trono.

Seguindo a ideia da lenda, João não é um bom rei, e acaba se tornando em um tirano ganancioso, exigindo impostos muito altos de seus súditos. Apesar de o povo ser contra a tirania dele, não há muito que eles possam fazer.

É nesse mundo que a figura de Robin se mostra tão importante. Em sua constante jornada por justiça, ao roubar dos ricos para dar aos pobres (e permitir que os mesmos tenham a chance de até se alimentar), o herói cria esperança no coração das pessoas. Todos o amam, mas o rei João, junto de seu conselheiro Chio e do Xerife, quer a sua cabeça. 



Os personagens do filme são bem representados pelas suas versões animais. O próprio Robin Hood sendo um ótimo exemplo, ao ser retratado por uma raposa. 

O Xerife sendo mostrado como um lobo, e o conselheiro como uma cobra, também são ótimas caricaturas, o mesmo valendo para praticamente todos os personagens. 

Em alguns casos, é um pouco mais simples, como o João Pequeno sendo retratado como um urso (já que o personagem original era tudo menos pequeno), e uma família de coelhos ser dessa forma por conta da numerosa prole. 

De todos eles, no entanto, um dos que mais me chamou atenção foi o príncipe João. Ainda vou dar um tempo pra falar do personagem no geral, mas, primeiro, eu gostaria de apontar para o fato de que o mesmo, sendo leão, não tem uma juba. Isso, creio eu, é uma forma de mostrar que ele não tem uma “coroa” que o chame de rei, não importa o quanto ele reclame e diga o contrário. 


Agora, falemos das personalidades, sim? Mais uma vez, o grande destaque vai para o próprio rei João. Apesar de todos os personagens se comportarem da maneira que você espera, o rei João parece seguir a mesma ideologia de Edgar, de Aristogatas: um vilão atrapalhado e divertido de ver. Sempre que ele se vê em algum problema, sua atitude covarde é, quase sempre, capaz de tirar boas risadas, assim como seu comportamento ao ser lembrado de sua mãe, e do seu irmão. Ele é uma pessoa mimada, gananciosa e bem patética, mas tudo isso ajuda muito no charme. 

Com tudo isso dito, o rei ainda não consegue roubar a cena, ainda mais com tantas cenas divertidas rolando. Fica bem claro que o filme inteiro tem um ar de comédia, diferente do que estava sendo feito antes, onde as coisas eram mais equilibradas. E, para esse filme, funciona. A atmosfera colorida e tudo mais permite (até pede) por algo do gênero. 

No entanto, é importante afirmar que alguns momentos do filme se tornam bem sombrios, quando se trata de Disney, referindo-se de volta à Bela Adormecida, com a ideia de que facas e espadas são letais. Uma das cenas que isso se mostra é quando João Pequeno ameaçando o rei João com uma adaga. Isso também é provado com o constante uso de flechas como armas. Do jeito que estou falando, pode não parecer muito, mas, em algumas cenas, a evidência acaba se provando. 

O que mais falar? Bem, a narrativa do filme, que é muito bem dirigida pelo galo trovador que falei antes. É interessante ter um narrador participante, ainda mais quando ele se mete em situações que se mostram relevantes à história inteira. Isso dá um ar de novidade.

Mesmo com todos esses elogios, devo dizer que, assim como Aristogatas, existem algumas cenas mais... Constrangedoras, por assim dizer. A cena de introdução de Maid Marian é um bom exemplo disso, não por conta do romance exagerado que ela tem por Robin, mas mais pela situação em que apresentam ela. É uma cena longa demais... 


Apesar desse detalhe, é um filme ótimo, sem dúvidas... As cenas no geral são divertidas, e o filme ousa um pouco mais com uns toques menos cartunescos. Mas, como eu disse antes, funciona, e ajuda para o charme geral. 

Bom, o próximo da lista não é sobre uma lenda, e sim um conto. É sobre animais também, mas com um pouco mais de mel.

P.S.: Eu sei que alguém pode chegar e perguntar isso, então vou simplesmente dizer logo. Eu sei que esse filme, assim como os outros desde o 101 Dálmatas, tem animações repetidas várias vezes. Esse filme, inclusive, se usa de animações usadas em Mogli. No entanto, por isso ser um problema de tecnologia da época, não compromete tanto a produção aos meus olhos, não quando a arte consegue se manter boa.

domingo, 22 de junho de 2014

As Aristogatas (1970)


A Dama e o Vagabundo é um dos melhores filmes que assisti até agora, no catálogo do projeto, isto é. O filme começa explicando que é uma carta de amor a todos os cachorros, e a forma como os personagens caninos se comportam reflete bem isso.

Gosto de pensar que o filme “As Aristogatas” é uma forma de agradar aos felinos também. É difícil não compará-lo com Dama e o Vagabundo porque vários elementos são curiosamente semelhantes.
Apesar de não ser tão bom quanto a obra prima dos anos 50, As Aristogatas ainda é um filme com muito charme, classe e, agora que parei pra pensar, uma boa análise em temas como comportamento social. Estranho dizer isso quando estou falando de um filme que protagoniza gatos? Com certeza...


O filme ocorre em Paris, e conta a história da gata Duquesa e seus filhotes, animais de estimação de uma aristocrata francesa gentil e solitária, Madame Adelaide Bonfamille, que vive apenas com seu mordomo, Edgar. 

Por conta da classe social de sua dona, Duquesa age como seu nome indica que ela aja, tendo a diferença de que ela não é esnobe, apenas prefere manter-se educada e com postura.
Seus filhos, Marie, Toulouse e Berlioz, agem da maneira que você espera. São crianças sendo crianças. Honestamente, eles agem bem até demais... São crianças, certo, mas mimadas e bem chatas em alguns momentos, pelo menos no começo do filme. 


Eles tinham uma boa vida, eram bem tratados, e tudo mais... Até o dia em que Adelaide decide fazer seu testamento. Ao revelar que ela pretende deixar todos os seus bens e fortuna para seus gatos, o mordomo Edgar acaba ouvindo tudo, e fica furioso ao saber que ele só terá alguma coisa depois que os quatro gatos morrerem. 

Frustrado com isso, ele sequestra os gatos da Madame no meio da noite, e, depois de uma série de trapalhadas (sendo seguido por dois cachorros metidos a oficiais de exército), ele acaba abandonando os gatos debaixo de uma ponte, no meio do nada. 

Por conta de uma tempestade, Duquesa mantém seus filhos onde estão e espera o amanhecer. Quando surge o sol, eles conhecem o gato vira-lata Thomas O’Malley, que acaba servindo como uma figura semelhante à do Vagabundo, mas, um pouco mais sofisticado.
 Thomas se candidata a levar Duquesa e os gatinhos de volta para sua dona, em Paris. O resto do filme se desenrola justamente nessa jornada.

Um dos pontos que eu gostaria de comentar é que, de um jeito ou de outro, essa é a primeira vez que a Disney forma um casal de personagens não só adultos, mas de vidas praticamente formadas. No caso, um vira-lata solteirão e uma mãe de família. Existe uma química entre Thomas e Duquesa, mas nada tão impactante. 


 O que chama atenção é a maneira como a Duquesa trata seus filhotes, sempre com muito cuidado e paciência, independente do que eles tenham feito. Mais uma vez, isso remonta à personalidade dela.

Um dos pontos altos do filme é o mordomo Edgar. Ele é um dos vilões mais curiosos até agora, justamente por ser um dos mais simplórios e menos maléficos, de fato. Ele é movido pela ganância de usufruir do dinheiro de sua patroa quando ela se for, e nada mais. No entanto, ele não consegue aceitar o fato de que o dinheiro estará no nome dos gatos, e isso o enfurece.

O que é bacana sobre ele, também, é o fato de que ele é um simples mordomo, nada mais, nada menos. Tanto que ele nem faz ideia de como cometer um crime de fato, e se atrapalha todo. Não só isso como ele é extremamente divertido de se assistir. O filme o pune constantemente, e quase todas as cenas dele são dignas de um sorriso, já que ele sempre tem algo que esquece de fazer, ou um detalhe que ele não calcula à frente.
Fazendo uma comparação simples, ele não tem tanta classe quanto Shereekan, por exemplo, mas é mais divertido de ver, e isso compensa.

Os demais personagens do filme, na verdade, tem importância nos eventos finais do filme, e isso é um raro caso onde todos os personagens tem algo grande pra fazer, nem que seja uma ajudinha aqui e ali.

Mas, mesmo com todos esses elogios, é inegável que o filme ainda tenha seus momentos mais fracos. As músicas são um bom exemplo. Apesar de terem um bom refrão, e serem divertidas, suas introduções são, geralmente, bem estranhas de assistir, dando um pouco de vergonha alheia inclusive. São momentos bobinhos, mas que não atrapalham o ritmo geral.

Pra fechar, só gostaria de dizer que esse é um filme divertido de ver, especialmente se você estiver na mente de uma criança. Não só as situações dos gatos são interessantes, como também o vilão é bem divertido. Vale à pena assistir, ainda mais sendo pouco menos de uma hora e meia. Dê uma chance.
A propósito, existem gansas nesse filme, e elas são inglesas. Me pergunto se elas conheciam uma certa lenda britânica...

Mogli - O Menino Lobo (1967)



 Depois de ter me aventurado no desconhecido com A Espada era a Lei, o próximo filme da lista era algo bem mais familiar. 

A lenda de Mogli, o Menino Lobo, é uma das produções mais conhecidas da Disney e, como tantos outros, ganharia popularidade o suficiente pra se tornar numa franquia, embora não tão duradoura quanto os Dálmatas, por exemplo. 


A vantagem que esse filme tem sob o último é que não se trata de uma prévia para acontecimentos épicos e guerras de lendas, e, sim, como um jovem órfão que passou a vida inteira na floresta tem que voltar para os seus iguais. 

Dito isso, ainda é possível ver algumas heranças que a versão do Rei Artur da Disney deixou nesse filme. Pra começar, existe um certo ritmo episódico, com vários momentos podendo ser, perfeitamente, separados e divididos para um desenho animado. No entanto, a grande diferença é que, aqui, cada um deles acaba tendo um nível de importância para a história no final das contas.
Sem contar que o ritmo do filme é infinitamente mais divertido. Dessa vez, não se trata de ensinar uma lição sobre valores, como era com A Espada era a Lei, mas apenas deixar a história seguir seu rumo; em outras palavras, tudo está conectado e tudo ajuda no ritmo. 

Vale mencionar também que Mogli volta um pouco às origens, adicionando cenas musicais, coisa que não se via há algum tempo. As músicas do filme são ótimas, e combinam bem com o estilo da história como um todo. A mais famosa delas, cantada por um dos personagens mais famosos do filme também, é muito divertida de ouvir.

A história do filme é sobre um “filhote de homem” chamado Mogli, que, depois de ter sido criado desde muito pequeno por uma família de lobos, deve ir para uma aldeia de homens, para fugir de um tigre perigoso chamado Shereekan. 

Como eu disse anteriormente, o estilo de narrativa do filme tem um bom ritmo, e é certamente saudável. O mesmo vale para os personagens do filme, e como os mesmos são bem memoráveis. Só é difícil lembrar de todos os nomes...

O primeiro personagem que conhecemos é a pantera Baguera, cuja personalidade imediatamente chama atenção. Ele procura sempre ser cuidadoso, mas acaba sendo impaciente várias vezes.

Obviamente, não posso esquecer do amante do necessário, o urso Balu que, de todo jeito, acaba sendo o segundo personagem mais importante da história. 


O que eu acho bacana nele é justamente o fato de ele nunca mudar completamente. Até mesmo em cenas de maior tensão, ele continua tendo os mesmos comentários, e seu estilo geral permanece, o que é ótimo. 

Há mais personagens, como a cobra Ka, o macaco Lu, dentre outros, mas eu creio ser melhor falar logo do protagonista Mogli, que é um dos mais curiosos do catálogo Disney até agora. Meu interesse em falar dele é mais por conta de sua personalidade, e seus objetivos. Ele age, de fato, como um menino de dez anos, tem todas as características de um, e acaba sendo bem identificável.

Apesar de seus amigos insistirem que ele saia da floresta para seu próprio bem, Mogli não tem medo do tigre, e não quer fugir dele. Ele quer ficar onde sempre esteve. Ele acaba brigando com todo mundo por causa disso, e é o que gera várias cenas interessantes. 

O interessante é que quanto mais tempo ele fica na floresta, mais as coisas começam a piorar pro lado dele. A princípio, ele tem sorte, conhecendo Balu e tudo mais, mas, então, ele é sequestrado por macacos, é quase devorado pela cobra Ka e, eventualmente, se vê confrontando Shereekan (sério, não faço ideia de como escrever esse nome). 

Acho que eu só deveria finalizar isso falando do vilão. Shereekan é o vilão mais high class que eu vi até agora no projeto. Ele não só tem uma presença poderosa, como também ele sempre fala e age de forma sofisticada, tipo um esnobe rico, mas extremamente educado, se é que isso faz sentido. E ele entra em contraste com os outros personagens do filme que, de um jeito ou de outro, são mais vulgares.

Mogli – O menino lobo é um bom filme, só não chega aos pés de Peter Pan, ou Cinderela, por exemplo. No entanto, é um filme divertido, bem elaborado, e que vale à pena, embora ele dure um pouquinho mais do que deveria.

Bem, se você enjoou dos felinos desse filme porque é alérgico, pule o próximo sim? E se você odeia aristocracia, pule também... Porque, na próxima vez, teremos uma mistura dos dois.