segunda-feira, 31 de março de 2014

A Bela Adormecida (1959)

Eu tenho certeza de que eu já assisti esse filme quando eu era criança. Só que eu acho que assisti ainda muito novo, já que eu não lembrava de 99% da história. Tudo o que vinha na minha cabeça eram imagens de algumas cenas.
Então, me pus a assisti-lo para o Projeto 50, já que ele era o próximo da lista. E, bom, minhas reações são mistas...


Como você já deve ter notado, A Bela Adormecida marca a aparição da terceira princesa Disney, e segue para a noção de contos de fada mais uma vez.
Outra vez, nós temos os velhos clichês de princesa em perigo, príncipe encantado e outras coisas.
O interessante, no entanto, é a forma como o filme se mostra.

De todos os apresentados até agora, é bem provável que este seja um dos filmes mais importantes da Disney, no momento em que lançou, visto que ele toma vários passos à frente em um rumo positivo.

De um lado, nós temos várias evoluções, como uma vilã realmente poderosa (que não precisa se usar de truques) e assustadora, um príncipe bem mais desenvolvido do que os outros, tendo enorme importância na trama, e um trio de fadas que são responsáveis pelas cenas cômicas e por várias escolhas importantes.

Vamos analisar o filme pedaço por pedaço, sim?

Assim como Cinderela, A Bela Adormecida herda vários elementos da Branca de Neve, tais como: a presença de vários animais que cercam a protagonista, um príncipe de boa aparência e uma vilã do sexo feminino um tanto assustadora.

Bom, eu gostaria só de mencionar os problemas que eu tenho com este filme, antes de ir e explicar os avanços. E o pequeno espinho nessa rosa é a própria princesa Aurora (ou Rosa, como ela é chamada na maior parte do filme). Apesar de ela ter a melhor história de fundo até agora de muitos personagens da Disney, e das princesas no geral, ela acaba sendo bem sem graça e pouco desenvolvida. Sempre que a vemos, ou ela está cantando, ou ela está chorando. Claro que tudo tem suas razões, mas, depois de Cinderela, é decepcionante ver uma princesa que não faz nada na maior parte do tempo.
Não é pra dizer que ela não tem seus momentos. Ela não é um gatinho assustado como Branca de Neve, mas não é desenvolvida como Cinderela, e esse é o meu problema.
Parece que Aurora só está lá por... Estar...

Fora a princesa, no entanto, esse filme marca, como eu disse antes, uma série de avanços.
A começar pela vilã da história.


Mantendo comparação apenas com os dois outros contos de princesas, Malévola é um marco e tanto porque ela não é só ar quente. A auto-intitulada Rainha do Mal tem incríveis poderes, um mundo de capachos só pra ela, e sabe assustar como ninguém. Ela, inclusive, é a grande responsável por alguns pontos importantes da história.
Sua personalidade também é interessante, já que ela sabe se mostrar irada quando as coisas dão errado, surpresa, ou feliz (o que não é difícil ver em um vilão Disney).

A outra grande atração aqui é o Príncipe Felipe. É! Você não ouviu errado. Essa é a primeira vez que vemos um "Príncipe Encantado" ser realmente útil pra alguma coisa. A começar com o fato de que ele tem um nome!


O que chama atenção, além do fato de que ele tem personalidade, é que é ele quem faz as cenas mais interessantes do filme, mostrando bravura, boa capacidade luta (enfrentando vários capachos de uma vez, até), e até mesmo pensamento e reflexos rápidos. Ele consegue também divertir em algumas cenas com seu cavalo, e até o seu primeiro encontro com Aurora é bacana.

A luta final do filme é bem violenta para o que vimos até agora, e é uma cena muito divertida de assistir.

Talvez eu devesse citar algo das três fadas Flora, Fauna e Primavera, mas acho melhor que você confira o filme por si mesmo para que possa tirar suas impressões delas. Se quer mesmo saber o que eu acho... Bom, elas são bem desenhadas como personagens também.


E isso é Bela Adormecida para você... Minha única reclamação é que a Princesa não é tão bem explorada como deveria ser. No entanto, todos os outros elementos do filme quase compensam por isso, e não deixa de ser algo que eu recomendo, especialmente para aqueles que querem ver o melhor príncipe até agora em ação.

A propósito... O que vocês acham da ideia de casaco de pele? Eu digo que é coisa de gente cruel.

sábado, 29 de março de 2014

A Dama e o Vagabundo (1955)

Praticamente todo mundo na infância já quis ter um bichinho de estimação. E muitos já tiveram (ou ainda tem) um animal em casa a quem dão carinho e afeto.
Mesmo com todas as suas bagunças, chinelas e panos rasgados, sujeira feita na casa e vários objetos quebrados, depois que criamos afeto por nossos cães ou gatos, já era. Nós os amamos e os queremos por perto durante toda a nossa vida.
Cada um deles tem suas próprias personalidades: seja a astúcia do gato, ou a lealdade do cão.

No caso dos nossos amigos caninos, eles são considerados como o "melhor amigo do homem", são leais, ficam felizes com sua chegada e adoram você.
Foi em uma homenagem a eles que surgiu mais essa pérola.


Nas suas palavras iniciais, Dama e o Vagabundo se introduz como uma homenagem a todos os cachorros do mundo. E isso se mostra verdadeiro quando paramos para ver as animações e as reações de cada um deles, que se comportam como cães, de fato. Na verdade, a única coisa que os diferencia dos animais verdadeiros é a capacidade de falar.

A história começa em um natal, com o surgimento da cadelinha Lady na casa dos Darling, quando ela é dada de presente para a esposa. Sem dizer mais, dá pra saber que ela rapidamente conquista o coração de seus dois donos.
Os dez primeiros minutos do filme são, pra ser bem sincero agonizantes, mas não num sentido ruim. Se você tem um cachorro, e tem ele desde que ele era pequeno, você vai reconhecer cada momento inicial aqui, e, sabe o que? Vai bater uma onda de nostalgia na sua cara e, você pode ser o macho que for, você vai chorar de saudade (ou ao menos chegar perto).
Coisas como arranhar portas, ganir ao ficar sozinho, curiosidade do mundo ao redor e farejar o que aparecer são coisas que Lady faz no começo do filme, e é uma beleza de assistir.

De todo jeito, após essa introdução, temos um pulo de seis meses, quando Lady ganha a sua coleira e licença. Nessa hora, somos apresentados aos outros personagens do filme. Vemos primeiro os cães Joca e Caco, também parte da "alta sociedade", assim como Lady e seus fiéis amigos.
Depois, somos introduzidos ao nosso segundo titular, o cão simplesmente conhecido como Vagabundo que, assim como Lady, tem seu estilo de vida apresentado a nós.

É interessante comentar como os dois são completamente diferentes, tendo "ideais" diferentes do mundo e em relação aos humanos.

Quando sua dona fica grávida, Lady comenta com Joca e Caco que acha que fez algo de errado para que seus donos não lhe prestem tanta atenção quanto prestavam antes. Nesse momento, surge Vagabundo, que comenta com ela que, quando um bebê humano chega em uma casa, é o fim dos confortos de um cachorro.
Assustada com isso, ela vê os meses passar e começa a se sentir mais e mais abandonada.
Mas, para a surpresa geral, depois que o bebê nasce e Lady vai até lá para saber o que ele realmente é, ela simplesmente ama o pequeno Darling! Inclusive, seu dono Rick a levanta um pouco mais para que ela possa ver o rosto dele.

Com isso, Lady passa a ser a protetora do bebê, e, quando seus donos vão em uma viagem, ela decide ficar protegendo-o.

A questão aqui, e a grande "vilã" do filme, é ninguém menos do que a maquiavélica, terrível e assustadora... Tia Sarah!! [toquem som de trovões, por favor]

Por algum motivo, titia Sarah não gosta nada de cachorros (vai ver que é porque ela tem dois gatos siameses), e não aceita o fato de que Lady fique perto do bebê, expulsando-a do quarto.

Quando Lady vai para o térreo, ela descobre uma cesta que contém dois gatos siameses, e os mesmos podem muito bem ser parentes distantes do Lúcifer de Cinderela, já que são igualmente irritantes.
Eles fazem uma baderna na casa e culpam a pobre Lady.

Preocupada com a segurança do bebê e dos gatos, Tia Sarah leva Lady até um Pet Shop, onde ela quer lhe comprar uma focinheira. Não preciso dizer porquê, Lady foge de lá e, enquanto corre pela cidade se encontra com Vagabundo novamente.

Ele a ajuda a tirar a focinheira e os dois passam o resto do dia juntos, conhecendo mais sobre si mesmos, tendo um jantar romântico e vendo um luar bem bacana antes de dormir...

Espera, espera, espera... Eu disse.... JANTAR ROMÂNTICO?!?!

Sim, sim! Se você tem noção de cultura pop, conhece muito bem a cena onde a Dama e o Vagabundo jantam um espaguete. Você provavelmente já viu essa cena centenas de vezes, só que, talvez nunca tenha relacionado a isto:

Adorável, não?
Sem entregar muito sobre o filme, Lady eventualmente retorna ao lar, e, por ter fugido, Tia Sarah a prende na sua casinha.
Lá, ela descobre que um rato entra na casa, mais precisamente no quarto do bebê. Aterrorizada com as possibilidades, ela começa a latir por ajuda, e, mais uma vez, Vagabundo vem ao resgate.
Ele entra na casa e começa a lutar com o rato (em uma luta bem mais épica do que seria na vida real, mas... ainda é uma luta épica). Depois de tanto forçar a corrente da sua coleira, Lady consegue se soltar e corre para ajudá-lo.
Eles matam o rato, mas acordam Tia Sarah que, sem saber da existência do roedor, prende Vagabundo no armário e Lady no porão, correndo para ligar para a carrocinha.

Quando os homens chegam e levam o animal, chegam também os Darling de viagem. Ao ver o que está acontecendo, eles correm para dentro de casa para entender melhor. Lá, eles encontram Lady, que os mostra o rato morto.
Percebendo o mal entendido, eles correm para a carrocinha para impedir que o Vagabundo fique... "preso".
Essa cena é bacana por que todos os personagens realmente importantes fazem uma aparição (o que inclui Joca e Caco), e todos tem algo importante a revelar.

Então, Vagabundo é salvo e passa a viver na casa com Lady e os Darling. Eles tem muitos filhinhos e... O fim...

É, eu acabei de resumir o filme em pouquíssimas palavras, mas isso foi para incentivar você a ver o filme. E, uau, eu achei magnífico.

Não só os personagens são muito carismáticos, como não há nenhum canino realmente inútil nessa história. Mesmo sendo uma "dama", Lady ainda se comporta como uma cadela se comportaria, caçando o rato para matá-lo, cavando ossos, fazendo truques, ficando de pé, roçando a parede... etc... E isso mostra que não há nenhum animal indefeso na história.
As animações são muito boas, e os cenários são bem memoráveis. A casa dos Darling é um exemplo disso.
Curioso ressaltar que o filme não conta com muitas músicas. Na verdade, existem apenas duas ou três no filme inteiro que são fáceis de destacar, e isso fez bem, já que o filme mostrou que não precisava delas para contar sua história.

Pra fechar, A Dama e o Vagabundo é um filme encantador, divertido, e que merece sua atenção, tendo você um cachorro ou não.
Ele nos mostra a fidelidade dos cães, assim como muito do que eles fazem é para proteger seus próprios donos.
Resumindo: é um filme bom! Vá assistir!

Agora, se você me permite... *bocejo* Vou tirar um cochilo... Bateu um sono de repente.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Peter Pan (1953)

Não faço ideia de quando eu assisti esse filme pela primeira vez. Se eu pudesse adivinhar, diria que foi há uns 17~16 anos atrás. Eu era uma criança que, depois que assistiu Peter Pan imediatamente se apaixonou pela ideia de voar.

Todos nós já estivemos assim, não é mesmo? Bom, sem mais delongas, entrego a vocês um dos pilares de muitas infâncias: Peter Pan!

Estamos onde eu gosto de chamar de "Terceira Fase da Disney", marcada por longa-metragens de um enredo só e baseados em contos de fadas e outras histórias "imortais".


O terceiro filme dessa fase é a história do garoto que nunca cresceu, o imortal Peter Pan. Da mesma forma que Alice e o País das Maravilhas foi em seu tempo uma "escapada" do típico clichê de princesas e príncipes encantados, Peter Pan também foge a essa regra.

O enredo é, de forma resumida, o seguinte:
Quando Molly e seu marido George vão sair à noite, eles deixam seus filhos Wendy, João e Miguel sozinhos em casa, sob a tutela da irmã mais velha.
Naquela mesma noite, eles são visitados por ninguém menos que o imortal Peter Pan, que está à procura de sua sombra, ao lado de sua fadinha Ti-Lim-Tin (que seria eventualmente chamada de "Sininho" e, ainda eventualmente, de "Tinker Bell").
Depois de alguns curiosos acontecimentos, o grupo voa por Londres e, de lá, segue direto para a mágica e misteriosa Terra do Nunca, um dos lugares mais memoráveis e amados já retratados pela Disney.

Não quero entrar em mais detalhes quanto à história, não só porque muitos aqui já devem se familiarizar com a mesma (tornando algo mais detalhado redundante), como também existem as pessoas que não assistiram esse filme, e que tem que ver tudo com seus próprios olhos para que possam aproveitar bem!

O que eu gostaria de analisar bem é como cada personagem é bem desenvolvido nessa história. Quase não há histórias de fundo, então o filme precisa manter as personalidades de cada um deles bem fáceis de descobrir.
E, adivinha só, ele faz um trabalho espetacular!

A querida Wendy é bem isso mesmo: adorável, amável, compreensiva (até certo ponto) e um pouco revoltada com a vida (mas um amor de todo jeito).
Ti-Lim-Tin também parece bem real, sendo possuída de ciúmes por Peter e Wendy a praticamente todo minuto do filme, o que a leva a fazer diversas ações que vão ter consequências mais à frente.
O pequeno Miguel é bem brincalhão e faz jus à sua idade (ele ainda tem cara de bebê, inclusive!).

Um de meus favoritos é João, que, para um garoto de menos de dez anos, ele tem atitudes de líder e aceita derrota quando não vê outra alternativa! Para minha surpresa, ele parece um sargento veterano de guerra!
Tem uma cena em que ele, Miguel e os Meninos Perdidos são capturados pelos índios, e ele segue de olhos fechados e cabeça erguida!! Tipo, que raios de moleque tão disciplinado é esse e ONDE ELE ESTÁ AGORA?!?! Eu preciso aprender seus segredos!


Obviamente a estrela do filme é ninguém menos que o personagem titular, Peter Pan (chamado de "Péter" na tradução brasileira da época, ao invés de "Píter", que é a pronúncia do inglês). Apesar de ser um líder nato, Peter tem um espírito de criança e age de forma imatura em vários momentos, pondo até mesmo sua vida, e a de outros, em risco. Talvez essa seja a forma encontrada para mostrar que ele é, de fato, um menino que não cresceu. Mas, mesmo com essas atitudes infantis, ele ainda é um herói interessante e sabe ser maduro nas horas necessárias.

Só que tem um outro personagem que ainda não mencionei, e que simplesmente comanda esse filme. Isso mesmo... Estou falando dele!

SMEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!!
EXATAMENTE! O melhor vilão que já saiu da Disney até hoje! O infalível, o hilário, o inacreditável, o invencível Capitão Gancho!
Deixe-me explicar porque ele é um personagem tão divertido.
Como vocês já devem saber, Gancho sempre teve uma rixa com Peter. Em um de seus muitos combates, Peter cortou fora a mão esquerda do Capitão, que caiu ao oceano e foi devorada por um crocodilo. O desgraçado gostou tanto do sabor que, desde então, ele caça Gancho, na esperança de devorá-lo inteiro.
Mas, em uma dessas caçadas (ou algo assim), o Crocodilo acabou comendo um relógio despertador, e, agora, sempre que ele se aproxima, é possível ouvir o Tic Tac Tic Tac Tic Tac.
É óbvio que eles abusam disso no filme. As cenas de Gancho são extra divertidas por causa do bendito crocodilo, além, é claro, do Sr. Smee, o homem de confiança de Gancho, que é bem atrapalhado.
Quando Gancho está em cena, na maioria dos casos, ele está em risco de ser encontrado pelo crocodilo. Então, ele conta com o Sr. Smee para ajuda-lo a se defender e...

Quer saber? Ao invés de ficar aqui falando e falando... Veja essa cena, fará bem mais justiça.



Agora você entende porque eu amo esse filme.

Bom, acho que já deu.
Esse filme é um tremendo clássico, e merece ser assistido por todo mundo. É um filme divertido, bem elaborado e bem contado. Existem alguns momentos aqui e ali que não envelheceram bem, mas de nada retiram da glória desse filme.

Se você puder, assista! Eu lhe garanto que não é uma perda de tempo!

Agora, se me permite, ouvi dizer que estão vendendo macarrão e almondegas bem quentinhos aqui perto, e que é um ótimo lugar para se levar alguém especial... Talvez uma dama se satisfaça...?

sábado, 22 de março de 2014

SOUL - Verão - Parte 2

Em Turnacius, existia uma montanha íngreme, a qual ninguém conseguia escalar. Sua cratera era sempre cercada de uma névoa intensa, proibindo que qualquer pessoa fosse capaz de ver o que havia lá dentro.
No fundo daquela cratera, bem abaixo do nível do mar, havia um paraíso secreto, onde descansava um palácio gigantesco, com suas paredes pintadas de cinza, escondido pela névoa e pela escuridão. Não havia janelas visíveis do lado de fora, e sua estrutura parecia ter sido arruinada com o tempo, com algumas rachaduras nas paredes, e vários tipos de plantas crescendo por entre as mesmas.
A única coisa que parecia ter sobrevivido ao teste do tempo, de toda a fachada, foram os portões, que, apesar de enferrujados, ainda não estavam amassados, e cabiam no seu lugar de direito.

Foi essa a paisagem que Marcus e Sofia encontraram ao final do longo túnel, mas eles não conseguiam vê-la, exatamente. Seus olhos eram cegados pela névoa que cobria todo o local.
No entanto, o que os guiava ali, não eram as imagens que seus olhos projetavam, mas seus instintos, que haviam sido treinados centenas de vezes antes, e que lhes ensinaram a enxergar tudo o que os olhos não veem.
Marcus já havia dominado essa habilidade há anos, mas Sofia ainda tinha dificuldades vez ou outra. Por conta disso, ela preferia que ele a guiasse, enquanto ela tentava se concentrar melhor.

Eventualmente, os dois chegaram até os portões. Eles eram grandes e pesados, mas Marcus era capaz de abri-los sozinho; afinal, já o tinha feito várias vezes antes.
Quando eles foram abertos, uma luz forte podia ser vista do outro lado. Rapidamente, ambos seguiram para dentro, e fecharam os portões assim que chegaram do outro lado.

A primeira ala do palácio era imensa e se estendia por dois quilômetros, com uma enorme escadaria ao final. Haviam diversas portas espalhadas pela mesma, e várias colunas seguravam o andar de cima.
Lá dentro, haviam centenas de pessoas, todas andando de um lado para o outro, cada um com seus afazeres. Todos usavam roupas parecidas com as de Marcus e Sofia, com poucas diferenças entre si. Alguns estavam com seus capuzes levantados, enquanto outros tinham cores de camisa diferentes, talvez um cinto mais claro do que o outro... Mas, no geral, a cor predominante era preto.

Pode parecer estranho, mas a cor preta era a favorita por ser mais fácil de se esconder nas sombras do que outras cores. Sofia já se viu imaginando um assassino usando uma roupa multi-colorida, como uma camisa verde-clara, calças alaranjadas e botas vermelhas, e, nem mesmo na sua cabeça, aquilo poderia acabar bem...

Ambos andaram mais alguns metros, até que ouviram uma voz familiar chamando-lhes à distância:

- Marcus! Sofia!

Os dois olharam em sua direção, e viram um homem negro, alto, de cabelo raspado e com um porte físico que, mesmo com ele usando muitas roupas, era fácil de delinear.
Aquele era Frankus, ou Frank, como o chamavam; ele era um amigo de muito tempo de Marcus e Sofia, e havia se tornado membro de SOMBRA no mesmo tempo que eles. Eles eram bons amigos, embora ele nunca tenha se tornado tão íntimo com Sofia e Marcus quanto os dois eram entre si. Apesar de suas idades não serem tão diferentes, Frankus tinha um conhecimento melhor das leis de SOMBRA, assim como dos códigos penais e direitos dos turnos. Em outras palavras, ele era um intelectual notável, mas não desses que julgam a falta de saber dos outros, e sim daqueles que cura a falta de saber com o saber.
Frankus também era incrivelmente tolerante, e já engoliu muitos absurdos em seu passado, justamente para não causar brigas que ele julgava desnecessárias.
Suas tarefas em SOMBRA quase sempre se tratavam de soluções diplomáticas, embora ele fosse capaz de assassinar caso seu alvo fosse um caso "incurável". Por conta disso tudo, ele já havia apertado as mãos de todos os reis, e já havia consertado crises inimagináveis, embora poucos conhecessem seu rosto, já que tudo era feito nos bastidores.

- Frank. - respondeu Marcus - Achei que você estava no Reino da Água, hoje...
- Ah, aquilo? Dei um jeito de consertar tudo antes de chegar lá... - respondeu Frankus - Não quis viajar dessa vez. Estou ficando velho pra isso.
- O que eu não faria pra trocar de lugar com você, Frank... - disse Sofia, com um tom melancólico, o que fez Frankus rir. - Ei, sabe onde nós podemos encontrar o Seurosia, hoje? Ele... Não viajou, né?

Frankus parou sua risada, e olhou ao redor, como se procurasse alguém:

- Bom, eu ainda não o vi hoje, mas também não sei de nenhuma viagem dele. - explicou.
- Se eu o conheço bem, deve estar na ala leste... - comentou Marcus - Mexendo com os bichinhos dele. - terminou, dando um tom sarcástico quando disse "bichinhos".
- Ele ainda chama aquilo de "bichinhos"? - perguntou Sofia. - Eca. - terminou, tendo um leve calafrio.
- Deve ser o caso... - concluiu Frankus - Pra que vocês querem falar com ele? Alguma coisa importante?
- Bem, nós... - disse Marcus, sendo interrompido por Sofia.
- Sim! Absolutamente sim! Tem algo que queremos falar pra ele com urgência!
- Nesse caso, eu levo vocês até ele... - respondeu Frankus - Com essa empolgação, é melhor que tenha alguém segurando a coleira de vocês...

Os três seguiram pela ala.

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Em uma sala gigante e escura, isolada do resto do palácio por um corredor imenso, existiam diversas jaulas de tamanhos grandiosos. Dentro da maioria delas, habitavam criaturas incomuns, monstruosas e selvagens. Seus visuais eram estranhamente exóticos, e pareciam ter sido fabricados por uma mente sádica.
Esse pensamento não era necessariamente falso.

Desde que se tornou o líder dos Assassinos de SOMBRA, aquele conhecido como "O Seurosia", um nome turno que vinha da expressão "O mentor retorcido", havia iniciado vários experimentos científicos em junção com os reinos de Turnacius para criar armas biológicas, com o objetivo de usá-las como último recurso caso uma nova guerra se iniciasse.
Essas informações nunca saíram dos bastidores, mas até mesmo vários militares e assassinos de SOMBRA julgavam o projeto algo cruel e desumano.
Durante anos, houveram diversos conflitos internos e, eventualmente, Seurosia se viu obrigado a abandonar seus planos, ou seria retirado do cargo.
Mesmo com os experimentos abandonados, os frutos anteriores ainda existiam, e não podiam ser simplesmente descartados.
Foi então que Seurosia decidiu mantê-los como seus animais de estimação, mesmo sabendo que eles eram grandes e brutais demais para isso.

Era esse o propósito da sala isolada. Lá ficavam os "animais", e lá eles eram alimentados e criados por ele.

Naquela noite, e naquele momento, lá estava ele, saindo de uma das jaulas, com um rugido satisfeito vindo logo de trás dele.

Seurosia, apesar de estar em um cargo importante dentro de uma guilda de assassinos treinados tanto em fuga quanto em luta, não tinha o porte que se imagina que ele deveria ter.
Embora fosse alto, ele era um pouco corcunda, fazendo com que sua cabeça ficasse sempre posta à frente do corpo. Junto a isso, ele era bem magro, e tinha cabelos longos, com alguns fios já brancos misturados aos inúmeros fios louro-escuros, presos e puxados para baixo, descendo pelas suas costas.
Suas feições faciais eram estranhas... Elas já mostravam diversas rugas, o deixando bem assustador, mas ao mesmo tempo mostrando que ele já foi um homem bonito há muito tempo.
Para completar, a maneira que ele se vestia chamava atenção entre os membros de SOMBRA. Ele gostava de usar ternos azul-escuros, com enormes lenços no peito, parecendo vir de dois séculos antes.
Em outras palavras, se existe algum tipo de múmia jovem, essa era Seurosia.

Saindo da jaula, Seurosia carregava em seu braço uma enorme bandeja, estranhamente feita de porcelana. Ainda era possível ver nela manchas avermelhadas, e gotas da mesma cor descendo por ela e caindo ao chão.

Ele andou alguns metros e pôs a bandeja em cima de um pedestal de pedra, fixado ao chão. Ainda no pedestal, havia um pequeno buraco com água. De maneira natural, Seurosia pôs suas mãos nele. Quando as retirou, passou uma na outra enquanto andava. Ele se aproximou de duas figuras que estavam à sua frente, uma isolada da escuridão por uma única fonte de luz que havia em cima dela, e outra escondida pelo escuro, logo atrás da outra.

Aquele na escuridão era alto, usava uma roupa completamente preta, e seu rosto se escondia, não só pelo capuz, mas por uma máscara de tecido que apenas mostrava seus olhos. Todo o resto do seu corpo se mantinha secreto.

O outro homem tinha um saco que cobria toda a sua cabeça. Ela usava uma camisa branca, de mangas longas, cheia de furos e rasgos, e uma calça preta, com sapatos sociais, ambos igualmente destruídos.
A pessoa estava amarrada em uma cadeira, cabisbaixa, e sem falar nada, embora ainda se ouvissem alguns gemidos de medo.

Seurosia se aproximou de ambos, e, com um sorriso malicioso, olhou para o homem amarrado e disse:

- Podemos começar, senhor... - disse, enquanto puxava um pedaço de papel de seu bolso e o lia - Rickenton...?

O homem gemeu de medo, e começou a se mexer violentamente em sua cadeira, tentando derrubá-la.
Irritado com isso, Seurosia olhou para o outro homem, que estava parado logo atrás do senhor na cadeira.
Com um movimento rápido, ele puxou uma seringa com um líquido azul-claro dentro, segurou o homem da cadeira e a injetou em seu pescoço, cessando seus movimentos bruscos:

- Agora, senhor Rickenton... - disse Seurosia, se abaixando para ficar com seu rosto próximo do de onde estaria o do homem - Vamos começar do zero, ok? - dizia ele, com uma voz sinistramente serena. - Eu fiquei sabendo, de uma fonte relativamente... confiável - enquanto dizia isso, ele passava sua mão na cabeça do homem, e ia descendo até sua nuca - que o senhor tem algo que nós queremos... Não é verdade?

Bem devagar, o homem balançou a cabeça negativamente. Seurosia esboçou um sorriso:

- Então - continuou ele, enquanto se afastava do homem - você não tem ideia do que eu estou falando? Tem certeza disso?

O homem repetiu o movimento.

- Poxa vida... É mesmo? - disse Seurosia, com um tom forçado de decepção - Até parece que você quer acabar como seu amiguinho ali atrás, não é mesmo? - disse ele, dando uma breve olhada para a bandeja no pedestal.

O homem se mexeu, desconfortável, e balançou a cabeça novamente, mas com mais velocidade. Seurosia abriu um sorriso e falou novamente:

- Nesse caso, você vai me dar a informação que eu quero... - ao terminar de falar, Seurosia se levantou, e olhou para o outro homem - Alshab...

O outro homem era Alshab, membro do grupo de elite de SOMBRA, e candidato a melhor assassino da história. Ele passava boa parte de seus dias acompanhando Seurosia, como um cão obediente ao seu dono. No entanto, as vezes em que ele foi mandado em missões sempre garantiam seu sucesso. Suas táticas eram letais, e seus planos, perfeitos.
 Por conta disso, ele era muito respeitado e temido pelos seus colegas.

Seguindo as instruções de seu líder, ele foi até uma mesinha que ficava ali perto. Em cima dela, havia vários documentos soltos e espalhados, cada um marcado com um carimbo que dizia INFORMAÇÃO SIGILOSA.
Após uma olhada rápida, Alshab pegou um papel de cor amarelada, mostrando que o mesmo era bem velho. Ele deu uma breve lida, e retornou para seu líder, para quem ele o entregou.

Seurosia recebeu o papel e o leu, em voz alta:

- Vejamos... Parágrafo número cinco... Tópico de... - ele deu uma pausa, para soltar uma breve risada - crimes hediondos...

O homem se endireitou na cadeira, enquanto Alshab prosseguia para ficar atrás dele.

- "Você foi acusado de roubar um item precioso da galeria dos reis, senhor Rickenton... - continuou Seurosia, andando de um lado para o outro enquanto lia - O item em particular, no entanto, não se trata de uma mera decoração de palácios. Se trata, na verdade, de uma parte essencial da, a-ham, coleção mágica dos reis.".

Seurosia abaixou o papel, e olhou na direção do homem.

- Então? Se lembra de alguma coisa?

O homem se manteve silencioso, sem se mexer. Tudo o que podia se notar era seu peito ascendendo e descendo por conta da respiração.

- Senhor Rickenton... - falou Seurosia - Devo lembrá-lo do que vai acontecer se você manter essa sua pose?

O homem se manteve imóvel, e seu peito parou de se mexer. Seurosia, sentindo que o que o homem fazia a ele era uma das mais terríveis afrontas, segurou o papel em uma mão, e deu-lhe um soco poderoso onde seria seu maxilar. O impacto foi tão forte que o rosto do homem se deslocou junto, e sua cabeça ficou parada, sendo segurada pelo pescoço e pelo ombro.
No entanto, ainda não havia nenhum traço de reação por parte dele.

Sentindo-se ofendido, Seurosia deu um olhar para Alshab, que retirou uma adaga relativamente grande da cintura, e puxou o saco que estava na cabeça do homem.
Foi naquele momento que eles descobriram o que havia de errado.

A pele inteira dele estava preta como a noite, coisa que eles não notaram devido à escuridão e por conta do foco em seu questionamento. O rosto do homem estava impossível de identificar, e, em apenas alguns curtos segundos, o seu corpo se desfez em uma nuvem de poeira.

Coberto de ódio, Seurosia começou a afastar a poeira com seus braços, enquanto tossia fortemente. Quando a poeira baixou, eles olharam para onde o homem estava, e viram apenas a cadeira, vazia.

- Mas... O que diabos foi isso? - perguntou Seurosia a si mesmo, confuso com o que acabara de acontecer.

Ele, então, notou um rastro na cadeira, formando a silhueta do homem que estava nela. Sem pestanejar, ele passou seus dedos nele, e sentiu a textura. Aquilo já lhe era familiar, mas, naquele exato momento, ele não conseguia lembrar-se:

- Alshab... - disse ele, mantendo o olhar nos dedos - Leve esse material para análise. Tenho a leve impressão de que são mais do que só cinzas...

Sem questionar, o assassino de preto puxou a cadeira consigo, e a levou para fora da sala. Seurosia se encontrou sozinho na sala, rodeado das jaulas de seus experimentos...

- Tenho a leve impressão... De que alguém fez o que não devia...

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Não havia passado mais do que dois minutos desde que Marcus e Sofia havia convencido Frankus a levá-los até o líder de SOMBRA, o impiedoso Seurosia.
Eles chegavam perto da porta que os levaria até a sala isolada onde habitavam os experimentos, quando a mesma foi aberta pelo homem misterioso que estava com Seurosia há pouco tempo.
O trio imediatamente parou naquele momento, e viu o homem se afastar, puxando uma cadeira com ele, o que causava um som extremamente irritante.
Ao olhar para ele, Marcus deixou um pouco de inveja ser esboçada em seu rosto, ao mesmo tempo em que ele se deixou tomar por curiosidade:

- O que ele tá fazendo?
- Não sei - respondeu Frankus, virando-se para Marcus - Mas deve tá fazendo porque o Seurosia mandou.

Antes de terminar de falar, Frankus virou seu rosto de volta para a frente, e deparou-se com o mesmo homem cujo nome ele havia acabado de falar.

A repentina aparição de Seurosia fez Frankus soltar um berro surdo e cair para trás com o susto. Sem alterar sua pose e tom, o líder preferiu apenas abrir um comentário:

- Sabe, Frankus, existem formas mais educadas de dizer quando alguém não está bem vestido... - ao terminar de falar, ele virou-se e continuou prosseguir caminho, mas teve seu braço segurado por Sofia.

- Espera! Espera, Seurosia! Senhor... Heh... - disse ela, soltando o braço dele, enquanto tinha de aturar seu olhar reprovador, que atacava ao seu rosto e sua mão.

- Ora, ora... Minha querida e esperta Sofia. O que posso fazer por você? - perguntou Seurosia, com um tom frio, e sem expressar a mínima animação.

- Err... Senhor, eu tenho um... pedido pra... para fazer... - gaguejava Sofia

- Ande logo, menina - dizia Seurosia, finalmente mostrando uma emoção... De impaciência.

Marcus já vira aquela situação centenas de vezes antes... Parecia algo incomum, mas o Seurosia sempre teve dificuldade em aceitar as habilidades de Sofia. Ele sempre a tratava como um animal inferior e estúpido, o que fazia com que ela desse o máximo de si para conseguir seu respeito.
No entanto, quanto mais ela tentava, mais o Seurosia parecia ter nojo.
Isso sempre frustrou Marcus, mas ele jamais teve como explicar aquilo a Sofia, embora, lá no fundo, ele soubesse de que ela estava ciente do que acontecia.

- Senhor, nós... é... Nós... - ainda gaguejava Sofia, deixando Seurosia cada vez mais impaciente.

- Nós viemos pedir uma tarefa, Seurosia - disse Marcus, interrompendo Sofia, já ficando frustrado com a insegurança dela.

- Uma tare- repetiu Seurosia, interrompendo a si mesmo com uma breve risada - Vocês são tão impacientes que não conseguem passar alguns meses parados? É isso mesmo? - dizia ele, sem nunca aumentar seu tom de voz, ou perder a sua pose de superioridade - Não é assim que as coisas funcionam, meus caros.

- Mas, nós temos uma deixa! - explicou Marcus, virando seu olhar para Sofia, que, imediatamente, entendeu do que se tratava.

Ela puxou seu aparelho e o entregou a Seurosia; nele, havia a mesma fotografia que ela mostrara a Marcus horas antes.
Ao deparar-se com ela, ele simplesmente perguntou, com pouco interesse:

- O que há com o sr. Wadosha?

- Senhor, essa foto foi tirada durante a manhã, aqui no reino neutro.

Marcus não passava muito tempo com Seurosia por perto, mas ele aprendeu a reconhecer quando seu líder deixava sua estatura poderosa de lado e tornava-se mais parecido com seres humanos, embora de forma breve. Naquele momento, ele percebeu a sobrancelha esquerda de seu líder erguendo-se levemente.

- Estranho, nenhum dos reis me notificou da presença da Ordem aqui no reino...

- O que ele carrega na mala? - perguntou Frankus, sem se importar de que estava se metendo.

- De fato... - comentou Seurosia, trocando sua expressão de indiferença para interesse repentino.

- É isso que nós queríamos pedir, senhor... - disse Sofia. - Com sua permissão, nós podíamos nos infiltrar seja lá onde eles estiverem e pegar o conteúdo dessa mala!

- Espera, espera, espera. - interrompeu Frankus, acreditando que aquela conversa estava tomando um rumo perigoso - A Ordem não é um grupo da realeza? Por que diabos nós iríamos nos meter com eles? Não estaríamos indo contra as coroas?

- E você liga, Frankus? - disse Seurosia - O fato de eles não terem me informado disso por si só é um ultraje.

- E se for só uma mala de dinheiro? Ou de outra coisa sem tanta...

- Frankus, as coroas não iriam desperdiçar os recursos da Ordem para levar dinheiro por aí. - explicou Seurosia - Se está nas mãos deles, é algo de grande valor. E reclamar esta carga preciosa é algo que devemos fazer, para lembrar a eles quem é que mantém a ordem política nesse país.

- Então... Isso significa que a gente tem uma tarefa? - perguntou Sofia, com suas expectativas bem altas.

Mediante àquela pergunta, e antes da resposta de Seurosia, Marcus sentiu-se cheio de antecipação. De repente, aquela ideia de Sofia não parecia tão ruim... Eles poderiam se dar bem, no final das contas. Ele se sentia bem ansioso, quando ouviu a resposta de Seurosia:

- Não seja ridícula, minha querida. - disse ele, ainda olhando para a fotografia, com sua cabeça imaginando as possibilidades, e arruinando as esperanças de Sofia - Uma missão como essa requer assassinos de máxima elite. Vou ver se encontro Alshab e falo com ele a respeito!

Ao terminar de falar, Seurosia empurrou o aparelho nos braços de Sofia e seguiu na direção a qual Alshab tinha ido anteriormente.
Chocada com mais uma tentativa falha de se mostrar útil ao grupo, Sofia imediatamente caiu de joelhos e ficou vendo o vazio, segurando o aparelho por entre seus dois braços, cruzados, e boquiaberta.
Ao ver sua expressão, Frankus imediatamente foi atrás dele:

- Seurosia! Espera, você não pode fazer isso! Tem que dar a eles uma chance! - dizia ele, enquanto ia na direção de seu nada amável líder.

Enquanto Sofia se mantinha agachada no chão, com sua cabeça lentamente descendo, para tentar esconder a vergonha que ela sentia, Marcus aproximou-se, ficou de joelhos em frente a ela, e lhe deu um abraço, com seu espírito já acostumado com o sabor da derrota:

- E-eu achei que ia dar certo dessa vez, Marcus! Eu j-juro que achei que... - gaguejava Sofia,

- Vamos sair daqui... - disse ele, com um tom de voz confortante e sereno - Não queremos chamar mais atenção do que deveríamos...

Ele, lentamente, ajudou Sofia a se levantar, e a ajudou a ir para o lado de fora do palácio.