domingo, 24 de fevereiro de 2013

O momento mais importante de minha vida

Já aconteceu alguma vez de você entrar em uma situação que você nunca acreditou que iria passar? Você ficar pensando que, durante aquela manhã, você nem pensava que tal coisa iria acontecer? Algo assim aconteceu comigo hoje...

Hoje era um dia em que eu não tinha o menor interesse em ir à missa... Estava com muita preguiça pra ir. Como todo mundo daqui de casa ia à missa, me senti obrigado a ir.
Esses dias não ando muito feliz comigo mesmo, e não estava nem um pouco interessado em sair de casa... Mas, acabei indo.

A missa foi regular, coisa de sempre, segundo domingo de quaresma, e tal.

Quando a missa acabou, simplesmente fomos e seguimos caminho de volta pra casa. Passando por uma das árvores na praça da igreja, nós ouvimos um ganido de cachorro. Meu irmão, que tava mais à frente, descobriu que era um cachorrinho abandonado em baixo da árvore. O cãozinho não era maior que minha mão... Bem pequeno, chorando, com os olhos ainda fechados. Se ele tinha três dias, já era muito tempo.
O que me cismou era que ele estava ao lado de uma caixa de papelão com jornal dentro. Não restava dúvida. Alguém tinha abandonado ele lá.

Minha família não pôde acolhê-lo... Tenho dois cachorros em casa, e já temos um pouco de dificuldade pra nos manter com o mais novo, que completou quatro meses há pouco tempo... Não dava pra acolher mais aquele...
Nem preciso dizer que eu queria me matar naquela hora, quando começamos a nos afastar do cachorro. Todo mundo ficou chateado com isso... Mas, chegamos à esquina, não deu pra continuar. Eu parei e olhei de novo. Um grupo de pessoas tinha aparecido, mas nenhum deles o pegou.

Não dava pra deixar ele ali sozinho, simplesmente não dava. Eu pedi permissão à minha mãe e voltei à igreja. Passei pelo cachorro, e duas senhoras apareceram. Elas pareciam curiosas a respeito dele, e eu perguntei se o pessoal da igreja poderia ajudar em alguma coisa. Elas não sabiam, embora tenham mencionado que a igreja estava pra fechar.

Fui correndo pra lá, encontrei alguns funcionários e perguntei a eles o que poderia ser feito... Eles não podiam ajudar com isso, mas deram a informação de que pessoas perto do Banco do Nordeste poderiam auxiliar.
Voltei para onde o cachorrinho estava e chamei a família, que estavam ainda na esquina, me esperando. Enquanto eles vinham, fiquei um tempinho com o cachorro. Dei um pouco de carinho nele, tentando aquecê-lo, já que realmente estava muito frio. Ele ainda tentava dar uns passinhos, provando que ele estava aprendendo a andar.

Quando a família finalmente chegou, eu falei do que poderia ser feito, de acordo com o que o pessoal da igreja falou. Nessa hora, as duas mulheres de antes vieram acompanhadas de uma terceira. Elas passaram um tempo conosco. Foi quando a terceira delas, mencionou que um familiar seu estava querendo um cãozinho. Ela então decidiu acolher o cachorro, e disse que iria cuidar dele. Ela pegou ele e sua caixa e seguiu.
Vendo que o cachorro teria um lar, nós nos acalmamos e fomos embora.

Eu poderia mentir e falar que saí todo posudo e tal. Mas não, eu chorei... Chorei tanto por estar triste pelos ganidos do cachorro, e chorei de alívio por alguém ter ficado com ele. Fiquei pensando, se eu não tivesse voltado pra falar com o pessoal da igreja?
Eu nem queria ir à missa hoje! Se eu não tivesse ido? Aquele cachorro teria morrido de fome, ou de frio?

Acho que se eu não tivesse feito nada, se não tivesse mostrado interesse em cuidar dele, nada tinha acontecido.

Nessa hora, eu me lembrei da frase final de um texto que eu até traduzi e trouxe pra cá antes.

"grandes momentos nos pegam sem perceber - lindamente embrulhados no que outros consideram pequenos"

Espero que aquele cachorro cresça e tenha uma vida saudável e feliz. É o que todo animal merece. 

A Cidade Fantasma - Capítulo 2: O último sobrevivente

Durante uma missão, é indispensável que você a mantenha sempre em primeiro lugar. Esquecê-la e manter fé nos seus camaradas pode resultar em algo catastrófico...
Foi exatamente o que aconteceu comigo. 
Há menos de duas horas atrás, eu fui traído pelo meu colega Caleb, que me deu um tiro na barriga, para me usar como isca. Eu ganharia tempo para que ele fugisse do enorme réptil que estava nos alcançando. 

Eu ainda estou vivo, e também estou inteiro. Não tenho ideia se ele conseguiu escapar, ou se o réptil o alcançou... Não havia nem sinal deles. Só que havia uma coisa diferente... Eu não estava no mesmo lugar em que caí... Eu estava sentado, apoiado em um prédio, como se alguma coisa tivesse me pego e me jogado até lá. Minha cabeça doía, ainda dava pra sentir a dor no abdômen, e tudo estava escuro... literalmente. 

Eu estava sem relógio, mas, a julgar pelas aparências, deduzi que já tinha passado das duas da madrugada. A minha dor estava sendo insuportável, e era claro que eu precisava de ajuda médica. Talvez, depois de todo aquele alvoroço, eu conseguisse algum sinal com a base... Puxei o rádio que, por algum milagre, ainda estava comigo.

"Equipe Alfa para Base... Preciso de ajuda. Câmbio."

Era como eu esperava: nenhuma resposta... Comecei a esperar o pior. 
Dei uma olhada no meu ferimento e notei que o sangue já estava estancando. O tiro que Caleb me deu não havia sido fatal e, por algum milagre, não me deu mais problemas.
O problema é que eu ainda podia sentir a bala lá dentro. A pior parte de levar um tiro, depois de aguentar a pancada e sobreviver, era retirar a bala sozinho... 
Com um pouco de esforço e dor, puxei minha perna esquerda um pouco e retirei a faca que estava lá.  Apontei a lâmina para minha ferida, mas hesitei em penetrá-la para procurar pela bala e retirá-la. E se eu acertasse algo importante...? Morreria ali mesmo, sem a menor chance de ajuda. Além disso, o pequeno buraco que eu tinha por conta da bala não parecia ser o suficiente para que a radiação desse lugar me afetasse... Se eu abrisse ainda mais o ferimento, as coisas poderiam ficar piores, e eu não teria a menor chance... Guardei a faca, e dei mais uma olhada a meu redor. Estava escuro, mas meus olhos se adaptaram à escuridão, e eu pude enxergar um pouco melhor... A rua estava vazia, então aproveitei a chance para tentar me levantar. 
Foi doloroso, mas consegui... 
Me apoiei na parede com uma mão, enquanto a outra ficou acima do meu ferimento. Dei uma nova olhada ao redor, e com mais atenção. Foi quando notei algo estranho no asfalto. A fraca iluminação da lua parecia refletir em alguma coisa. 

Soltei da parede e fui mancando até a mancha. Vendo mais de perto, notei uma coloração avermelhada. Deduzi que era sangue, mas do que, eu não fazia ideia. Segui o rastro com os olhos até a esquina, e vi algo caído. Mesmo com os olhos adaptados, eu não pude reconhecer aquela forma. 
Com um pouco de dor, me abaixei e peguei minha faca. Me aproximei lentamente daquele vulto, até o momento em que pude reconhecer seu formato. Dobrei a esquina e minhas suspeitas foram confirmadas. 
O lagarto gigante que atacou minha equipe estava morto, bem à minha frente. Eu o reconheci por conta do seu olho baleado, e algumas marcas de balas que ricochetearam em sua pele. 

Dei uma olhada breve em seu corpo, e não encontrei nenhum ferimento feito por armas de fogo, ao menos não letal. Como ele morreu? 
Olhei para onde seu cadáver apontava, e notei um rastro ainda maior no asfalto. Eu não pude ver o final dele, mas preferi não ficar para descobrir. Dei um passo para trás e pisei em uma enorme poça de sangue. Ela parecia estar vindo de baixo do corpo do lagarto. 
Me afastei o máximo que pude. 

Enquanto andava, lembrei do helicóptero flamejante do grupo Bravo. Ele havia caído em uma rua paralela. Se eu tivesse sorte, talvez encontrasse algum sobrevivente, ou ao menos algo para ajudar. Tentei ir para lá o mais rápido possível. A bala alojada em meu corpo estava me causando dores terríveis, mas eu consegui persistir. 

Depois de alguns minutos andando, encontrei o helicóptero. Ou o que restou dele... Ele ainda estava em chamas, mas o pior parecia ter passado.
Me aproximei um pouco, e procurei pelos passageiros, mas eles não pareciam estar por perto. Olhei os restos do helicóptero, e tentei observar o que estava dentro dele, mas não tive sorte... As chamas ainda estavam um pouco intensas para que eu pudesse checar com tranquilidade. 
Não havia sinal de algo vivo lá dentro, então supus que todos estavam mortos. Me afastei e fiquei observando as chamas por alguns instantes. 

Puxei o rádio e o ativei uma última vez... Eu queria ter certeza de que eu estava sozinho.
"Aqui é Vinstöffen... Ainda tem alguém que possa me ouvir?"
Não houve nenhuma resposta por cinco minutos. Puxei o rádio novamente, e falei:
"Eu acho que não tem mais nenhum sobrevivente... Mas, se existir alguém na cidade, estou indo de volta para o acampamento. Tentarei contato para fora da cidade por lá..."
Guardei o rádio e olhei na direção do acampamento. Dei um suspiro, e comecei a andar para lá. 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Treinamento de Narrativa #7

Eu notei uma coisa interessante aqui no blog... Toda vez que eu erro em alguma coisa, minha postagem explode em comentários, a boa maioria dizendo que estou errando (e raramente explicando o que há de errado). Por causa disso, estou supondo que as postagens que não tem comentários são as que eu acerto tudo e não há erros...
Bom, como as outras postagens não tiveram reações (no caso, a edição passada), vou supor que estou no caminho certo.

Bom, quanto ao texto, eu gostaria de segurar os comentários para depois dele. Acho que se eu contar agora, acabarei quebrando a ideia e o mistério por trás desse aqui...

Narrador: 3a Pessoa
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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Escrito por um Motorista de Táxi de Nova York

"Eu cheguei no endereço e buzinei. Depois de esperar alguns minutos, eu buzinei novamente. Já que essa era a última carona do meu turno, eu pensei em simplesmente ir embora, mas eu estacionei o carro e andei até a porta e bati... 'Só um minuto', disse uma voz fraca e idosa. Eu pude ouvir alguma coisa ser arrastada pelo chão.

Depois de um longo tempo, a porta abriu. Uma mulher pequena, em seus 90 anos, ficou diante de mim. Ela estava usando um vestido impresso e um chapéu em forma de caixa com um véu preso sobre ele, como alguém de um filme de 1940.

Ao lado dela estava uma mala de nylon. O apartamento parecia não ter nenhum morador durante anos. Todos os móveis estavam cobertos em lenços.

Não tinha relógios nas paredes, nem adereços e utensílios nos balcões. No canto, tinha um cartão cheio de fotografias e objetos de vidro.

'Você pode levar minha mala até o carro?' ela disse. Eu levei a mala até o táxi, então retornei para ajudar a mulher.

Ela pegou meu braço e andamos lentamente para o carro.

Ela continuou me agradecendo por sua gentileza.'Não é nada', eu disse... 'Eu só tento tratar meus passageiros do jeito que eu gostaria que minha mãe fosse tratada'. 

'Oh, você é um rapaz tão bom', ela disse. Quando chegamos ao táxi, ela me deu o endereço e perguntou, 'Você pode dirigir pelo centro da cidade?'

'Não é o caminho mais curto', eu respondi rapidamente...

'Oh, eu não me importo' ela disse, 'Estou sem pressa. Estou indo para um hospício'. 

Eu olhei pelo retrovisor. Os olhos dela estavam reluzentes. 'Eu não tenho mais família', ela continuou em uma voz suave... 'O doutor disse que não tenho muito tempo'. Eu silenciosamente estendi a mão e desliguei o medidor.

'Que rota você gostaria que eu tomasse?', perguntei.

Pelas próximas duas horas, nós dirigimos pela cidade. Ela me mostrou o prédio onde ela havia trabalhado como operadora de elevador. 

Nós dirigimos pelo bairro onde ela e seu marido tinham vivido quando eram recém-casados. Ela me fez parar em frente a um armazém de móveis que uma vez foi um salão de bailes onde ela foi dançar quando ainda era uma garota. 

Algumas vezes, ela me pedia para diminuir a velocidade na frente de um prédio ou esquina em particular e ficava olhando para as sombras, sem dizer nada.

Na primeira nota de que o sol estava descendo no horizonte, ela de repente disse, 'Estou cansada. Vamos.'
Nós dirigimos em silêncio para o endereço que ela me deu. Era um prédio baixo, como uma casa de repouso, com uma entrada de garagem que passava debaixo de um pórtico.

Dois enfermeiros foram para o táxi assim que eu freei. Eles eram cuidadosos e atentos, observando todos os movimentos dela. Eles deveriam estar esperando-a.

Eu abri o porta-malas do carro e levei a mala para a porta. A mulher já estava sentada em uma cadeira-de-rodas.

'Quanto eu lhe devo?' ela perguntou, puxando sua bolsa.

'Nada', eu lhe disse.

'Você tem que ganhar a vida', ela respondeu.

'Há outros passageiros', eu respondi.

Quase sem pensar, em me abaixei e dei-lhe um abraço. Ela me segurou com força.

'Você deu a uma mulher idosa um momento de alegria', ela disse. 'Obrigada'. 

Eu apertei sua mão e andei para a tênue luz da manhã... 
Atrás de mim, uma porta fechou. Era o som de uma vida fechando...

Eu não peguei mais nenhum passageiro naquele turno. Eu dirigi sem rumo, perdido em meus pensamentos. Pelo resto do dia, eu mal pude falar. E se aquela mulher tivesse pego um motorista irritado, ou um que estivesse impaciente para terminar seu turno? E se eu tivesse me recusado a fazer a corrida, ou tivesse buzinado só uma vez e tivesse ido embora?

Em uma análise rápida, eu não acho que tenha feito nada mais importante na minha vida. 

Somos levados a pensar que nossas vidas giram ao redor de grandes momentos. 

Mas grandes momentos nos pegam sem perceber - lindamente embrulhados no que outros consideram pequenos."


Escrito por um Motorista de Táxi de Nova York

Adaptado da Internet

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Treinamento de Narrativa #6

Putz, não escrevo uma dessa desde o ano passado! OK, vamos lá...

Hoje, eu decidi pegar a ideia de "capítulo solto". Sabe, quando você pega um livro e lê qualquer capítulo que não seja o primeiro... Pois é.
Creio já ter falado aqui da ideia do "bonde andando", e se ela é aplicável de boa em qualquer texto. Como eu fiz isso umas quatro edições atrás e ninguém reclamou, vou prosseguir de boa nesse aqui.

Essa aqui é uma ideia que eu tive quando estava no supermercado (isso mesmo). Mais detalhes a respeito dela, e tal, eu farei nos comentários de baixo. Por enquanto, fiquem com o texto:

Tema: Relações pessoais
Narrador: 3a Pessoa - Impessoal
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