quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Spider-Man Noir: Violência e Injustiça nos anos 30

Se tem um super-herói que eu tenho prazer em chamar de fodástico, é, sem dúvida, o nosso Espetacular Homem-Aranha. Não só o herói fez parte de quatro filmes (sendo uma trilogia excelente e um mais recente, que vai abrir outra trilogia) de ótima qualidade, como ele também já estrelou vários programas de TV, videogames e, é claro, revistas em quadrinhos (sua principal mídia).
O universo no qual Peter Parker existe foi o que realmente me deu um enorme interesse por revistas em quadrinhos e filmes de super-heróis como um todo.
Em outras palavras, sou um grande fã de Homem-Aranha.

Por ser um grande fã, é claro que eu tentei observar o máximo possível desse universo e, uma das ramificações feitas pela Marvel, é a mini-série chamada de Spider-Man Noir, uma mistura dos elementos de Homem-Aranha com aquele clima de anos 30.


Spider-Man Noir foi lançado no final de 2008, e continuou até 2009, pelo menos sua primeira mini-série. Contando com 4 edições, apenas, a série nos mostra a história de um Peter Parker nos anos 30, em um país que está passando pelos problemas da Crise Econômica Mundial (1929). Ele e sua Tia May tentam mostrar aos habitantes de Nova York (que param para ouvi-los) que devem lutar pelos seus direitos. No entanto, essa luta custou a vida de Ben Parker, marido de May e tio de Peter, que foi misteriosamente assassinado.
Apesar de não ter provas, Peter sabe que seu tio foi morto pelos capangas de Norman Osborn, também conhecido como Duende, um mafioso muito perigoso, que já tem toda a cidade em seu bolso.
Acolhido por Ben Urich, um repórter do Clarim Diário, Peter começa a descobrir mais e mais o submundo de Nova York.
Quando ele recebe uma mensagem que deveria chegar a Urich, Peter segue até o local sozinho, e lá, ele encontra a estátua de um deus-aranha. Ao ser picado por uma das aranhas, Peter alucina, fala com o deus, e adquire incríveis poderes. Com seu novo poder, ele se torna no Vigilante Homem-Aranha, que começa uma guerra contra o Duende e seus capangas, querendo não apenas vingar a morte de seu tio, mas também parar o império criminoso de Norman.


É interessante observar que essa versão do Homem-Aranha é uma das, se não a mais sombria face de Peter Parker. Não só a série é extremamente sangrenta, como também conta com alguns momentos tensos e grotescos. A leitura de Spider-Man Noir não é tão amigável quanto as versões Amazing ou Ultimate, e podem impressionar negativamente pessoas mais sensíveis.

Além disso, a trama não é algo 100% fiel às origens do personagem, contando com elementos próprios para manter sua história com uma personalidade mista: familiar, mas nova. Apesar de isso não ser, de maneira nenhuma, um problema, pode afastar os fãs mais difíceis de se agradar.

Spider-Man Noir não segue fielmente os passos de outras versões do Homem-Aranha, mas é justamente isso que faz dessa uma mini-série tão interessante. Por não se prender a certas escolhas no roteiro, a liberdade para se criar é maior, e deixa a história mais empolgante.


Graças a essa visão mais livre, o Peter Parker de Spider-Man Noir é incrivelmente mais agressivo e mais rude, coisa muito fácil de notar quando ele está sob a máscara araquinídea. Peter é extremamente grosseiro, e usa métodos mais violentos para lidar com os criminosos de NY.
Essa liberdade também se estende a outros personagens, como Adrian Toomes (o Abutre), Kraven e o próprio Norman Osborn (Duende), que mudaram de diferentes formas.

Não sei dizer se foi por conta da popularidade dessa versão Noir, mas um tipo de sequência foi lançado, sob o título Spider-Man Noir: Eyes Without a Face, na qual Peter enfrenta um Mestre do Crime (que pareceu ser uma referência ao The Rose), o Homem-Areia e uma versão nazista de Dr. Octopus. Essa segunda parte também conta com apenas quatro edições, e explora uma área mais ousada e bem mais polêmica do que o que é visto na primeira parte.

Agora vai o aviso: diferente das outras séries, Spider-Man Noir tem um foco muito maior na ação e pancadaria do que nas relações humanas, como é típico das outras versões. Claro, ainda vemos momentos entre Peter e Tia May, Ben Urich, Felicia Hardy e Mary Jane Watson (na segunda série), mas o foco delas não é tão grande.


Em resumo, caso você esteja interessado em se adentrar no universo Noir do Homem-Aranha, não tenha medo de ler essas revistas. Não terá as mesmas características que vemos em outras versões, mas é uma boa história, e consegue ser tão envolvente quanto as outras.

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