sábado, 15 de novembro de 2014

Treinamento de narrativa #9

AVISO: A postagem a seguir havia sido escrita no dia 15/11, para chegar dia 15/11, mas acabou não podendo ser publicada por razões além da minha compreensão de mortal. Isso vai explicar alguns detalhes que eu achei melhor não mudar... Obrigado pela sua atenção! :3

Hoje, eu vou fazer algo diferente (e que, muito provavelmente, vai causar ódio entre alguns "leitores"). Nessa edição, vou mandar duas narrativas, de fato, ambas com o mesmo tema, mas abordagens completamente diferentes. Ah, sim, também tenho essa imagem para ilustrar a ocasião!



Não sei se tenho alguma ideia do que falar aqui... Então vou deixar quaisquer comentários pra depois dos textos... Boa leitura... Eu espero...

Texto 1
Narrador: 3a pessoa
Tema: Diálogo/Política
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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Treinamento de Narrativa #8

Não preciso mais dizer sobre o que vai ser esse texto...
Tema: Sobrenatural
Narrador: 3a pessoa
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domingo, 24 de agosto de 2014

Projeto 50: O Veredito, e Big Hero 6

Eu não me lembro ainda que bicho me mordeu pra que eu fosse inventar de assistir mais de 50 filmes e escrever uma resenha pequena sobre cada um. Parte de mim acha que foi depois de assistir Enrolados pela primeira vez, outra acha que era por causa de alguma coisa do Mickey, ou eu só tava muito desocupado na época.
O que importa é que cá estamos, uns três anos depois, finalmente com a nossa meta cumprida. Pra fechar de vez o Projeto, eu apenas gostaria de mandar uns pensamentos finais a respeito disso tudo.

Bom, esse talvez foi um dos meus projetos mais divertidos de fazer. Como eu disse há tanto tempo atrás, sempre gostei muito das animações principais da Disney. Ao rever toda a lista, eu lembrei de filmes que não via há anos, uns desde a infância, até. Não preciso nem lembrar da nostalgia né? Além disso, também vi alguns pela primeira vez. Apesar de isso contar com filmes recentes, como Detona Ralph e Winnie the Pooh, também significou conhecer alguns que eu mistificava desde a infância, como A Espada era a Lei, O Caldeirão Mágico e Oliver e sua Turma.
Enquanto eu assistia, é inegável que encontrei alguns filmes mais fracos do que outros, como os musicais dos anos 40, que ficavam bem chatos, o que não me surpreendeu. É de se esperar que todo mundo dê seus tropeços.
Os que eu gostava quando pequeno, no entanto, continuavam bons, senão melhores do que antes. O Corcunda de Notre Dame me impressionou pra caramba; eu não lembrava que o filme era tão bom daquele jeito. O mesmo vale para A Bela e a Fera, que me deixou maravilhado, bem mais do que deveria.
Os clássicos atuais também vão à regra, com Enrolados e Frozen sendo os maiores destaques, enquanto que Winnie the Pooh e Detona Ralph são bem divertidos.

O que estou tentando dizer é que dá pra encontrar nessa lista um filme que praticamente todo mundo goste, e é isso que é tão bacana.
Eu estava pensando em fazer algumas listagens sobre qual a melhor música, melhor personagem, melhor filme, e por aí vai. Mas, decidi que esse não é o momento mais apropriado. Creio que seja melhor aguardar um pouco ainda.
E, o que há para o futuro, você pergunta? Bem... Eu sei que não pretendo fazer outro projeto desses tão cedo. Não porque eu achei chato, mas é porque é algo que consome um tempo considerável, e, algumas vezes, tive que me obrigar a ver até dois filmes por dia. Parece divertido (e até certo ponto, é), mas detona um final de semana bem rapidinho, e não tenho como executar algo assim direito durante a semana. Pode até rolar outro assim, mas não vai ser no futuro muito próximo. Se rolar, pode ser de qualquer jeito, até vendo as sequências da Dis... Não, deixa pra lá, sem sequências da Disney...

Enfim, se você conseguiu me acompanhar, mesmo que tenha sido com o trem andando, espero que tenha gostado do projeto. Foi bacana fazer isso, mas chegou a hora de fechá-lo e, com ele, nós seguimos em frente para o futuro.

Mas, espera! E o Big Hero 6?!

O o que? Ah, sim. A Disney parece já ter um filme novo pra ser lançado esse ano, com esse nome aí. Já existem alguns teasers e, pelo que me parece, o filme será lançado ao final do ano.
Bom, assim que eu o ver, irei compartilhar com vocês o que eu achei, assim como fiz com todos os outros antes desse.

Agora, sim, obrigado por ter nos acompanhado nessa jornada. Valeu pessoal, e até a próxima!

sábado, 23 de agosto de 2014

Frozen - Uma aventura congelante (2013)

E nós finalmente chegamos ao último filme da nossa lista. Passamos por 52 filmes, cada um representando alguma coisa em nossas vidas. Rever todos esses filmes, apesar de trabalhoso até certo ponto, foi uma grande honra, e um grande prazer. Não só eu revi filmes que me ajudaram a ter inspiração para o que eu almejo e o que eu sou hoje, como também vi pela primeira vez, depois de tantos anos de mistério, aqueles que nunca tive chance de conhecer quando criança.
Bom, mas chega de melação, e vamos falar logo do último filme da lista que, atualmente, é o maior sucesso da Disney. 



Frozen me pegou de surpresa. Ao ver os advertisements do filme, eu imediatamente pensei que seria algo relacionado aquele boneco de neve bizarro, e que, assim como alguns filmes mais recentes, seria uma comédia de novo. 
Quando eu fui ao cinema, o que eu vi era a história de duas irmãs separadas por conta dos poderes de uma delas, em um retorno de verdade à fórmula dos contos de fada que a Disney abandonou há quase vinte anos. 

A esse ponto, acho que esse é um dos filmes mais famosos da Disney, tendo acertado na cultura pop em cheio, e trazendo de volta várias pessoas que haviam sumido no começo do século. Portanto, é até redundante falar do longa quando tanta gente já falou. Mas, eu posso tentar. 

A trama do filme conta a tragédia de Elza, a rainha de um reino distante que tem a inexplicada habilidade de criar e manipular gelo. Ela e sua irmã, Anna, eram muito próximas, até o dia em que Elza a atacou acidentalmente. Para que o mundo ficasse a salvo de seu poder, Elza foi isolada, e o castelo de seus pais foi trancado. 
O desastre começa no dia de sua coroação, quando Elza devia abrir os portões e permitir que as pessoas entrassem para comemorar o início do reinado dela.

Os personagens desse filme tem um desenvolvimento simplesmente impecável, sem brincadeira. Elza e Anna são dois extremos diferentes, com a rainha sendo bem fria e distante, enquanto que a jovem princesa é bem amigável com praticamente todo mundo. Essa diferença entre as duas é muito bem explorada, assim como é sua relação. Apesar de elas ficarem distantes uma da outra por boa parte do filme, dá pra notar a química que rola entre elas, e fica tudo bem real. É também interessante ver as duas contracenando e criando algumas das cenas mais divertidas do filme.
Vale ressaltar que essa é, de certa forma, a primeira vez que vemos princesas com tanta personalidade. Nesse aspecto, dá pra notar que muita coisa veio da Rapunzel de Enrolados; a grande diferença é que elas são realeza desde o início, e, comparadas com uma certa princesa (estou olhando para você, Aurora...), chamam atenção.

Kristoff também se destaca, e mostra que ele aprendeu muito com o Flynn Rider/Eugene de Enrolados. Apesar de não ser um ladrão, ele é bem bacana, legal até, especialmente quando contracena com Anna ou seu alce Sven. 
Os outros destaques vão, finalmente, para Olaf, o boneco de neve bizarro que falei antes, e o príncipe Hans. Olaf seria o alívio cômico do filme, e ele faz bem. É um personagem divertido, e ajuda a aliviar um pouco os momentos mais tensos do filme. Algumas cenas dele são um pouco estranhas, mas ele nunca é o real foco. 
Hans é um tipo interessante mediante aos príncipes da Disney, já que ele tem uma personalidade bem desenvolvida, e acaba ganhando muito foco, mesmo mediante aos outros cinco personagens principais.

Em termos de trama, Frozen é excelente, sendo sempre imprevisível, mas nunca absurdo ou fora de ordem. Não é o tipo da história que você prevê como vai acabar assim que começa. Mas, em termos de ritmo, ele dá alguns tropeços, e eu explicarei isso em um minuto.

A trilha sonora desse filme é simplesmente maravilhosa, sem "mas". Existem várias músicas cantadas, uma mais marcante que a outra. Os focos vão para a primeira música, "Do you want to build a snowman?", e, para aquela que, de todos os filmes que vimos na lista, tem a chance de ser a mais famosa e mais popular: "Let it Go". Cada uma delas é brilhante, e muito, mas muito, memorável. 

Aí, chegamos a onde eu falava... Em algumas cenas, que talvez pudessem ser lidadas com um diálogo regular, existe a adição desnecessária de música. Apesar de serem suaves aos ouvidos, e serem oportunidades para algumas reprises, fica muito estranho ver os personagens dialogando através de rimas e música. Acho que sou só eu, mas isso tira um pouco da seriedade do tema.

Ah, antes que eu esqueça. Esse talvez seja um dos filmes mais violentos da Disney desde os anos 90. Não há sangue, nem combate direto, mas algumas cenas deixam uma impressão muito forte. Isso, na verdade, é um elogio, porque ajuda na realidade do filme e cria cenas muito intensas, que são ótimas de assistir. 

Apesar de seu pequeno deslize de ritmo, Frozen é um filme excelente em todos os aspectos. As músicas são maravilhosas, os personagens são excelentes, existe uma atmosfera incrivelmente magnética (que é difícil de descrever, mas que realmente dá a ideia de inverno) e praticamente tudo está no seu devido lugar. Esse filme mostrou que a Disney, apesar de ter passado por um período de turbulência no passado, ainda está firme e forte. Ora, se Enrolados mostrou isso, é Frozen que garante. Se você ainda não assistiu, dê uma chance, e você não vai se arrepender. A cena em que Elza canta Let It Go é um destaque por si só, por exemplo, e é algo que você quer ver!


E, acabou! Esse foi o último filme de nossa lista. Vimos todos os 53 filmes já lançados pela Walt Disney Animation Studios! Se você acompanhou durante esses anos, espero que tenha gostado do que falamos aqui. Chegamos ao final da lista, cumprimos a meta e, se você tiver interesse, confira o veredito disso tudo na próxima!

Detona Ralph (2012)

Olha, eu sou um grande fã de videogames, e acho que todo mundo sabe disso. Mas, quando alguém vem e fala pra mim que vai sair um filme que vai ter muita coisa relacionada a videogame no meio, aí eu já fico preocupado.


Quando Detona Ralph foi apresentado, todo mundo pirou, e chamou a atenção de todos os jogadores de videogame por aí. Era até chato porque o filme tava em tudo que era lugar.
Por vários motivos, eu não tive como ver o longa até o momento em que foi necessário para essa lista. E... O que eu acho? Bom, o filme funciona justamente da maneira que deveria.

O enredo do filme conta a história de Ralph, o vilão de um jogo de videogame. Cansado de uma vida inteira sendo rejeitado por todos ao seu redor, ele decide arranjar uma forma de mudar seu destino e se tornar um herói para que, assim, passe a ser respeitado.

O começo do filme está simplesmente lotado de referências e cameos de diferentes jogos. Nomes como Bowser, Sonic, Eggman, Zangief, Ryu, Ken, só pra nomear alguns, fazem pequenas aparições, que são legais, e fazem exatamente o que devem ser: aparições. Nenhum desses personagens aparece por mais do que uns dois minutos em tela. O grande foco vai, justamente, ao quarteto principal, e estes são muito bons.

Todos os quatro heróis da trama, sem exceção, são bem bolados e mostram-se bem divertidos, todos à sua maneira. Parte de mim tinha medo de que eles não teriam quase nenhuma importância, e seria tudo apenas uma desculpa para ver uns ícones no cinema, mas, ainda bem, não é esse o caso.
Os heróis são bem feitos o suficiente para que você se importe com eles, goste deles e se divirta vendo-os.
Obviamente, as situações da trama ajudam pacas, com várias cenas muito bacanas de assistir. Infelizmente, boa parte do filme não é exatamente original, se baseando em alguns clichês já batidos, mas os elementos fortes do filme se sobressaem.

Sem músicas cantadas dessa vez, embora seria muito estranho dentro do universo desse filme. E, falando nele, é um mundo e tanto.
Todos os lugares são extremamente criativos, mostrando o incrível brilho da direção artística. É tudo bem imaginado, e fica muito bacana de se olhar.

Para fechar nossa pequena análise, Detona Ralph é bem divertido, sim. É um bom filme, que tem uma moral bacana (a qual não vou dizer por motivos óbvios), uma trama bem bolada, personagens ótimos e uma trilha de fundo bem bacana. Eu recomendo que você dê uma olhada.

Ao ver a lista, descobriremos que só falta mais um filme. Não se preocupe, estamos quase acabando... Só quero perguntar uma coisa... Você quer brincar na neve?

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Winnie the Pooh (2011)

Sabe aqueles filmes que surpreendem você por todos os motivos certos? É com um desses que começamos a nova e última fase do Projeto 50!


Se tem uma franquia que a Disney nunca conseguiu derrubar direito foi justamente a série do famoso e adoravelmente imbatível Pooh. Durante muito tempo, a franquia gerou séries de TV, vários filmes focando nos diferentes personagens e incontáveis produtos de merchandising. Olhando só por cima, dá pra se acreditar que era tudo caça-níquel, e a Disney perdeu interesse em fazer algo que importa anos atrás.
Aí, chega Winnie the Pooh e mostra que não é bem assim...

O longa de 2011 não só consegue recapturar aquele estilo do original, lá dos anos 70, como também cria uma identidade nova e é tão bom quanto o outro, senão mais. Existem algumas razões para isso, todas bem simples de entender.

Primeiramente, vem o roteiro do filme, que, dessa vez, abandona o estilo episódico do filme original, e se mantém como algo constante e conectado. No entanto, a história do filme conta com vários núcleos, que se desenvolvem juntos, sem interromper o fluir do outro. Isso gera uma história que está em constante movimento. Porém, antes que alguém se desespere e ache que isso pode ser cansativo, definitivamente não é. O ritmo é até mais agradável do que o anterior, até porque ele é ajudado por situações divertidas e hilárias, e, principalmente, sabe quando deve acabar (coisa que o original não soube fazer).

Os personagens ainda são os mesmos e estão tão carismáticos quanto antes. O roteiro do filme os faz agir de formas novas e, curiosamente, nada é absurdo ou fora de personagem. Existem alguns exageros e coisas mais diferentes (como Pooh tendo ideias realmente boas), mas é tudo explicado como reações a momentos particulares, e não algo permanente.

A melhor forma de curtir esse filme é se você assistiu o original de 1977 e tem boas lembranças dele. Dessa forma, todos os personagens já são conhecidos seus e, assim como Bernardo e Bianca, é sempre um grande prazer revê-los, ainda mais com animações mais novas. Desse jeito, o filme tem uma carga extra de interesse, e fica muito hilário em alguns momentos.
Tem músicas que vão levar você de volta para o primeiro filme, e as trilhas originais são igualmente charmosas.

Serei sincero, e direi que fiquei surpreso em ver o quanto eu gostei desse filme. Os personagens continuam ótimos, o roteiro combina muito bem, a trilha sonora é maravilhosa, e é uma viagem e tanto. Se você tem uma hora, eu recomendo que assista esse filme, especialmente se você curtiu o primeiro. Toda aquela inocência e comédia simples ainda estão aqui, e envelheceram muito bem.

E, esse é o último filme animado da Disney até o momento. Os dois próximos serão em CG (um estilo que a Disney, aparentemente, ainda vai manter por muito tempo).
O próximo da nossa lista vai DETONAR!
É, acho que você já sabe qual é, depois dessa.

sábado, 16 de agosto de 2014

Enrolados (2010)

E nós finalmente chegamos aqui! A animação número 50! A razão por eu ter iniciado essa lista quase interminável de filmes. Sim, finalmente chegou a hora de falar desse filme, e eu estou até empolgado de ter chegado tão longe.


Enrolados era o último filme que tinha saído quando eu comecei a lista, e é ótimo. Esse é o melhor filme da Disney desde Planeta do Tesouro e tem tudo: ótimos personagens, ótima trilha sonora, ótima trama, e tudo ótimo.
O negócio é que eu já falei de Enrolados no passado, e minha opinião do filme não mudou. Ainda acho um filme espetacular, então não tem muita necessidade de eu me repetir. Você pode checar minha opinião completa aqui.

Caso você esteja com preguiça, vou dizer: ASSISTA! ASSISTA, PELO AMOR DA BANANA! VAI VALER A PENA!!

Normalmente, esse seria o momento em que eu olharia e diria OK, TERMINOU! BOA NOITE, SENHORAS E SENHORES. Mas, é aquela, a ideia era assistir TODOS os filmes da Disney já lançados. Nada mais justo do que aproveitar que já estamos aqui, e seguir para as próximas animações. Faltam apenas três...
Já que esses próximos não estavam na lista original, chamaremos essa fase de Projeto Pró-50. E que forma melhor de iniciar isso do que revendo um velho amigo?
Continuem comigo, pois estamos quase no fim.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

A Princesa e o Sapo (2009)

Se você estava cansado de ver filmes 3D, anime-se! Os dias de texturas e polígonos 3D deram uma trégua para trazer o tão necessário ar de casa que a Disney estava precisando.


É de agradecer aos céus a existência de A Princesa e o Sapo. O estilo de animação tradicional, somado com um roteiro muito bacana e personagens incrivelmente amáveis formam o melhor filme visto nos úlitmos cinco anos dentro do catálogo Disney.

A primeira coisa a se mencionar é o fato de que essa não é a história original do príncipe que foi transformado em sapo. O dito conto existe dentro do filme, mas apenas como história. O que acontece são os personagens tentando passar pela situação.
Eu não tinha visto o filme antes de chegar a ele nessa lista, então imaginem minha surpresa ao ver um mundo de começo de séc. XX inserido lá. Apesar de não estar dentro dos conformes dos contos de fada mais tradicionais, tudo pega muito bem, e cria uma atmosfera que mistura o mágico com o rotineiro.

Os personagens da trama são incrivelmente bons. Cada um tendo seus desejos, afeições e personalidade únicos. Um dos destaques vai a Tiana, que passou sua vida inteira servindo de garçonete para que pudesse realizar o sonho de ter um restaurante. É bem incomum ver isso dentre as mulheres Disney, mas é muito bom que exista. Gosto também que ela seja a durona, do tipo que não desiste ou que não gritaria "oh, meu príncipe, me salve!". Ela me lembrou Mulan, na verdade. É, aquele tipo que chega e FAZ.
Naveen também ganha destaque. Ele me lembrou muito de outros protagonistas Disney, como o Aladdin e Hércules. No caso, seu estilo farrista e comportamento criam um excelente personagem. Sério, ele é bem divertido, e as reações que saem de Tiana quando tem de lidar com ele são quase sempre impagáveis.

O vilão da trama, chamado de Homem da Sombra, ou algo assim, é o primeiro vilão desde Alameda Slim que é interessante. Só que, o que Alameda tinha de hilário, o feiticeiro tem de sombrio. Ele nunca é mostrado como um homem realmente poderoso, ou com uma presença assustadora... É o que ele faz que assusta. A música que ele canta, assim como algumas cenas em que ele aparece, beiram o medonho, com sombras mexendo com o mundo físico, o tom macabro de sua voz, e o que ele faz para mostrar que está no controle. Seu poder não é próprio, também. Ele apenas o pega emprestado do que ele chama de "amigos do outro lado", e essa "relação" é explorada de forma sutil, mas efetiva.

As músicas cantadas voltam com tudo dessa vez, e são bem bacanas. Lembra muito a era de ouro da Disney durante os anos 90, ou até mais anterior.

Esse é um filme excelente - não perfeito, mas excelente. É uma boa pedida, um ótimo retorno às origens, e é daqueles que você vai ter ficado feliz de assistir. Eu me atreveria a vê-lo de novo.

Agora, duas coisas. A primeira é que o próximo filme vai ser em CG, mas não se assuste! A segunda é que, bom, vai ser difícil você não se amarrar nele... Até porque, dessa época pra frente, nós finalmente vamos ver a luz brilhar.

Bolt: Supercão (2008)

Filmes de jornada são um porre. Não me pergunte porque, mas eu sempre relaciono esse tipo de filme à Sessão da Tarde.
Bom, chegou a hora de falarmos do último filme da trilogia CG da Disney, e, dos três, ele é o que melhor apela.


Essa fase CG da Disney (no caso, essa primeira) foi bem esquecível... A Dreamworks e a Pixar dominavam tudo, e os trabalhos da pobre Disney ficaram apenas comendo poeira. A situação tava tão feia que, quando eu soube da existência de Chicken Little e Família do Futuro, eu achava que era ou dos criadores de Shrek ou dos criadores de Toy Story, sem mentira...
Com Bolt: Supercão não foi diferente. Eu não sabia que era da Disney até eu começar a assistir pela primeira vez a alguns anos atrás.
Mas a pergunta que importa é: o filme é bom?
E a resposta é... Depende do que você está procurando.

A trama do filme é bem interessante, isso eu não posso negar, ou ao menos a premissa. O cão Bolt acha que tem super-poderes e que está sempre salvando sua dona, Penny, de perigos mortais. A questão é que tudo é um programa de TV, que ele acha que é real. Então, quando ele acaba se perdendo e é mandado de Hollywood para Nova Iorque, ele tem que descobrir à força que não tem poderes, e que o mundo é muito diferente.
A introdução é muito bem desenvolvida, e surpreende, especialmente se você estiver vendo pela primeira vez. Sem dizer muito, o filme brilha... Até acabarem os primeiros vinte minutos...

A parte do meio é incrivelmente clichê, com diálogos que eu, ao menos, já ouvi milhares de vezes, só que de formas diferentes. O filme passa um bom tempo sem graça, mostrando um tipo de rotina que todos nós estamos acostumados, e não é executada de maneira satisfatória, o que deixa tudo muito arrastado, e um tanto previsível também...

Apesar desses problemas, o final é muito bom. Sério, os 20~15 minutos finais são excelentes mesmo tendo uma dose alta de clichês...
Os personagens também são bem desenvolvidos, mesmo com o meio do filme sendo muito previsível. Eles conseguem brilhar, e só faz você desejar que eles estivessem em uma situação mais bacana.

O ritmo do filme é meio estranho, também... A introdução lembra muito um filme da Pixar, e também relembrou de Oliver e sua Turma. Mesmo com isso, é um ritmo bom no começo e no fim, mas, de novo, não no meio.

A trilha sonora encaixa bem, e é boa, mas não memorável. O filme conta com uma música cantada, mas, assim como o resto da trilha, não fica na sua memória.

O último ponto que eu quero mencionar é que a mensagem do longa é muito confusa. Não sei se é sobre existir uma vida melhor fora da fama, ou se é a de que os animais amam seus donos e vice-versa. Acho que fica a cabo de quem vê... Só eu que não consegui focar direito...

Pra fechar, é um filme bacana, definitivamente melhor que os outros dois, mas ainda não acerta no padrão de qualidade que viemos a esperar da Disney. Em outras palavras, assistir só uma vez já é o suficiente.

E o período fraco da Disney começa a chegar ao fim. Isso porque vai existir o retorno às raízes no próximo filme da nossa lista. Apertem os cintos, pois chegamos na parte final de nossa viagem... E tudo começa com uma princesa e um sapo.

sábado, 9 de agosto de 2014

A Família do Futuro (2007)

Viagem no tempo é um assunto complicado pra burro, especialmente quando você quer fazer uma história metida nesse tema. São sempre tantas variáveis, tantas coisas que precisam ser analisadas com cuidado, e qualquer detalhe mudado pode alterar um mundo inteiro! Quase todo mundo já trabalhou numa história assim, mas são poucos aqueles que conseguem fazer isso funcionar. Pra pegar esse tema, você tem que ter ou muito inteligente ou muito idiota...


O jeito como A Família do Futuro trata isso é, bem... eeerrrrrrr.... aceitável... Eu acho...? OK, vejamos o que ele tem de bacana nessa pequena análise.

Esse é o segundo filme da "trilogia" CG da Disney, e, de longe, dá pra notar que aprendeu muito com os erros de Chicken Little. Isso inclui uma trama mais bem-ajeitada, com foco e que sabe o quer fazer, além, é claro, de animações bem menos loucas. Na verdade, a aparência do filme é muito boa. Tudo é bem colorido e bem imaginado.
Assim como no filme do galinho (que acabei esquecendo de comentar), dá pra ver que muito esforço foi dedicado aos cenários, com lugares bem imaginados e desenhados. Em execução, parece tudo ótimo.

A trama do filme, por si, é boa também. Não é nada de original, mas, assim como várias outras tramas clichês que já caíram na mão da Disney, é bem executada. A premissa em si é bacana também, e, honestamente, também não lembro de muitos buracos (até porque, como é uma trama com viagens no tempo, eu evito pensar nisso). Dito isso, é inegável que algumas situações do filme sejam um tanto fracas. Na verdade, muito que aparece no filme é infantil demais, e uso essa palavra corretamente. São coisas que fariam uma criança ficar preocupada, mas não uma pessoa mais velha... Como sempre, não direi quais são as situações, mas elas são um pouco óbvias.
Curiosamente, o filme compensa isso com alguns momentos bem emocionais, e tem uma mensagem muito interessante, que acaba sendo relevante para os tempos difíceis que a Disney passava na época.

Os personagens do filme, apesar de sempre terem sido mostrados como o coração do filme nos marketings acabam não se desenvolvendo em nada, com a exceção dos dois protagonistas. Isso me leva a uma reclamação um pouco pessoal... Quando Louis se vê obrigado a conhecer os membros da família Robinson, todos os personagens são apresentados como loucos, com hábitos incomuns e meio bizarros. Apesar de ser uma cena interessante, é meio complicado achá-los únicos. É inclusive o tema de um meme surgido do vilão de Os Incríveis, que, quando adaptado para essa situação, diz: Se todo mundo é "diferente", então ninguém é... E, sim, eu usei um meme para apresentar um argumento!
Enfim, não estou dizendo que são personagens ruins, nada disso. Apenas acho que o filme não os explora muito bem... E é por isso que não se deve fazer personagens "importantes" demais... Você acaba sem mostrar tudo... Mas, isso é comigo, então...
Por outro lado, o vilão do filme também é bem feito pacas. O desenvolvimento dele é gradual, e a personalidade dele é excelente. Ele me lembra um pouco as loucuras de vilões como a Yzma e o Capitão Gancho, embora não seja esperto como eles. Ele é mais um alívio cômico, mas é bem executado e serve para a trama, muito bem inclusive.

A trilha do filme, em si, é boa, mas não necessariamente memorável. Combina com o que está sendo mostrado, mas você não vai lembrar muito dela... O que, cá entre nós, não é a primeira vez...

Pra mim, A Família do Futuro não foi uma viagem muito feliz, mas consegue entreter bem. Não é um filme de comédia, apelando bem mais para o drama, o que é melhor do que outra comédia sem noção. Mostra que eles realmente tentaram aqui, e não estavam mais experimentando com as loucuras que podiam fazer. Por conta disso, eu respeito o filme. Acho que vale uma olhada sim, o que de ruim pode acontecer?

Bom, chega de Sci-Fi, né? Vamos tratar de um assunto menos viajado! Vamos falar de... super-heróis... Ou pelo menos da ideia de um cachorro branco achando que é super-herói... Isso é menos viajado.

O Galinho Chicken Little (2005)

O novo milênio estava sendo muito difícil para a Disney... Seus filmes eram um fracasso financeiro atrás do outro, e muitos dos fãs que surgiram no passado começaram a procurar entusiasmo em outros filmes.
Nunca duvidei de que foi por questões como essa que a empresa decidiu explorar mais uma vez o universo CG. Os frutos disso, por enquanto, é uma nova... uh... "trilogia", só que, ao invés de ser sobre Sci-Fi, o que as une é sua composição: computação gráfica.


Vamos primeiro falar um pouquinho de O Galinho Chicken Little. De todos os que eu já falei nessa lista, foram poucos aqueles que eu tive a oportunidade de chamar de "coisa-mais-louca-que-eu-já-vi-em-toda-minha-vida-número-35". Caso você não tenha entendido, deixe-me explicar dessa forma: esse filme é esquisito pra burro.

Não é a primeira vez que vemos um filme CG nas mãos da Disney, isso sem contar que essa tecnologia já tinha deixado de ser novidade há um tempo (graças à Dreamworks, praticamente). Por conta disso, é normal esperar que seja tudo bem mais interessante do que foi naquele pequeno acidente de trem chamado Dinossauro. Bom, ainda bem que é esse o caso. Os personagens E os cenários são bem modelados pacas, e tudo é bem vivo e animado. O que destaca Chicken Little é a forma como é tudo animado. As coisas são insanamente energéticas, e tudo se mexe da forma mais anormal possível.
Acho que isso vai por causa do tema do filme, que é justamente o de comédia, e é daquelas bem PASTELÃO mesmo. Mas, diferente do que rolou quando o Imperador Kuzco se tornou numa lhama, aqui muitas das piadas não vem das situações, exatamente, mas da forma como os personagens são animados, e de como eles tem reações exageradas a praticamente tudo. É uma forma bem mais crua de comédia, o que é inegável, mas ainda funciona.
Esse é daqueles filmes que, se você for inventar de esperar muita coisa, vai sair achando uma bela porcaria. Quer gostar do galinho? Jogue seu cérebro pela janela e divirta-se, depois pega ele de novo...

A trama do filme, per si, é, de forma técnica, bem horrível. Ela se mexe muito, tem pouco foco no que realmente quer mostrar, e, aí, você tem que ficar prestando atenção se não quiser perder coisas importantes. Ela é especialmente ruim se você for querer analisar tudo de forma séria (faça o que fizer, não faça isso). Existe um foco grande de clichês, e tudo... Por outro lado, existem algumas homenagens interessantes para diversos filmes de ficção científica e terror, como Sinais e Guerra dos Mundos (que, inclusive, tinha ganhado uma versão pouco antes desse filme sair). E eu tenho que dizer, o final é hilariante.

Os personagens, por sua vez, são bons, mas tem pouco desenvolvimento. As importâncias daqueles que não o próprio Chicken Little variam muito também. Um personagem que parece não precisar estar lá em um momento, de repente se torna super-importante no outro. Isso não seria exatamente ruim, se não fosse ao custo da importância dos outros, que cai muito rápido...

Existe um grande desejo de ser popular, também, contando com músicas que eram bem populares na época, e tudo mais. Não tenho mais o que dizer sobre isso, só achei bom mencionar.
Quanto à trilha sonora própria, bem... O negócio desanda. Ela é decente e tudo, mas nem sei se dá pra taxá-la como apropriada, quando a própria história é tão difícil de mirar.

Só que, mesmo com todos esses problemas, esse ainda é um filme bacaninha. Não o leve a sério, não espere nada, e você vai curtir. Ou não, né?

Agora deixemos os animais falantes de lado, e vamos falar de uma família... DO FUTURO!!! *inserir música de ficção científica*

domingo, 3 de agosto de 2014

Nem que a Vaca tussa (2004)

Filmes de faroeste são tão clichês que é difícil não gostar. Aquele ar do oeste americano já inspirou muitos nomes, e colocou vários outros no auge de sua fama.
Histórias de cowboys, bandidos, com aquela música característica, além de salões, prisões, gados e por aí vai... Isso tudo é tão charmoso que não me surpreende o que vemos a seguir.


Nem que a Vaca tussa é um dos melhores filmes dessa nova década, e sua trama é tão curiosa que ele não dá a mínima para a seriedade (o que era bem comum em filmes anteriores).
No caso, o filme conta a história de três vacas que partem em uma jornada para capturar o ladrão de gado Alameda Slim e usar a recompensa para salvar a sua fazenda da falência. É claro, que é muito mais complexo do que isso, mas vamos simplificar pelo bem do tempo.

Só a premissa já mostra que esse não é um filme para se levar a sério; é daqueles que você assiste, ri pra caramba, e, depois, sai cantarolando as músicas que você ouviu nele. Ah, e não tem problemas em ver outra vez.
Parte dessa facilidade em prender vem do fato de que os personagens são maravilhosos. As vacas, Maggie, Sra. Caloway e Grace, são hilárias quando em conjunto, e participam de algumas das cenas mais engraçadas do currículo da Disney até então.
Na verdade, até os personagens secundários são perfeitos. O cavalo Buck e sua obsessão pelo caçador Rico são um exemplo. Não existem caricaturas notáveis, nem exageros. Os personagens do filme são todos muito bem trabalhados.

O vilão, Alameda Slim, e seus parceiros, os Willys, estão dentre os mais engraçados desde o Capitão Gancho e Hades, rivalizando os dois, inclusive. A relação entre eles é o que gera algumas risadas, inclusive. Sério, a reação dos Willys ao ver Alameda disfarçado é muito divertida.

Serei sincero, existe um pouco de drama, mas esse lado é pouco explorado. O grande foco é a comédia. Inclusive, a comédia não está só no diálogo, mas em várias situações silenciosas, ou até mesmo em ângulo de câmera.

As músicas do filme são muito boas, e cabem bem à proposta. As cantadas são bem memoráveis também, superando as de Irmão Urso nesses termos.

Talvez eu seja um dos poucos que gostou pacas desse filme, mas acredito que é fácil se divertir com ele se você ir esperando estupidez (e não indo achando que vai ver outro Atlantis). Recomendo Nem que a Vaca tussa  pra todo mundo. É muito divertido, e eu garanto que você não vai se arrepender!

Comédia será o nome para o próximo filme também... Mas, tem um detalhe, a trama das vacas caçadoras de recompensa será a última em animação tradicional por um tempo. Ouso dizer que esse é também o final da era de ouro da Disney, na minha cabeça, é claro. Entrarei em mais detalhes na próxima vez.
Espero que você goste do uso de CG, porque o próximo filme terá isso e um bando de animais falantes... Além de alienígenas... E um galinho muito pequeno... E uma trama bem non-sense.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Irmão Urso (2003)

A década não tinha sido muito generosa com a Disney... Atlantis e Planeta do Tesouro haviam sido completos fracassos financeiros, e o mundo parecia muito mais interessado nas animações feitas em 3D, que estavam chamando muito mais atenção no momento.


Na época em que Irmão Urso saiu, existiam rumores de que filmes de animações tradicionais estavam em extinção. Quando eu vi o trailer desse filme, admito que fiquei muito aliviado. Por mais estranho que possa soar, a ideia de filmes em animação sendo apenas em 3D partia meu coração (ainda parte, na verdade). Mas aí rola a pergunta. Essa nova empreitada da Disney era boa? Honestamente, depende de quem vê.

Minhas impressões pessoais não são exatamente positivas, também... Ou esse era o caso de antes de eu reassistir o filme para essa resenha. Apesar de eu não achar mais o filme ruim, não posso dizer que o acho interessante. Esse é um dos raros casos em que o começo e o final são excelentes, embora o meio seja um tanto questionável.

A trama do filme não é exatamente original, tratando-se do tema de alguém que passa a ver o mundo com os olhos daqueles que odeia, mas é bem escrita e bem desenvolvida, bem ajudada pelos personagens. O ritmo em si é agradável também, embora sofra de altos e baixos.
Os baixos são mais visíveis no meio do filme, com algumas cenas um tanto desnecessárias, e outras embaraçosas até. Dependendo de quem assiste, essas cenas podem ser boas ou ruins.
Os pontos altos do filme são mais fáceis de achar nos vinte minutos iniciais e nos momentos finais do filme; não superam as cenas boas de filmes anteriores, mas ainda são boas por conta própria.

Em termos visuais, o filme é muito bonito. Irmão Urso volta às origens, e faz um uso mais sutil de CG. A animação tradicional é predominante, e o resultado é bonito, colorido e interessante. Além disso, os cenários também são bem memoráveis.

A trilha sonora, por outro lado, não é... Apesar de ser bem produzida e bem apropriada, a trilha de fundo não chama muita atenção e apenas faz a sua parte, sem se destacar mais. O mesmo vale para as músicas cantadas. Apenas a segunda música do filme é marcante, mas as demais são mais fracas, e um pouco desnecessárias até... Talvez fosse melhor se tivessem mantido apenas uma.

Mesmo com suas falhas, Irmão Urso é um bom filme. Não consigo deixar de pensar que sou uma das poucas pessoas que não gosta muito dele, então digo para dar uma olhada e ver o que acha. Você pode rir, ou chorar...

Falando nisso, o filme também tem alguns momentos de comédia! Se esse é o seu gênero, fique feliz, pois o próximo da lista vai ser bacana. Teremos um cavalo pirado, um ladrão-artista procurado e, é claro, vacas caçadoras de recompensa.

domingo, 27 de julho de 2014

Planeta do Tesouro (2002)

Chegamos ao último filme da "trilogia Sci-Fi" da Disney. Apesar de eu concordar que os filmes antes desse são ótimos, esse aqui é, em minha humilde opinião, o melhor filme dos três, e o melhor desde Tarzan.


Planeta do Tesouro é uma releitura do clássico "Ilha do Tesouro", e mistura elementos das histórias de piratas com ficção científica. Esse também é o primeiro filme dessa lista (que vem à minha memória, no caso) que trás um protagonista adolescente e que age como tal.

Querendo seguir mais os passos dos "reis do drama" da Disney, como o Corcunda de Notre Dame, Tarzan e Atlantis, o foco desse filme está todo no drama, e sua grande mensagem é a de que todos tem uma forma de perseguir um sonho.

O ponto mais forte do longa são seus personagens, que são incrivelmente tridimensionais. No caso, o que mais chama atenção é o fato de que cada um (com algumas exceções) tem doses naturais de ganância, senso de justiça, disposição e vontade de ser aceito. Os melhores exemplos disso são os personagens Jim e Silver. Apesar de serem muito parecidos em termos de personalidade (o que acaba sendo importante para a trama geral), ambos os personagens buscam o chamado "planeta do tesouro" por motivos completamente diferentes. Não direi muito, mas os motivos são ambos justificados e, apesar de serem clichés, são bem executados.
Os demais personagens do filme são também excelentes, e todos funcionam bem para a carga de drama que quer ser passada. Não direi que não existe o alívio cômico, mas o mesmo surge apenas em alguns momentos, e todos são bem apropriados.

O universo do filme é muito bem representado. Como eu disse antes, é uma mistura do universo das histórias de piratas com o estilo Sci-Fi, e ficou ótimo. Troque os oceanos pelo espaço sideral e os ventos por energia "solar", além de pessoas normais por diversas raças alienígenas, e PIMBA, fica tudo certo. Isso cria certa variedade, dá uma identidade única ao filme, e, por isso, funciona. Os efeitos também são excelentes, com vários usos em CG, mas todos bem feitos.

Se tivesse um ponto no filme que eu não gosto é mais a forma como ele começa. Sua introdução, apesar de dar uma ideia de como aquele mundo funciona, não corresponde ao ritmo do resto do filme, que é bem sério em termos gerais.
Fora sua introdução, todo o resto é maravilhoso.

O mesmo vale para a trilha sonora. A única música com letra do filme é "I'm still here", e é simplesmente excelente. A trilha de fundo também faz um trabalho espetacular, e ajuda muito na atmosfera já bem executada.

Planeta do Tesouro é um filmaço, um dos melhores dessa nova década, e está nos meus dez favoritos da lista no geral. Seu ritmo é ótimo, a trilha sonora é fantástica, os personagens são tridimensionais, a trama é muito bem traduzida e praticamente tudo é ótimo. Assista quando tiver chance. É excelente.

Se você cansou dos temas futuristas ou de ficção científica, relaxe. O próximo da lista volta um pouco para as raízes do estúdio, e mostrará a um caçador o mundo pelos olhos da caça.

sábado, 26 de julho de 2014

Lilo & Stitch (2002)

Chris Sanders teve uma das ideias mais lucrativas para a Disney em uma década tão difícil como a que seria essa. Por causa disso, espero, pelo menos, que ele tenha ganhado um vale-lanche.


É difícil pensar em Lilo & Stitch hoje em dia sem relacionar com a enorme franquia. Apesar de ter gerado umas três sequências e uma série de TV, o que mais brilha em tudo é, sem dúvidas, o filme lançado em 2002.

Mais uma vez, existe o apelo ao Sci-Fi, que fica bem óbvio logo na introdução, com espaço-naves, uma batalha estelar e um fugitivo mais fofo do que deveria ser. No caso, somos introduzidos ao protagonista Stitch, um dos nomes mais populares dentro do estúdio. Apesar de sua aparência, ele é um criminoso perigosíssimo, uma ameaça à sociedade intergaláctica, primeira vez que temos algo assim como nosso protagonista, né?
Enquanto existe esse lado fantasioso, boa parte da trama se foca em uma das ilhas do Havaí. O mundo aqui é exatamente como o nosso, e se apega muito a esse realismo. Os personagens desse lado são todos bem humanos, e existem diversos conflitos entre eles.

Inclusive, não existe a ideia de "bem ou mal" no filme. O ponto principal é mais a questão de qual propósito você dá à sua vida. Tudo é mostrado com muita sutileza, já que a trama, por si só, é excelente.
Apesar do tema havaiano, não espere muita coisa de "hoolas" ou coisa assim. Não existe o apego a estereótipos, o que é ótimo.

Mais uma vez, não existem músicas cantadas em momento algum; as emoções típicas delas são perfeitamente traduzidas com a trilha sonora original, que cabe perfeitamente com o estilo de Sci-Fi e ilha tropical.
Finalmente, o ritmo do filme em si é maravilhoso. Ele se move e explica tudo com rapidez, e tranquilidade. Praticamente todas as cenas tem uma importância maior.

Lilo & Stitch é espetacular, genial, maravilhoso, e vale mais do que a pena assistir.

Continuemos com o tema de Sci-Fi. Na verdade, vamos extrapolar desse tema no próximo filme, que é uma excelente releitura de um clássico sobre navios, piratas e um tesouro maior do que qualquer um pode imaginar.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Atlantis: O Reino Perdido (2001)

Disney fazendo filme sobre escavações, ganância, Sci-Fi e uma civilização perdida? Onde eu assisto?!


Ainda não sei bem o que tinha na cabeça dos produtores quando a ideia desse filme foi aprovada. Aliás, a ideia de marketing mesmo. Se você olhasse os pôsteres da época, parecia que Atlantis: O Reino Perdido era um filme sombrio, daqueles que nós, moleques de oito anos não eram capazes de compreender.
A verdade é que é um pouco diferente disso.

Baseado no antigo mito da cidade perdida de Atlântida, o filme conta a história de como um grupo foi capaz de achar a cidade lendária, e do que aconteceu quando eles chegaram lá.
Um dos pontos que mais chamam atenção é que a trama geral é uma das mais realistas já feitas pela Disney. Todos os personagens tem uma profissão, um sobrenome e têm limites "reais". Eles também contam com histórias de fundo e motivos diferentes de algo completamente nobre ou coisa do tipo.
Todos eles são bem humanizados, e isso deixa cada um deles bem relacionável e mais interessante.

O roteiro do filme é excelente, mas comete alguns deslizes vez ou outra. Existem vários momentos bem dramáticos, por exemplo, e alguns deles não sofrem uma transição muito boa para partes menos tensas, o que acaba deixando tudo um pouco inapropriado.

Apesar disso, é inegável como o filme se apega à ideia de detalhes, e não só no que se diz aos personagens. A arte é espetacular, com cada novo lugar sendo mostrado com muito cuidado. Por conta disso, e do fato de esse ser um mundo que a audiência não está acostumada a ver, existem várias cenas panorâmicas, mostrando mais. A animação em si também é detalhada, com pequenos detalhes, como roupas e músculos se movendo de acordo com o movimento.
A cinematografia também é excelente, com várias cenas em ângulos tão bons... Também existe um equilíbrio saudável entre animação e o uso de CG, tão saudável que parece natural.
Em outras palavras, é de encher os olhos.

A trilha sonora do filme também é boa, e perfeitamente encaixável no que o filme tem. Não existem músicas cantadas de nenhuma forma, também. Eu, pelo menos, acho que a falta delas é boa aqui, já que não combinaria muito com o tom.

Apesar de ter sido um relativo fracasso financeiro, Atlantis é um filme excelente, e que vale a assistida.

Você está gostando do tema de Sci-Fi? Ótimo, porque esse será o foco por um tempo. Inclusive, soube de uma história de um alienígena caindo no Havaí. Isso deveria ser um filme...

quarta-feira, 23 de julho de 2014

A Nova Onda do Imperador (2000)

E depois de um filme mais dramático do que peça de teatro, nada mais apropriado do que uma comédia que só não é mais engraçada por falta de espaço.


A Nova Onda do Imperador segue uma filosofia simples: faça ele rir mesmo numa cena triste. O que mais chama atenção nesse filme é a forma curiosa usada para os personagens e seu roteiro tão exagerado que é bom.

Nesta trama, somos apresentados ao imperador Kuzco, o governante mesquinho e egoísta do império Inca. Depois de uma breve introdução (na voz dele próprio), o filme não demora para mostrar que, se existe um babaca no mundo da Disney, esse é o Kuzco. Sua vida de mimos, somada com o poder que ele tem nas mãos, formaram o imperador dos manés. Além disso, ele está em sua adolescência, piorando praticamente tudo. E, sim, ele é um ótimo personagem, justamente por causa disso. Essas características negativas formam alguém bem real, coisa que Dinossauro não soube fazer.
O melhor é que, no decorrer do filme, sua personalidade vai alterando devagar, e de forma bem clara, mas sem ser apressada.

Os vilões do filme são tão geniais que dói. Primeiro, nós temos Yzma, a conselheira imperial, e segunda principal fonte de piadas do filme inteiro. Descrita como "mais feia que briga de foice", ela é extremamente cruel e quer governar o império. A única razão para ela não conseguir é o segundo vilão.
Kronk é o seu personagem grandão e idiota, praxe em filmes do gênero, mas ele é tão bem executado que não perde pontos por isso.

Na verdade, o filme todo é bem executado. Ele é uma comédia, e não tem medo de mostrar isso. Ele é engraçado quando quer ser engraçado, a trama em si é bem bolada pacas (com várias frases bem marcantes), e, obviamente, é um divertimento grande.
Não tenho muito mais do que falar sobre ele, então fica aqui a recomendação: assista, é bacana.

OK, qual o próximo da lista? Pelo que estou vendo aqui... Tem algo a ver com uma cidade perdida e água pra caramba.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Dinossauro (2000)

E chegou o novo milênio! O ano 2000! Onde tudo era pra ser tão futurístico! Bom... Não foi bem assim, mas, ei, o que contava era a intenção.
E que forma melhor de dizer olá para os anos 2000 do que um filme em CG falando de... Dinossauros? OK...


Eu sou um grande fã de dinossauros. Sério mesmo. Apesar de saber que eu os odiaria se eles ainda estivessem por aí, sempre tive muito fascínio pelos grandões. Então, quando eu soube que Dinossauro chegaria aos cinemas, eu pirei. Seria aquele filme incrível, maravilhoso e... Bom, não foi bem assim...

Desde muito cedo eu tenho problemas com esse filme, e ao reassisti-lo para o bem dessa curta resenha, eu percebi tudo o que eu lembrava de ruim voltando. Vamos dar uma olhada nos pontos fracos para analisar os fortes.

O conceito de computação gráfica ficou bem popular nos anos 90, explodindo em diversos filmes, e, praticamente desde o começo, seu uso é uma polêmica. Muita gente reclama de CG em filmes, mas eu, pessoalmente, não tenho o menor problema, desde que seja bem feita e bem executada.
Inclusive, houve o uso de CG em filmes da Disney durante os anos 90, tais como O Corcunda de Notre Dame e Tarzan, mas era tudo bem sutil.

O grande problema desse filme é que todos os personagens são criados por CG. O truque é que os panos de fundo são todos reais e gravados, além de outros elementos. A questão é que apenas os personagens são computadorizados.
Apesar de serem modelos excelentes para a época (putz, ainda são muito bonitos hoje), eles acabam entrando em contraste sério com os fundos reais, o que permite mostrar à audiência que eles nem estão mesmo lá. Esse problema é especialmente notável durante a introdução do filme, mas fica mais sutil quando a trama progride (embora ainda seja notável de todo jeito). Dá a ideia de que é algo que não envelheceu bem... Talvez tenha sido por conta do limite tecnológico da época, mas a questão é que não dá pra esconder. Podia ter sido lindo em 2000, mas, hoje, o contraste acaba sendo alto demais...

A trama em si (que, no final das contas, pesa mais) tem um foco bem grande no drama, e, em teoria, tem um conceito bem interessante. Temos aqui uma menção à queda dos meteoros que iniciaram a extinção dos dinossauros, e praticamente toda a história mostra um bando sobrevivente partindo para um lugar chamado "Área dos Ninhos". Não é exatamente uma trama original, mas não deixa de ser interessante.

Para mim, o grande problema desse filme são os personagens, no caso, os que falam... Eles vivem em extremos: ou são bonzinhos demais, ou são cruéis demais...
O caso do Iguanodon Aladar é exatamente esse: ele é um cara bacana... Bacana até demais... Tão bacana, que dá raiva. Lembra o problema de Pocahontas, que eram os personagens perfeitinhos, mas, aqui, ele é bom demais, camarada demais, e, apesar de ser algo compreensível no começo, fica cansativo logo.

O "vilão", Kron, é o contrário. Ele é a definição de cretino, e de fascista também. É sempre sobre a sobrevivência do mais forte, um grande f*$#-se pros fracos e ele é o bonzão e é isso aí.

Isso torna os personagens muito irreais e difíceis de se relacionar. E, sim, eu sei que isso é um filme familiar com dinossauros falantes, mas eu não estaria dando tanto destaque se eles não tivessem dado a cada um desses personagens falantes tantas expressões. Eles são todos bem expressivos, com os olhos, as bocas e tudo mais (o que, a propósito, é um ponto positivo pros responsáveis pelas animações).

O grande destaque dessa bagunça são os dinos não-falantes, leia-se: aqueles presentes no número introdutório e os carnívoros. Em especial, os carnotauros.


Apesar de não estarem no tamanho real (aparentemente eles eram bem menores do que são retratados no filme), eles estão dentre os mais realistas do filme inteiro, e talvez seja por isso que sejam tão interessantes. As cenas deles sempre tem aquele toque necessário de suspense, mesmo que seja pouco. Lembram até cenas da trilogia Jurassic Park, pra ser honesto. Eles são bem-vindos ao filme, ainda mais com tantos personagens exagerados.

Um elogio que eu sou obrigado a dar aqui é à trilha sonora: ela é magnífica. As músicas são todas muito boas e, surpreendentemente, memoráveis também.

Pra fechar, Dinossauro não envelheceu muito bem... Eu achava o filme exagerado praticamente desde a primeira vez que o vi, e pouca coisa mudou desde então... Eu honestamente acho difícil de recomendar, mas se você tá interessado em ver, vai em frente. Pelo menos eles se esforçaram mais com os visuais.

OK, depois dessa, vamos direto para uma mudança de ritmo completa, e retornamos às animações tradicionais. Tudo vai começar com o imperador mais egoísta do mundo.

Fantasia 2000 (1999)

Eu havia me esquecido completamente que esse filme existia nos últimos dias. Talvez por conta do ritmo constante de filmes que a Disney foi lançado nos anos 90 (praticamente um por ano), ou simplesmente porque eu queria pular logo para o novo milênio...
De todo jeito, aqui está o próximo filme da nossa lista. O último no estilo de concerto feito pela Disney até hoje. Com vocês... Fantasia 2000.


Assim como o primeiro Fantasia, há muito pouco o que eu posso dizer sobre esse aqui, já que a essência do filme (e praticamente todo o resto) não pode ser simplesmente explicado; tem de ser vivenciado. Mas há algumas coisas que eu posso mencionar.

Primeiramente, o fato de esse filme se levar muito menos a sério do que o primeiro. Ele está aberto a piadinhas, momentos cômicos e até os momentos animados são mais leves em tom, e com o simbolismo um pouco mais sereno.

Existem aparições de algumas celebridades, como o ator Steven Martin e os comediantes Penn e Teller. Eles explicam um pouco sobre as cenas seguintes e dão uma noção de como foi chegado àquilo. Essas transições, por incrível que pareça, são bem divertidas e, de tudo o que acontece, tirarão mais risadas.

Minha grande reclamação é a reutilização de "O Aprendiz de Feiticeiro", que estreou no Fantasia original. Por mais que eu goste do curta e veja o porque de ele ser usado, ainda me pareceu um golpe um tanto baixo.

Não há muito mais o que falar. As composições do filme são todas clássicas, e as interpretações são muito boas também.
É um bom filme, mas eu não recomendo para alguém que queira uma animação mais direta, com enredo e tudo mais. Se você estiver aberto a algo no estilo do original, dê uma olhada nesse, talvez ache bacana.
Ah, e antes que alguém pergunte, é uma sequência digna, e eu acharia bacana pacas um Fantasia 3 de alguma forma. Quem sabe daqui a uns cinquenta anos?

Bom, agora sim, vamos entrar no novo milênio, e ver mais sobre os habitantes gigantes da Terra.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Tarzan (1999)


Não tinha sido ainda explorada a ideia de como um homem pode se adaptar ao ambiente em que ele vive antes de Tarzan. Esse filme não só trabalha com isso, como também passa a mensagem de aceitação própria.

A trama de Tarzan, geralmente chamado afora como o Rei dos Macacos, conta sua história de vida, desde o acidente que levou seus pais a se esconder na selva, até o dia em que teve que se provar como o líder do grupo de gorilas.

A forma como o personagem é caracterizado é interessante, e lembra um pouco o tema de "pessoa que não acha seu lugar mundo". A grande diferença é que Tarzan acredita saber onde é o seu lugar, e tenta fazer o melhor que pode para se encaixar lá.
Os demais personagens do filme também são muito bem pensados e, sem exceção, todos eles são desenvolvidos.

O que chama atenção no filme é seu ritmo energético, com músicas com o estilo selvagem, e animações que permitem cenas com mais velocidade e mais dinâmicas. Esse é um filme muito bonito, e todo o esforço pode ser visto só pela tela. Os planos de fundo são magníficos e os próprios personagens são bem desenhados e bem animados.

O foco volta a ser o drama, bem mais presente dessa vez, mas não com aquele clima pesado d'O Corcunda de Notre Dame. Num geral, temos um filme mais leve, menos tenso, mas que sabe ser dramático também, e se manuseia bem assim.

O desenvolvimento da trama é muito agradável e faz algo que não tinha a algum tempo, que seria a separação da história em dois arcos. Ambos estão relacionados, e a transição é muito sutil. Apesar de haver essa mudança no foco da história, o filme não se mostra dividido nem nada, mas sim bem completinho.

As cenas de ação são, de novo, dinâmicas e espetaculares de olhar. Isso graças à animação e às reações de cada personagem. A luta de Tarzan com a leopardo Sabor é incrível, estando dentre os pontos mais altos do longa.

A trilha sonora, por sua vez, é energizante e combina tão bem com tudo o que é mostrado, que é difícil imaginar algo diferente.

Tarzan é um filme e tanto. Tudo nele é espetacular, e merece ser assistido.

Fechamos aqui o século XX! Hora de entrar num novo milênio! E que forma melhor do que apresentar o futuro recriando o passado? Sim, vamos mudar o clima geral e voltar milhões de anos para o passado, para a época em que algo bem maior governava a Terra.

Mulan (1998)

Há muito mais para um país do que só o rei e a rainha. Existem momentos de conflito em toda a história da humanidade, e, apesar de ser um tema até clichê (considerando a quantidade de exemplares em diversas mídias que trabalham isso), ainda assim é uma raridade em certos momentos.


A primeira vez que o assunto de guerra aberta foi tocado pela Disney foi em Mulan, a história de uma jovem chinesa que, querendo salvar a vida de seu pai, foge de casa e se alista no exército para enfrentar os hunos.

Esse filme tenta trazer de volta o drama que permeava O Corcunda de Notre Dame, mas, ao mesmo tempo, procura manter um nível adequado de comédia. É um equilíbrio feliz, e cria um ritmo bem agradável. Nada parece muito apressado, nem lento demais.
Inclusive, a atmosfera é bem pesada, com o vilão do filme, o líder huno Shan-Yu, estando no centro do arco sombrio. As cenas em que ele aparece são todas escuras, com o som de tambores sendo tocados em um ritmo lento, e sempre algo de ruim acontece com ele por perto.

A maior parte do filme foca mesmo na heroína Mulan. Por conta disso, as cenas em que ela aparece são boas e ruins. Quando digo "ruins", digo no sentido de constrangedoras. Como ela tenta ser um homem para manter seu disfarce no exército, ela sempre acaba fazendo tudo errado, e sempre soa de forma embaraçosa. No entanto, quando ela não está mantendo disfarce, ou não está agindo completamente de acordo com seu disfarce, a personagem brilha.
Apesar de ela ser um estereótipo de atrapalhada que não acha seu lugar no mundo, ela tem um desenvolvimento excepcional, e, com o passar do tempo, os constrangimentos somem, e resta apenas o brilho.

Isso vale para todos os personagens, que mostram um crescimento notável com o passar do filme. Os poucos que não tem crescimento são muito bem apresentados, e mostram que não há necessidade disso.

A trilha sonora tenta capturar a atmosfera da antiga China, utilizando-se daquele mesmo estilo musical que todos nós já conhecemos de maneira ou de outra. A diferença é que ele é somado com o rufar de tambores, dando também um clima de guerra.

O tema de guerra é distante por boa parte do filme, mas tem presença como aquele mal no horizonte, mesmo não sendo um perigo imediato. Quando ele, de fato, surge, a tensão sobe um pouco, e, apesar de não existir muitas batalhas diretas, ainda são cenas bem épicas.

Mulan se aproxima mais do estilo trazido pelo Corcunda de Notre Dame, com o drama em primeiro lugar e uma temática bem séria, mas não se afasta completamente de Hércules. Isso permite que o filme tenha uma identidade própria, e o torna ainda mais recomendável.

Ah, sim! É esse também o primeiro filme da nossa lista, praticamente, em que a protagonista feminina além de não precisar de um homem para salvar o dia, acaba salvando a vida dele E do pais inteiro que ela mora. Então, é, respeitem esse aqui!

Vamos aproveitar o tópico de lendas e saiamos da China agora... Chegou a hora de ver como um homem, criado por gorilas, consegue conquistar qualquer obstáculo.

domingo, 20 de julho de 2014

Hércules (1997)

Não é de hoje que o conceito de "herói" é mal-interpretado. Dizem que ser um herói é sair por aí prendendo criminosos e matando monstros, ou coisas do tipo.
Na verdade, é bem mais profundo do que tudo isso. E é o que o filme da vez tenta ensinar.


Hércules deve ter sido o primeiro contato que muita gente teve com a Mitologia Grega. Talvez seja por isso que todos nós perdoamos os inúmeros erros canônicos que existem aqui. Bom, eu irei ignorar todos eles pra falar desse filme, até porque, o grande propósito é só sentar e aproveitar o show.

Por incrível que pareça, estou tendo dificuldades em achar as palavras certas pra falar desse filminho aqui... Acho que é mais o fato de que seja difícil chegar ao ponto com um filme que, bom, gosta tanto de brincar com o que tem.

O tom da vez não é mais o drama, tão presente e tão importante no Corcunda de Notre Dame. Na verdade, é justamente o contrário! O que temos aqui é uma comédia! Isso mesmo! Mudança drástica, mas que não pode ser vista como uma coisa ruim. O longa consegue se virar bem e conta com uma boa trama, bons personagens e uma trilha sonora bacana. Não é nada que fique muito profunda e lide com temas mais delicados, mas é um bom divertimento, e tenho quase certeza que esse era o plano.

A trama em si fala sobre o desejo do jovem deus de conquistar um trono no Olimpo, e a única forma de fazer isso é provando ser um herói de verdade. Ele consegue ir para o caminho certo até, mas logo se perde, confundindo os caminhos de glória e fama do sobre o que é certo. É um conceito interessante, e é bem aplicado também.

Os personagens, como eu já disse, são ótimos, havendo destaque para Hércules e Hades. No caso do herói, ele é um dos mais poderosos da Disney, e um dos poucos que conseguiu dar um bom sopapo na morte (sim, eu disse sopapo). Sério, quantos personagens viram sua amada morrer, foram ao submundo, pegaram a alma dela de volta e ressuscitaram a coitada? Até agora, só o Hércules.
Ele tem um bom desenvolvimento, inclusive. Sua personalidade sofre alterações sutis em vários momentos do filme, e lentamente o torna em um personagem bem mais adulto. Entre outras palavras, ele cresce.

Hades também rouba a cena, mais por conta de sua personalidade hilária e furiosa ao mesmo tempo. Ele me lembra um pouco o Capitão Gancho, mas com muito mais poder. Além de poder, ele se mostra bem mais único por conta de seu nervosismo. Algo dá errado? Ele pira.


Acaba ajudando ter um vilão assim, porque ele se encaixa bem no ritmo de comédia, e não parece forçado ou fora de lugar.

Falando em encaixar, a trilha sonora do filme é adequada. O estilo musical (das músicas cantadas, isto é) lembra muito músicas gospel americanas, o que é apropriado, já que um dos temas é religião... Religião da Grécia Antiga, mas creio que é aí que está a piada.
É uma trilha sonora boa, mas não tão memorável quanto os filmes anteriores. O mesmo vale para a direção de arte, falando nisso.

Hércules é divertido, engraçado, ensina algumas boas lições, e tudo nele é apropriado e bem aplicado. Dá pra sacar se alguém tem esse como seu filme favorito e tudo mais. Recomendo pacas, você não vai se arrepender.

Continuemos a falar sobre lendas históricas, mas chega de mitologia por enquanto... Que tal... Algo lá na China?

O Corcunda de Notre Dame (1996)

Qual é a diferença entre um homem e um monstro? Há quem diga que é na aparência. Mas, na verdade, a diferença está na alma.


Eu estava muito ansioso para revisitar O Corcunda de Notre Dame quando iniciei esse projeto. E, ao ver o filme pela primeira vez em tantos anos, fiquei maravilhado em como o mesmo envelheceu bem, e em como sua trama e tom geral são tão incríveis.

Pela primeira vez desde A Bela e a Fera, o gênero que mais comanda o filme é o drama. Essa não é uma história para os fracos de coração nem para as crianças muito pequenas assistirem. A grande razão disso é o enorme peso de seus temas, e o ritmo incrivelmente realista e cruel do filme.

A lenda do corcunda Quasímodo é uma das mais famosas do mundo, e, depois de várias transformações do personagem, ou de pessoas no seu estilo, em monstro ou aberração, chegou a Disney para torná-lo um herói, e de uma maneira incrivelmente épica.

A grande mensagem do filme é a de que o coração da pessoa é seu aspecto mais importante, e não sua posição social ou seu cargo. A forma como ele explica isso é com uma das aberturas mais incríveis, mais atmosféricas e mais sombrias da Disney, na qual é narrada a origem do corcunda e de como ele foi parar dentro da Catedral.

Os personagens do filme são simplesmente perfeitos, cada um mais real do que o outro. Não é aquela "perfeição humana" de Pocahontas. A forma como eles interagem entre si é simplesmente maravilhosa, e o roteiro lhes permite ser explorados da melhor maneira possível, sem exceções.

O roteiro! Caramba, o roteiro! É um dos mais bem formados e sólidos que já vi, praticamente sem falhas. OK, talvez eu esteja exagerando, mas, sério, é fantástico! São tantas cenas memoráveis, algumas sendo as mais fortes já feitas pela Disney até hoje!

Eu sou um grande fã de coro orquestral, então sou suspeito pra falar, mas a trilha sonora desse filme é tão maravilhosa, e ela adiciona tanto à moral do filme (assim como o deixa mais épico), que também ajuda a fazer as cenas que mencionei agora pouco. Alan Menken, o compositor da Disney desde A Pequena Sereia, se superou dessa vez.

Alerta de spoilers, porque tenho que dizer essa...
Uma das melhores cenas do filme inteiro é quando Quasímodo salva a cigana Esmeralda da fogueira (já que ela havia sido sentenciada à morte) e sobe de volta para a catedral em praticamente um movimento só. A multidão que cercava a igreja, assim como o vilão do filme, mestre de Quasímodo e quem sentenciou Esmeralda, assiste enquanto ele ergue a jovem, ainda desmaiada, e grita "Santuário!" várias vezes, resultando na torcida de toda a multidão, e iniciando uma verdadeira guerra civil nas ruas de Paris.

Não só a direção artística, mais uma vez, é maravilhosa aqui, como a trilha sonora, a forma como tudo acontece, e o resultado dessa ação são capazes de criar arrepios.

Há também muito simbolismo no filme, com vários momentos ficando abertos à interpretação de quem assiste. Um dos momentos é com Frollo, o vilão do filme, em frente à sua lareira, cantando sobre Esmeralda.

Existe um tópico religioso, muito bem explorado por sinal. Quando digo isso, não quero dizer que o filme é daqueles que enfiam religião abaixo, não. É tudo bem sutil, e está nas entrelinhas, sendo um tópico importante, mas que fica de segundo plano, e não causa problemas assim.

Eu podia passar o dia todo falando o quão maravilhoso é esse filme e tudo, mas melhor parar antes que eu enlouqueça.
Eu recomendo esse com toda a certeza. Muitos de seus temas só podem ser realmente compreendidos por pessoas com mais conhecimento e idade, mas também serve para as crianças que, embora não compreendam as entrelinhas do filme, tem muito o que aprender sobre o que ele tem a ensinar.

Vamos sair de Paris, e voltar alguns milênios no tempo... Sairemos da tragédia do homem, e vamos falar de deuses.

Pocahontas (1995)

É interessante como o mundo tem problemas com adaptações livres. Se você pega um material original e altera aqui ou ali (ou em qualquer lugar, na verdade), você imediatamente sofre problemas e passa a ser criticado pela maioria das pessoas do mundo.

O problema é que existem adaptações livres muito boas, e é de uma delas que vamos falar aqui.


Eu não conheço a versão original da lenda de Pocahontas, mas consigo ver quais foram as alterações feitas para o filme da Disney, assim como entendo seu porque.

Ambientado no território o qual seriam as Treze Colônias anos depois, o filme conta a história da indígena Pocahontas e de quando surgiram os primeiros colonizadores ingleses.
Por ser um filme de família, da Disney, ainda por cima, não se pode esperar que esse seja um daqueles filmes historicamente corretos. É verdade que os indígenas são retratados de forma BEM incorreta? Sim. É verdade que os colonizadores são mostrados bem mais gentis e tolerantes? Sim.
Mas, esse filme não é feito pra ser historicamente correto. Caraca, tem um guaxinim e um beija-flor que ficam sorrindo, se comunicam entre si, e sendo alívio cômico! Não é pra levar esse filme a sério!

Bom, com isso fora do caminho, vamos ver o que pode ser dito.
Os personagens do filme são bons e tudo, mas eu não os acho relacionáveis. A grande questão aqui é Pocahontas e o inglês John Smith (é difícil aparecer com um nome mais inglês que esse). Seus personagens são tolerantes e mente-aberta demais... São dois exemplares perfeitos e sem falhas de ser humano, praticamente, então é difícil achá-los interessantes o suficiente. Mas, devo lembrar, ainda são bons personagens.

Por mais estranho que isso vá soar, a trilha sonora faz uma parte grande do filme. Algumas cenas ficam fantásticas graças à música de fundo. Obviamente que as músicas cantadas também tem sua importância. Inclusive, não existe muito de músicas "divertidas" ou algo assim. Elas parecem estar para o lado mais dramático da coisa, servindo para desenvolver personagens.

Uma coisa que esqueci de mencionar quando falei de O Rei Leão é de que a própria mãe-natureza parecia ser uma personagem própria. Nesse filme, ela não se mostra presente dessa forma, o que forma um contraste interessante.

A direção artística desse filme é quase impecável. Ela praticamente cria o tom e as cenas mais memoráveis do filme inteiro. Somada com a trilha sonora, você tem um par perfeito, e o resultado são cenas incríveis.
Algumas são bem ousadas, mostrando o principal "vilão" do filme (que praticamente nunca entra em confronto direto com nenhum dos protagonistas) sorrindo e segurando a bandeira da Inglaterra. Dá pra entender pelo contexto, mas, ainda assim, é um movimento bem... ousado...

Eu só gostaria de falar também da forma como Pocahontas vê o mundo, e de como ela se guia através do vento. Essas cenas, também, são muito bacanas, e adicionam ao charme e ao carisma do filme.

Ah, e tem várias referências a águias nesse filme. Deixo você perceber o por quê sozinho.

Enquanto que esse filme fala dos homens de alma ruim, maléficos e sem coração, assim de como todas as nossas diferenças podem ser resolvidas apenas com o diálogo, o próximo tenta mudar um pouco as coisas. Ele vai mostrar que o que realmente importa é o coração, e não as aparências.

sábado, 19 de julho de 2014

O Rei Leão (1994)

Já falamos de princesas, príncipes, pretendentes, rainhas e até um sultão. Mas, parando pra pensar, nunca falamos sobre reis...


Eu adoro a arte sutil desses pôsteres, você não?

O Rei Leão está dentre os filmes mais famosos e lucrativos da Disney, sendo o grande vencedor de bilheterias dos anos 90, e uma das produções mais respeitadas da empresa.
O motivo para eu dizer isso tudo é justamente para mostrar como ele deu certo, e como eles souberam contar a história de Simba.
Creio que não preciso apresentar o filme para vocês. De um jeito ou de outro, você pelo menos ouviu falar ou já assistiu ele todo.

Esse é um dos raros casos em que a introdução do filme consegue ser um ícone por si só. Quem não lembra daquele momento em que está tudo escuro, e então surge o sol, iluminando tudo em seu caminho e a icônica música "Ciclo sem fim" começa a tocar. Você provavelmente conseguiu visualizar.

A trama é uma das primeiras dentro da Disney que trata de política de uma maneira tão sutil, mas tão simples de perceber. Ela pode ser observada através do desejo de Scar em tomar o trono, e como ele pretende fazer isso.
O interessante no vilão é a sua crueldade. Ele é capaz de matar o próprio irmão e sobrinho para conseguir o que quer, e não sente o menor remorso.

Há também alguns toques de filosofia e bastante simbolismo.
Uma das cenas do filme mostra, de maneira literal, o caminho para a aceitação do passado, que pode ser visualizada quando Simba, o príncipe do reino, está seguindo o babuíno Rafiki para encontrar o fantasma de seu pai.
Simba sente medo de enfrentar seu passado, já que ele se considera culpado pela morte do pai, mas ele acaba se vendo forçado a lidar com isso e seguir em frente.

O drama é constante no enredo do filme, auxiliado pela atmosfera da direção de arte e da trilha sonora. Lugares como o cemitério de elefantes exasperam o mistério, e são lugares perfeitos para as cenas em que eles ocorrem.
Isso tudo sem dizer que uma das cenas está dentre as mais populares e tristes já feitas pela Disney:


O filme tem um ritmo interessante, o qual eu não consigo explicar completamente. Apenas sei que é outro daqueles que recomendo pra caramba. Se você ainda não teve chance de assistir, bem, aproveite-a quando puder.

Nesse tom, vamos ficar aqui na selva, e ouvir ao vento. Ele trás novidades de um mundo novo.

Aladdin (1992)

Não faço ideia de como fazer essa introdução, então, vamos simplesmente pular para o filme.


Aladdin é um filme bom pra caramba. Tipo, bom mesmo. Não só sua trama caiu direto no gosto da cultura pop, como também introduziu vários personagens carismáticos.

Uma coisa que eu observei enquanto via o filme, talvez pelo fato de tê-lo assistido já centenas de vezes, é que existem várias mensagens tentando ser passadas. Ser você mesmo, o perigo do desejo por poder, saber usar um poder maior, e coisas assim estão presentes, e são mencionadas de forma sutil.

Bom, falemos dos personagens.
Começando pelo personagem titular, Aladdin é daqueles que entra no gosto do público assim que aparece. É simpático, divertido e um bom garoto no geral. Acho que o ponto principal nele é justamente o seu carisma. O jeito como ele passa pelas situações que tem de enfrentar ajudam nisso, e, também, ele é um bom protagonista, mas não da forma como Ariel era. No caso, ele se ajusta ao que a trama joga nele, e não o contrário. Isso é bom porque o filme passa a agir de maneira um pouco diferente, e única, de certa forma. Além disso, vemos mais do protagonista e sua determinação quando o mundo se move sem precisar dele e ele deve se virar.

O caso de Jasmine é semelhante. A jovem princesa também não é quem puxa as rédeas (exceto em um momento), mas se ajusta a elas. É uma personagem boa também, e é uma das poucas princesas Disney que escapam do clichê de donzela amável em perigo, até porque ela é bem mais esperta do que parece (embora fosse mais bacana se tivessem explorado esse lado um pouco mais).

Quem acaba comandando os eventos do filme é ninguém menos do que o vilão Jafar. Praticamente tudo o que acontece ocorre por causa dos planos dele (que, a propósito, nunca dão certo). Isso pode soar estranho, mas com uma análise mais delicada, dá pra perceber.
Fora isso, ele é bem feito também. Seu desejo de poder, apesar de clichê (um conselheiro/vizir real que quer o trono), é bem trabalhado e mostra até que ponto ele é capaz de ir.
Inclusive, sua relação com o papagaio Iago cria algumas conversas e revelações bem interessantes.

Apesar de ter um lado mais dramático, é inegável que Aladdin apela muito para o lado cômico também. É aqui que personagens como o macaco Abu, o tapete mágico e, é óbvio, o Gênio fazem aparições brilhantes.
Eu queria falar um pouco do Gênio (que, sério, fará você rir de um jeito ou de outro), mas ele já é bem popular por conta própria, o que acabaria tornando o que eu falar redundante.

As músicas desse filme estão dentre as mais memoráveis da Disney, e todas elas são difíceis de esquecer, mesmo depois de vários anos.

E, finalmente, isso é tudo o que consigo dizer. Apesar de não estar no patamar de A Bela e a Fera, Aladdin ainda é um filmaço, e você deve tirar um tempo pra assistir. É muito divertido, e vale a pena!

Agora, sairemos do deserto diretamente para as selvas, aprender o Hakuna Matata.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

A Bela e a Fera (1991)

Quando eu comecei esse projeto, lá pra 2012 ou algo assim, tinha uma fase que eu queria muito que chegasse logo. Eu estava esperando justamente pelos anos 90, a época que praticamente mais me influenciou durante a infância. É também nesse período que a Disney começa a acertar sucesso depois de sucesso. Muita gente tem boas lembranças dessa época.

E que maneira melhor de começar um período de sucesso com uma obra-prima tão maravilhosa e tão inexplicável, que fala sobre como o amor consegue sobrepor qualquer obstáculo, e como ele muda as pessoas. Falemos um pouco de A Bela e a Fera, um dos maiores clássicos da história do cinema e dos contos de fadas.


Difícil que alguém não tenha nem noção de como é a história desse filme. A trama do filme fala sobre um príncipe mimado e grosseiro, que foi amaldiçoado por uma feiticeira a se tornar em uma fera quando ele se recusou a oferecê-la abrigo, e uma jovem moça, modesta e delicada.

A jovem, Bela, vivia em um vilarejo, onde era sempre vista como estranha pelas pessoas, por conta da sua paixão por livros, e sua forma de pensar.
Apesar de sempre se focar em seus livros, ela acabou virando o alvo da paixão de Gaston, o valentão da vila: um homem egocêntrico e muito arrogante.

Um dos meus pontos favoritos do filme é justamente o encontro inicial entre a Bela e a Fera. Não só a expressão de horror nela é ótima, como o jeito da Fera também é incrivelmente real. Os momentos iniciais da Fera são todos assim: tudo ocorre na escuridão, com apenas aquela sombra rondando o castelo.

O momento quando Bela se oferece para ficar no castelo como prisioneira ao invés de seu pai também é incrível, com ela jogando as mãos ao rosto e caindo de joelhos ao ouvir que seu hóspede monstruoso aceita. Um dos motivos de eu ter gostado disso é porque, hoje em dia, ou a personagem feminina é muito dura ou muito sensível, e teria reagido de forma mais extrema. Já Bela mostra sua intenção nobre, mostra que vai ficar lá para salvar seu pai, mas, mesmo assim, não esconde o medo que ela tem.

Esse filme também conta com uma das melhores transições que eu já vi até agora. Diferente de praticamente todas as princesas anteriores a ela, Bela passa uma boa temporada no castelo com a Fera, e é nesse período que eles se conhecem melhor e, evidentemente, acabam se apaixonando. Um dos frutos disso é a mudança que a Fera vai sofrendo, até se tornar em uma pessoa bem diferente. O bom é que isso não parece apressado ou repentino. Você consegue ver a mudança acontecendo.

Agora, falemos do vilão por um minuto. Gaston é um dos melhores da Disney, sem mais. Ele está lá em cima com os grandes Capitão Gancho e Malévola. O que o torna tão divertido, além de sua característica desprezível é o seu grande objetivo. Assim como Cruella, que não sonhava em dominar o mundo, é bem simples: ele quer se casar com Bela, e está disposto a tudo para isso.
O problema é que ela não gosta dele, e isso o obriga a ficar criativo com suas tentativas, e, sem dizer muito, ele acaba indo longe demais.
Vilões menos "super" e mais humanos são sempre bem-vindos.

A trilha sonora desse filme não desaponta em nenhum momento. Todas as músicas são belíssimas, com destaque especial indo para a música tema:



E por favor, quando eu digo "trilha sonora", não pense apenas nas músicas cantadas. As trilhas de fundo são uma melhor do que a outra.

A trama desse filme não tem um buraco sequer, as músicas são inesquecíveis e os personagens são tão bem trabalhados que são quase reais. Dá pra ver de longe: A Bela e a Fera é uma verdadeira obra de arte, que tem que ser assistida por todos nesse mundo! Se você ainda não viu por alguma força da natureza, veja! É um filme espetacular e que eu tenho certeza que você vai adorar. É como o próprio pôster diz: "A história de amor mais linda já contada".

Depois disso, creio que seja justo que, agora, respiremos fundo e esperemos, pois está na hora de pegarmos um tapete mágico.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Bernardo e Bianca na Terra dos Cangurus (1990)

Hoje em dia, o senso comum é de que a Disney não sabe fazer sequências. Considerando a existência altamente duvidosa de filmes como "Cinderela 2" ou 3, "A dama e o vagabundo 2", ou até mesmo "A Pequena Sereia 2", não é idiota concordar com esse senso...

Então, eu gostaria só de explicar bem o que acontece. A divisão que trabalha em todas as pérolas de que venho falando nesse projeto não é a mesma por trás de todas as sequências "ruins". Isso é com a divisão de entretenimento caseiro da Disney.

Com isso fora do caminho, podemos falar desse filme sem preconceitos.


Eu nunca tive a chance de ver esse filme antes de começar esse projeto. A primeira vez que eu assisti foi justamente hoje. Isso talvez tenha sido metade da razão para eu estar tão ansioso em vê-lo.
Como você já deve ter notado, isso aqui se trata de uma sequência para "Bernardo e Bianca" de 1977 e, não, não é uma sequência ruim.

Um dos motivos principais por trás disso é justamente a enorme diferença atmosférica e temática que esse aqui tem do original. Não existe mais aquele tom sombrio e melancólico, e agora existe um ritmo mais rápido e mais animado. Inclusive, várias cenas do filme podem acabar causando risadas.
E isso não é uma coisa ruim. Essa mudança acaba permitindo que o filme crie uma identidade só, e tente ficar longe da sombra que o primeiro criou.

Eu tenho que dizer que, ver Bernardo e Bianca, em uma nova cena, depois de tantos anos, foi difícil de explicar. Isso vai soar estranho pra burro, mas foi maravilhoso vê-los de novo, e em cenas que eu nunca tinha visto antes.
E foi ainda melhor ver que eles não mudaram em nada. Bianca continua sendo descuidada e bem charmosa, enquanto Bernardo é o cara tímido e cuidadoso. Surge uma tensão amorosa por aqui, com ele tentando pedi-la em casamento sempre que pode. Apesar de isso poder parecer algo que não se mexe, eu gostei da ideia, visto que tal tensão já existia no primeiro filme de todo jeito.

O cenário, dessa vez, tem uma escala bem maior, e dá aquele sentimento de aventura, uma ideia que não tinha sido explorada antes, mas que consegue ser bem manuseada assim.

A trama do filme, em si, ainda segue o padrão do primeiro filme: criança sofre alguma coisa, e eles partem para salvá-la. Eu prefiro manter o misticismo e não falar nada mais do que os pôsteres já dizem, até porque, é uma história que pode causar diferentes reações.
Não entrarei em detalhes, mas eu gostaria de falar sobre um ponto em particular que chamou minha atenção.

Não sei se posso mencionar isso como um problema, ou não, mas Bernardo e Bianca tem bem menos tempo em tela do que no primeiro filme. Vários momentos da trama focam no garoto sequestrado e em seu abdutor. O lado bom é que isso acaba desenvolvendo seus personagens, e mostra algumas cenas bem divertidas, embora outras acabem não fazendo muito sentido. O lado ruim é que, bom, nossos protagonistas não aparecem tanto. Isso fica a cargo de cada um, creio eu.

"Bernardo e Bianca na Terra dos Cangurus" é um filme divertido pra caramba, e, honestamente, é difícil pensar em algo que ele fez errado. Se afastar do estilo do primeiro, apesar de ser arriscado para uma sequência, acabou sendo uma boa ideia bem trabalha, e cria ainda mais charme. Se você viu o primeiro filme, e gostou, talvez goste do estilo desse.
Apesar de não ser tão bom quanto o primeiro (já que o charme e estilo do clássico de 1977 é imbatível), ainda é um filme incrível, uma ótima sequência e eu recomendo muito.

OK, não veremos sequências por pelo menos oito anos, então vejamos o que mais temos na lista... Oh, esperem, tem uma senhora batendo na minha porta. Ela está falando alguma coisa sobre ser gentil e modesto.